29.11.16

rafael.jpg

 "Gostaria de partilhar também o meu testemunho da minha perda.

Em Fevereiro de 2015 descobri que estava grávida do Rafael. estava muito feliz, bem como a minha filha, de 8 anos, louca por ter um mano!
Tudo corria bem até à primeira ecografia. O médico passou quase todo tempo calado.... e no final, apenas me disse que era melhor falar com o médico de familia, porque nem sempre a gestação começava bem, no processo de geração, podia falhar alguma coisa... Enfim, para mim, era quase chinês, até ele me dizer que a TN estava demasiado aumentada.
Em seguida, sou chamada ao centro de saúde pelo meu médico, porque tinham chegado os resultados do rastreio combinado para as trissomias... Risco super-hiper-mega-aumentado... Começava o meu pesadelo...
Como não estava segura daqueles resultados todos, preferi ser acompanhada no hospital da Luz, por um médico que foi um anjo!! Seguiu-se uma biopsia das vilosidades coriónicas, numa corrida contra o tempo. Resultado, não tinha qualquer Trissomia. Enquanto isso, a TN continuava a aumentar. Depois, foi começar uma série de exames de despiste, porque incrivelmente, o Rafael, a cada ecografia teimava em fazer as gracinhas dele e parecer um bébé normal, exceptuando na
medição da TN.
Estavamos a chegar a uma semana decisiva ( até porque teria de interromper a gravidez, caso se detetasse a anomalia que o afetava, e ir a conselho de ética demoraria algum tempo ). Chegou a vez de uma ecografia morfológica. Ossos longos muito curtos...

Apesar de mais uma vez a esperança desabar... O médico, nesse mesmo dia solicitou uma eco cardíaca, para ver se tinha malformações ao nivel cardiaco. Mais uma vez, tudo normal e um coraçãozinho a bater com muita força... Mas, então, o que fazer? Um desespero. O médico apenas me conseguia dizer que era tudo uma incógnita.
Ainda assim, decidi levar a gravidez adiante, e fosse o que deus quisesse. Então, fui encaminhada para uma consulta de genética. Eu só pensava "genética? Para quê? Ja n vai resolver nada..." A verdade é que nessa consulta, a médica lembrou-se de uma análise, ainda com o material recolhido na biópsia, ao síndrome de Noonam.
Em Maio o meu mundo ruiu: o rafael tinha sindrome de Noonam.... Que agregado a uma TN de 12mm, a qual não sabia sequer se poderia ser operada, se tornava num desfecho muito pouco risonho.
Decidi então, num terrivel ato de amor, interromper a gravidez. Que já ia com quase 6 meses.Foi o pior momento da minha vida.Tive que entrar em trabalho de parto, o Rafael morreu minutos antes de eu o dar à luz... Não o vi... Apenas uma mãozinha...Tudo o que se via nas ecos estava altamente confirmado. e o Rafael não tinha condições de sobreviver.
Ainda hoje choro, e recordo o meu menino na minha barriga!

De inicio, achei que a culpa era minha, que tinha sido egoista... Depois a dor atenuou e percebi que foi o maior ato de amor, porque o meu filho não ia ter qualidade de vida se sobrevivesse.
Para além de todas as deficiências fisicas. Ainda hoje dói... e muito.
E para mim, sim, eu tenho dois filhos. A Beatriz e a minha estrelinha, o Rafael.

Mão Patrícia"

link do postPor projectoartemis, às 11:08  comentar

25.11.16
Informamos que a petição irá a apreciação em plenário dia 14 de Dezembro pelas 15 na Assembleia da República.

Foi deliberado agendar a apreciação da Petição n.º 57/XIII/1ª para a reunião plenária do próximo dia 14 de dezembro, a partir das 15 horas (link para as ordens de trabalho das reuniões plenárias - http://app.parlamento.pt/BI2/).
Neste sentido, a Assembleia da República tem o gosto de os convidar a assistir ao debate em causa, solicitando que nos façam chegar com a máxima brevidade possível a identificação das pessoas que os acompanharão .
Tendo em conta as limitações de espaço existente e o facto de, nos termos do Regimento da Assembleia da República, as reuniões plenárias serem públicas, solicitamos que a delegação não ultrapasse o número máximo de 10 pessoas.

As inscrições para estar presente na Assembleia da Républica serão feitas pelo email da A-PA projecto.artemis@iol.pt
devem indicar primeiro e último nome, relembramos que há um limite de 10 pessoas, as inscrições são por ordem de chegada.
Informamos que os membros dos orgãos sociais da A-PA também deve fazer a sua inscrição.

O acesso às galerias da Sala das Sessões processa-se pela porta da Praça de S. Bento (porta lateral do Palácio de S. Bento), à qual se devem dirigir no dia indicado com relativa antecedência. Ao chegarem, não será necessário aguardar na fila.
Depois de passarem pelo pórtico de raio X, devem dirigir-se ao funcionário que procede à acreditação dos visitantes e identificar-se (através de documento próprio), mencionando ainda que vêm assistir à reunião plenária na qualidade de peticionários ou seus representantes, aguardando, então, que vos acompanhem à galeria destinada para o efeito.
É aconselhável que os visitantes não tragam volumes ou objetos pessoais como sacos, mochilas, máquinas fotográficas ou telemóveis. Caso transportem consigo estes objetos, os procedimentos de segurança à entrada serão mais demorados, visto que será necessário guardá-los.
Finalmente, salientamos que, para além da delegação, outros peticionários poderão vir assistir ao debate em reunião plenária, ainda que, nesse caso, o acesso às galerias se faça de acordo com o procedimento comum, ou seja, por ordem de chegada e enquanto a capacidade das mesmas o permitir.

A A-PA pode levar 10 pessoas na comitiva que nos representará contudo para alem dessas pessoas quem quiser pode ir mas entraram por ordem de chegada e mediante os lugares disponiveis na AR. Esta é a oportunidade de nos fazermos ouvir. Contamos convosco

 

link do postPor projectoartemis, às 20:34  comentar

23.11.16

lisboa.jpg

Encontro de pais com história de perda gestacional, moderado por uma psicóloga, onde se procura efetuar a partilha de histórias de perda gestacional, e facilitar o processo de luto.
Inscrições:
email - rp.eventos.artemis@gmail.com
valor: gratuito associadas A-PA
10€ não associados A-PA
Data limite inscrições: 15/02/2017
pagamento inscrições:
Transferência bancária
IBAN - PT50 0036 0101 99100036132 19 do Montepio geral

PAYPAL:
projectoartemis@sapo.pt

Local evento:
Clínica Spazzio Vita
Rua Padre Américo, nº 9C
1600-548 Telheiras (Lisboa)

link do postPor projectoartemis, às 10:26  comentar

16.11.16

image.png

"O meu nome é Flávia Arantes, ao fim de 4 anos e 10 meses finalmente acho que consigo dar o meu testemunho.

Em 2011 fiquei gravida do meu rei "Afonso" , foi uma gravidez cansativa mas correu tudo bem, mas no final já não aguentava mais, queixava me aos médicos que mal  conseguia andar! Na madrugada do dia 5 de Janeiro de 2012 comecei a ter contracções, então decidi ir logo para o hospital, tomei um banho e seguimos para o hospital, ao meio do caminho senti uma dor estranha, e senti que a minha barriga tinha subido, estava com dificuldades em respirar e vomitava muito. Eu senti logo que alguma coisa não estava bem. Ao chegar ao hospital as dores eram cada vez pior, mal consegui andar, entrei no consultório da médica, eu expliquei o que se estava a passar, ela disse que era normal era o trabalho de parto!

Fizeram uma ecografia e o toque, como só tinha 2 centímetros de dilatação a medica disse que podia ir para casa porque ainda era muito cedo, mandou me fazer as " cintas". Ao chegar à sala para fazer as cintas o enfermeiro ou auxiliar mandou me deitar, mas eu não conseguia, as dores eram horríveis não conseguia esticar o corpo( ele estava muito chateado por eu não fazer o que ele mandava), quando com muito esforço eu consegui, eu reparei que ela estava a olhar para mim com ar assustado e disse que ia chamar a médica!

A médica voltou e disse que íamos voltar a fazer uma ecografia, os 2 saíram da sala, e eu que nem conseguia andar, tive que me levantar e ir até a outra sala, fui amarrada à parede, não aguentava mesmo! ao chegar ao consultório fizeram me mais uma ecografia, e a médica estava muito chateada, ela mandou chamar outros médicos, enquanto me examinava eu senti um liquido a sair( a minha mãe depois disse me que estava lá uma poça de sangue) quando chegou outra médica, a médica que me estava a examinar disse:" isto não são batimentos de gente". Ela estava a falar do meu filho, com aquela frieza, e eu sem entender nada! elas falavam entre elas e eu não percebia nada, estava tão assustada e sozinha naquele momento. Entretanto vejo tanta gente a entrar, falavam alto, colocaram me numa cama. Eu estava em pânico, comecei a gritar a minha mãe entrou, sem saber o que se passava. Eu só pedia para salvar o meu filho, só isso! Só acordei passado 5 horas numa sala enorme e branca, vi o meu marido a chorar e ele disse me que o menino tinha que ir para o hospital do porto, para fazer um tratamento, claro que eu concordei logo. mas pedi para ver o meu filho,eles trouxeram-no, à minha beira. Ja estava preparado para seguir para o porto, estava numa incubadora, era lindo, enorme gordinho! A coisa mais perfeita.

Ele foi para o Porto, pedi ao meu marido para ficar com ele,nos 2 dias seguintes não me recordo de quase nada no hospital. No sábado de manhã pedi para me deixarem ir embora, queria o meu filho, queria sentir a pele e o cheirinho dele. Eles autorizaram a minha alta. Fui para o Porto, queria tanto ver o meu rei, ao chegar lá, vi tantas máquinas, tantos médicos, comecei achar que era grave. Lembro-me de chegar à beira dele e cheira-lo, ele cheirava a laranja, ainda hoje sinto esse cheirinho. O Dr. que estava responsável pelo Afonso levou-nos para uma sala, e ele explicou-me a situação do Afonso ( tive um descolamento da placenta, esteve muito tempo sem oxigénio), que o estado dele era grave, que o tratamento dele acabava na segunda feira de manhã, e se ele não tivesse melhoras nós íamos ter que decidir ( desligar ou não as máquinas)!

O meu mundo parou, congelei, não estava em mim, o meu mundo ia acabar. Eu perguntei ao médico que se eu não desliga-se as máquinas ele ia sofrer? ( eu sei que ele não ia ter qualidade de vida, e eu nunca mais podia ter uma vida, tinha que estar com ele 24 horas) mas eu só queria o meu filho, só isso! O medico disse que o Afonso ficaria em estado vegetal. Eu sei que é egoísmo da minha parte, mas eu não ia autorizar  desligar máquina nenhuma, eu não ia matar o meu filho. Sinceramente sempre achei que aquilo era só um susto e que ia sair de lá com o meu bebe. Passamos o dia ao lado dele, a conversar com ele. Na noite de sábado para domingo não dormi, não aguentava a dor, queria o meu filho nos meus braços. No Domingo pelas 7:30 da manhã o telemóvel do meu marido tocou, só de ouvir eu começei a gritar, eu sabia que alguma coisa se estava a passar. Eles disseram que o Afonso tinha piorado, e como tinhamos pedido para o baptizar, era melhor ir para  lá. O capelão ficou de batizar ás 10 horas, mas houve um atraso que tinha que ser ás 11 horas, enquanto esperava, falava com ele, dizia-lhe que o ia levar para casa. Odiava ver os pezinhos dele todos negros de tanto o picarem, dava-lhe lá muito beijinhos. Ás 11 horas chegou o capelão, pedi autorização para os meus familiares assistirem, aquele momento foi horrivel, não parecia que o estava a batizar mas sim a fazer uma despedida, no final estive com ele, dei-lhe um beijo, disse ao médico que tinha que comer alguma coisa que não me estava a sentir muito bem. Ao por o pé na estrada, senti algo horrivel, senti-me sozinha, vazia, o ar estava diferente, olho em volta e reparo que o meu marido a minha mãe tinham desaparecido, vi o olhar do meu sogro para mim. E senti naquela hora que o meu filho me tinha deixado, disse tantas asneiras, fiquei tão revoltada, só queria morrer só isso! Fui logo para a beira do meu filho, o Dr. disse que ele teve morte súbita, ao chegar ao pé dele, as enfermeiras estavam a tirar aqueles horríveis fios, pedi para pegar nele. queria tanto vê-lo a sorrir para mim, ver os olhinhos ele, mas ele estava tão quietinho. Tive o meu filho morto nos meus braços, beijei-o tanto ... tanto! Queria que aquele momento parasse e ficasse assim com ele toda vida nos meus braços.

O dia seguinte foi o funeral dele, foi o pior dia da minha vida o pior. Eu sou a mãe eu é que devia de ser enterrada por ele, e não eu a enterrar o meu filho. Ele estava frio, mas ainda tinha o cheiro a laranja.

Ele ja me deixou à  algum tempo, mas não sei o que se passa agora, choro todos os dias a pensar nele, o assunto Afonso sempre foi um tabu, ninguem fala dele comigo e eu tambem não falo com ninguem.

 

Mãe Flávia"

link do postPor projectoartemis, às 21:10  comentar

15.11.16

almoço1.jpgalmoço.jpg


Convivio informal
Após o almoço iremos dar a conhecer as instalações da A-PA

Data : 3 Dezembro 2016
Hora: 13:00h
Local : Restaurante Austrália (Braga)
Praça Paulo Vidal, 23 (Junto à sede da A-PA)

Menu: Entradas (variadas)
Prato peixe (filetes c/ salada russa) ou
Prato carne (Perna porco assada c/ batata e grelos)
Sobremesa : gelado / bolo A-PA
Bebidas
Café

Valor: 15€ adultos, 7,50€ crianças

Inscrição obrigatória até 30 de Novembro de 2016
Inscrições pelo email: rp.eventos.artemis@gmail.com

Pagamento:
Transferência
IBAN PT50 0036 0101 99100036132 19 do Montepio geral
ou
Paypal
projectoartemis@sapo.pt

 

link do postPor projectoartemis, às 15:17  comentar

braga.jpg

Encontro de pais com história de perda gestacional, moderado por uma psicóloga, onde se procura efetuar a partilha de histórias de perda gestacional, e facilitar o processo de luto.

Inscrições:
email - rp.eventos.artemis@gmail.com
valor: gratuito associadas A-PA
10€ não associados A-PA

pagamento inscrições:
Transferência bancária
IBAN - PT50 0036 0101 99100036132 19 do Montepio geral

PAYPAL:
projectoartemis@sapo.pt

Local evento:
Espaço R & S
Praça Paulo Vidal, 14
4700 Braga

link do postPor projectoartemis, às 15:12  comentar

7.11.16

Resultado de imagem para depressão pós parto

Com o parto, ocorrem reacções conscientes e inconscientes na puérpera e em todo o ambiente familiar e social imediato, que reactivam profundas ansiedades. Uma das mais importantes é a revivência inconsciente da angústia do trauma do próprio nascimento: a passagem pelo canal do parto, que inviabiliza para sempre o retorno ao útero e empurra para um mundo totalmente novo e, portanto, temido. A perda repentina de percepções conhecidas, como os sons internos das mães, o calor do aconchego, enfim, o sentido total de protecção, para o surgir de percepções novas e assustadoras. A secção do cordão umbilical separa para sempre, o corpo da criança do corpo materno deixando uma cicatriz, o umbigo, que marca o significado profundo desta separação. Assim, no inconsciente, o parto é vivido como uma grande perda para a mãe, muito mais do que o nascimento de um filho. Ao longo dos meses de gestação ele foi sentido como apenas seu, como parte integrante de si mesma e, bruscamente, torna-se um ser diferenciado dela, com vida própria e que deve ser compartilhado com os demais, apesar de todo ciúme que desperta. Sendo assim, a mulher emerge da situação de parto num estado de total confusão, como se tivessem lhe arrancado algo muito valioso ou como se tivesse perdido partes importantes de si mesma. Tanto quanto na morte, no nascimento também ocorre uma separação corporal definitiva. Este é o significado mais doído do parto e que se não for bem elaborado, pode trazer uma depressão muito mais intensa à puérpera: o parto é vida e também é morte. Os sintomas do estado depressivo variam quanto à maneira e intensidade com que se manifestam, pois dependem do tipo de personalidade da puérpera e de sua própria história de vida, bem como, no aspecto fisiológico, as mudanças bioquímicas que se processam logo após o parto. Além das vivências inconscientes em que predominam as fantasias de esvaziamento ou de castração, as mais intensas são as ansiedades de carência materna - quando a puérpera apresenta forte dependência infantil em relação à própria mãe ou ao marido - e as de auto-depreciação, quando se sente incapaz de assumir as responsabilidades maternas, e até mesmo inútil, quando não consegue captar a compreensão do significado do choro do bebé para poder satisfazê-lo. Para poder suportar tais ansiedades, inconscientemente, alguns mecanismos de defesa são colocados em movimento, segundo as características pessoas da puérpera. Dessa maneira, ela pode apresentar-se cheia de uma energia despropositada, eufórica, falante, preocupada com seu aspecto físico e com a ordem e arrumação do ambiente em que se encontra. As visitas são recebidas calorosamente e parece tão disposta, auto-suficiente, como se não precisasse de ajuda externa. Em contrapartida, manifesta alguns transtornos do sono, muitas vezes necessitando de soníferos. Se o ambiente mais próximo não lhe oferecer carinho e atenções, tal estado pode produzir somatizações, como febre, constipação e outros sintomas físicos. Do mesmo modo, se as fantasias inconscientes não puderem ser contidas, surgem as ansiedades depressivas de modo ocasional ou em acessos de choro, ciúmes, aborrecimento, tirania ou em expressões de auto-depreciação e de auto-acusação. A puérpera, ao contrário de hiperactiva, pode apresentar-se com um profundo retraimento, necessidade de isolamento, principalmente se há uma quebra muito grande do que esperava, tanto em relação ao bebé idealizado quanto a si própria como figura materna. A prostração e a decepção com sentimentos de fracasso e desilusão, têm também aspectos regressivos que se somam aos já produzidos pelo parto, com a reactualização do trauma do próprio nascimento, fazendo com que a puérpera se sinta mais carente e dependente de protecção, como que competindo com o bebé as atenções do meio que a cerca. A sensação predominante neste caso, é de sentir-se apenas a serviço do bebé, como se nunca mais fosse recuperar sua vida pessoal. É muito difícil determinar o limite entre a depressão pós-parto normal da patológica, chamada de psicose puerperal. A característica principal desta é a rejeição total ao bebé, sentindo-se completamente aterrorizada e ameaçada por ele, como se fosse um inimigo em potencial. A mulher sente-se, então, apática, abandona os próprios hábitos de higiene e cuidados pessoais. Pode sofrer de insónia, inapetência, apresenta ideias de perseguição, como se alguém viesse roubar-lhe o bebé ou fazer-lhe algum mal. Se a puérpera estiver neste quadro de profunda depressão, sem poder oferecer a seu filho o acolhimento necessário, este também entrará em depressão. As características apresentadas são: falta de brilho no olhar, dificuldade de sorrir, diminuição do apetite, vómito, diarreia e dificuldade em manifestar interesse pelo que quer que esteja ao seu redor. Consequentemente, haverá uma tendência maior em adoecer ou apresentar problemas na pele, mesmo que esteja sendo cuidado. Se há bloqueio materno em manifestar amor pelo filho, alguém deve assumir a tarefa de maternagem em que o bebé possa sentir-se amado e acolhido, pois sem amor não desenvolverá a capacidade de confiar em suas próprias possibilidades de desenvolvimento físico e emocional. Neste caso, o psiquiatra deve ser consultado urgentemente e, simultaneamente ao apoio farmacológico, será aconselhada a psicoterapia. Assim, o ambiente imediato deve estar atento à intensidade da depressão apresentada pela puérpera, no sentido de que se não puder proporcionar a segurança e a paz que ela necessita, possa pelo menos aconselhá-la a procurar ajuda profissional neste momento de crise. De qualquer maneira, em quaisquer desses estados apresentados, é comum e esperado, na puérpera, a ocorrência de ideias depressivas e persecutórias, o retraimento e o abandono ou a hiperactividade, sem chegar ao nível alarmante da psicose puerperal. O próprio estado regressivo em que se encontra contribui para o surgimento de tais sintomas. Assim, se a família e os amigos colaborarem de modo satisfatório, proporcionando confiança e segurança à puérpera, principalmente no que tocante às actividades maternas, sem críticas e hostilidades, mas com compreensão e carinho, acolhendo-a nos momentos de maior fragilidade emocional, a depressão pós-parto vai diminuindo de intensidade até se transformar em carinho pelo bebé e respeito pelo ritmo de seu desenvolvimento e progresso.

 

Sandra Cunha

Psicóloga A-PA

link do postPor projectoartemis, às 21:25  comentar

4.11.16

A A-PA disponibiliza os seguintes serviços de psicologia nos núcleos:

  1. a) Terapia Individual - valor de 25€ cada sessão para associados
  2. b) Terapia de Casal - valor 35€ cada sessão para associados

As consultas para não associados são taxadas mediante o valor de tabela de cada clínica.

  1. c) Grupos de Terapia – serviço gratuito para associados

10€ para não associados/sessão

 No dia da consulta a associada deverá fazer-se acompanhar por:

  1. a) Cartão de associada, ou
  2. b) Declaração de associada emitida pela A-PA (requisitar pelo email artemis@gmail.com caso não a tenham)

O atendimento do técnico da A-PA é feito, mediante marcação prévia.

 

Núcleos:

Braga

Espaço R & S

Praça Paulo Vidal, nº 14

Lamaçães

Contato para marcações: 938633707 ou projecto.artemis@iol.pt

 

Porto/Matosinhos

Mais Família

Avenida Serpa Pinto, 479

Matosinhos

Contato para marcações: 93 863 37 07 ou projecto.artemis@iol.pt

 

 

Lisboa

Clínica Spazzio Vita

Rua Padre Américo nº 9C, 1600-548 - Telheiras, Lisboa

Contato para marcações:Telm 932 910 745

Telf 211 335 677

nucleos.jpg

 

 

link do postPor projectoartemis, às 10:23  comentar

2.11.16

A partir de Janeiro de 2017 a A-PA irá organizar 1x por mês Encontro de Pais, em várias cidades do país. Cada mês será uma cidade diferente.
Os encontros serão moderados por um psicólogo e terão como objectivo a partilha entre os pais.
Atempadamente anunciaremos as datas e as cidades de cada mês, bem como disponibilizaremos todas as informações sobre as inscrições.
Porque juntos somos mais fortes, porque juntos a caminhada torna-se mais fácil.
Contamos convosco.

 

encontros mensais.jpg

 

link do postPor projectoartemis, às 16:31  comentar

31.10.16

0 (22).jpg

 "A decisão de engravidar foi totalmente planeada… entre o nosso trabalho atarefado e tudo o que envolvia a rotina cá em casa foi decidido que a partir de Abril de 2013, as portas do nosso coração estariam abertas para receber o nosso primeiro filho. Porquê Abril? Porque em Janeiro de 2014 terminaria um trabalho que exigia bastante de mim e também porque não queria correr o risco de ter um filhote a nascer perto do Natal (nunca gostei da ideia de aniversários no mês de Dezembro). Assim, contados 9 meses, Abril parecia perfeito para conceber um bebé!

Sempre achei que engravidar era a coisa mais fácil do mundo! É pelo menos esta a ideia que a nossa sociedade transmite aos jovens… e de facto não há ninguém que não conheça casos de bebés não planeados… os chamados “descuidos”. Mas connosco não foi assim! Os meses passaram e não existiam menstruações, nem ovulações, nem ciclos! Nada de nada… e é então que procuramos ajuda médica e ficamos a saber que tenho SOP. Engravidar só mesmo com ajuda… medicações para aqui, injeções para acolá e passados vários meses a estimular ovulações, eis que finalmente chega um positivo! De facto, foi um positivão pois a ecografia mostrou-nos 3 feijõezinhos que iriam mudar a nossa vida para sempre!

A gravidez foi evoluindo e às 11 semanas sofro de uma apendicite aguda, a qual nos obrigou a passar por uma cirurgia. Recompostos do susto, e ainda no hospital, uma embolia pulmonar decide visitar-nos! Felizmente, ultrapassamos esta etapa juntos e contra todas as expectativas sobrevivemos os 4!

A partir daqui, todos os cuidados eram poucos… muito repouso, a barriga crescia de dia para dia e os meus bebés também! Estavam tão grandes que às 24 semanas o meu corpo não aguentou mais e fez com que os meus bebés nascessem! Sem aviso prévio, não dei conta que estava a entrar em trabalho de parto e só me apercebi que iam nascer quando vejo a levarem-me para o bloco de partos. Aí sim cai na realidade e percebi que o fim estava próximo! A Carolina nasceu e nem se quer foi preciso fazer força! Ouvi um choro tipo gatinho a miar que jamais irei esquecer mas nem se quer a vi pois tinham de leva-la para a neonatologia. Passado 7h o Salvador decide nascer e foi o parto mais traumático de todos. Saiu da posição em que estava e eu não conseguia fazer com que ele nascesse. Teve de ser puxado mas não sobreviveu à violência do parto. Perguntaram-me se o queria ver e em pânico por ter ainda a Maria Clara na barriga disse que não! Queria a todo o custo mante-la o máximo de tempo possível dentro de mim para ver se as medicações para a maturação dos pulmões faziam efeito e ver o Salvador morto não iria ajudar a manter-me calma. No entanto, só a consegui manter dentro de mim por mais 13h. Quando vi que ia nascer implorei por uma cesariana pois não teria forças para passar por um 3º parto, ainda para mais porque o anterior tinha terminado muito mal. Disseram-me que não iriam fazer cesariana mas que estavam ali para me ajudar e que eu ia conseguir. E de facto consegui. A Maria Clara nasceu e seguiu diretamente para a neonatologia. E também eu fui levada para a enfermaria. Felizmente, tiveram o bom senso de não me colocar junto com as outras mães e seus bebés, e colocaram-me na enfermaria de obstetrícia. A noite passou e eu não consegui fechar os olhos. Queria ir ver as minhas meninas e ter a certeza que estavam bem, já que não podia fazer mais nada pelo menino. Assim que amanheceu ouvi passos que iam diretos ao meu quarto e quando olhei para o rosto daquelas pessoas percebi que não traziam boas notícias. A Maria Clara só tinha sobrevivido 9h e já não estava entre nós. Mais uma vez me perguntaram se queria vê-la, e estupidamente disse que não. Se não tinha visto o Salvador então também não iria vê-la! Não podia tratar os meus filhso de maneira diferente! A minha cabeça estava a mil e só descansei quando pude ver a Carolina. No entanto, quando entrei na neonatologia foi um choque pois embora já tivesse visto uma foto dela que o papá tinha tirado no dia anterior, não tinha noção que era tão pequenina. Tinha apenas 680g e cabia nas minhas mãos.

Passei 3 longos dias internada, onde podia visitar a minha pequenina sempre que quisesse. Mas eu só queria vir para casa. Achava que em casa, junto das minhas coisas e dos meus, que iria ser mais fácil de suportar tudo o que estava a viver. Mas estava tão enganada! Quando finalmente entrei em casa, sem barriga e sem bebés, cai na realidade e percebi que nunca mais nada seria igual.

A partir daqui, todos os dias íamos visitar a nossa pequenina e passado 1 semana colocaram-na nas minhas mãos dentro da incubadora. Parecia estar a evoluir bem embora toda a equipa fosse muito contida, tínhamos alguma esperança que tudo terminasse bem. No entanto, passado 2 dias percebemos que algo está errado. Mal entrámos na sala, já estava uma médica para falar connosco. Tinham detectado que a Carolina estava a perder sangue e era muito provável que se tratasse de uma hemorragia cerebral. No dia seguinte, o panorama estava pior e para além da hemorragia, a Carolina tinha também uma infeção nos intestinos e estava a ficar com a barriga negra. A médica disse então, estas palavras que jamais esquecerei: “esta situação não é compatível com a vida. Percebeu Mãe?”. Ainda hoje (passado 2 anos e uns meses) estas palavras fazem-me engolir em seco. Claramente tínhamos chegado ao fim da linha e o nosso sonho terminava ali. No dia seguinte, regressámos ao hospital e já não ouvi os aparelhos ligados à Carolina a fazerem o barulho do costume! Pensei: "já se foi e nem nos despedimos dela". Mas estava errada. Eles simplesmente tinham retirado o som dos equipamentos pois já não havia muito a fazer por ela. Disseram-nos que o fim estava muito próximo e que se quiséssemos poderíamos dar-lhe colo, pois podiam tira-la da incubadora. E assim foi! Esteve no meu colo não sei bem precisar o tempo, pois para mim ele parou! Pude ver todos os seus pormenores que nunca me tinha sido possível ver. Pude dar-lhe todo o amor possível, pude beija-la e pude despedir-me dela para sempre. Quando achei que era tempo de nos separarmos, assim o fiz. Entreguei-a aos cuidados das enfermeiras que garantiram que ela não iria sofrer pois estava medicada e vim embora pois não queria assistir à sua partida. Passado 1h ligaram-me a dizer que tudo tinha acabado.

Seguiu-se um mês terrível onde nada fazia sentido na minha vida. Não queria sair de casa e ter de me cruzar com as pessoas. Não me apetecia falar com ninguém nem fazer nada. Passei um mês inteiro a chorar e a reviver todo o pesadelo pelo qual passei. Uns dias revoltada, outros dias nostálgica, outro dias nem sei bem como. Até que passado um mês, e com a ajuda do meu companheiro de batalhas, decidi que tinha de sair do buraco onde me tinha enfiado. A vida tinha terminado para eles, mas por algum motivo eu tinha sobrevivido. Nada mais seria igual, mas tínhamos de andar para a frente. Uns dias melhores e outros piores. E assim foi. De facto, “nunca sabemos a força que temos, até que a única alternativa é ser forte”.

Decidimos que tínhamos de voltar a tentar outro bebé, pois embora ele não fosse substituir os 3 que perdemos, pelo menos iria dar um novo significado à nossa vida. Passado 5 meses da nossa perda, engravidei espontaneamente e entrei em 2015 com um bebé já na barriga. Uma gravidez onde não foi preciso recorrer a tratamentos mas que foi vivida com muito receio. Felizmente tudo correu bem e o meu rapazão veio ao mundo a 12.09.2015, devolvendo a alegria às nossas vidas.

Embora, me faltem 3 pedaços de mim, aprendi a viver com essa ausência e a amar com um céu de distância!

Obrigada Projecto Artémis pela dedicação a esta causa  e um abracinho apertado a todas as famílias que viram os seus bebés partirem cedo demais. 3 beijos do tamanho do mundo para os meus pequeninos.

Mamã Vânia"

0 (56).jpg

 

link do postPor projectoartemis, às 14:25  comentar


 
Espaço de partilha com objectivo de diminuir a falta de informação técnica e emocional a mulheres que vivenciam o luto da perda de um bebé ao longo da gravidez, bem como quebrar o Pacto de Silêncio resultante de todo esse processo de luto na Perda Gestacional.
Envie a sua questão
Este consultório online é um espaço onde pode colocar as suas dúvidas no âmbito da Perda Gestacional. Este Consultório tem um carácter informativo e o acompanhamento médico especializado por parte dos leitores não deve ser descuidado.

E-mail: projectoartemis@sapo.pt

Page copy protected against web site content infringement by Copyscape
Direcção APA
projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Em paralelo, acompanhou Manuela Pontes na Direcção da Artémis como Vice Presidente. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

Contacto:
Telefone:938633707
E-mail: projectoartemis@sapo.pt
Site: www.facebook.com/associacaoartemis

Orgão Sociais
Direcção:
Presidente - Sandra Cunha
Vice Presidente - Patrícia Vilas Boas
Secretária - Andreia Neves
Tesoureira - Susana Rodrigues
Vogal - Marco Jesus
Assembleia Geral:
Presidente - Anabela Costa
1ª Secretária - Vanessa Mack
2ª Secretária - Sílvia Melo
Conselho Fiscal:
Presidente - Ricardo Fortuna
Vogal - Mónica Cunha
Vogal - Manuel Vilas Boas
Novembro 2016
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
17
18
19

20
21
22
24
26

27
28
30


arquivos
subscrever feeds
blogs SAPO