16.1.17

No coração e na alma das mães e pais que passam pela perda gestacional a dor é comum, independentemente da fase da gravidez em que se encontravam. Todavia, para efeitos legais e para a Segurança Social há questões que fazem toda a diferença.

Assim, se ocorrer uma perda gestacional antes das 20 semanas de gestação, estamos perante um aborto que pode ser espontâneo, uma IVG ou uma IMG. Nestes casos, a mulher tem direito a um subsídio por interrupção de gravidez, que tem a duração de 14 ou 30 dias consoante recomendação médica. É pago a 100% e basta que a mulher tenha 6 meses de descontos.

O pai não tem direito a nada!

 

Após as 20 semanas já estamos perante o nascimento de um nado morto. A mulher tem direito à licença parental mas com limite de 120 dias. Pago a 100%.

Já o pai tem direito apenas aos 10 dias uteis obrigatórios após o nascimento do nado morto. Também pago a 100%.

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Sofia Cabral Lopes, Advogada

Jurista da A-PA

link do postPor projectoartemis, às 16:49  comentar

Foto de Associação Portuguesa de Fertilidade.

A APFertilidade acaba de lançar uma petição pública para a criação do Dia da Fertilidade como forma de alerta para a prevenção da infertilidade, da preservação da fertilidade e da defesa dos direitos dos casais, homens e mulheres, que não conseguem concretizar o projeto de paternidade.

Faça parte desta causa e assine a petição em www.peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT84098

link do postPor projectoartemis, às 12:05  comentar

2.1.17

"Serei Capaz ???

 

Serei eu capaz de lidar com tamanha dor?

Serei eu capaz de perceber o porquê da sua existência?

Serei eu capaz de perdoar algum dia, a destruição da minha vida á dita DRA?

Enfim…

Serei eu capaz de continuar a vida, sem sentir que ela acabou naquele dia ?

Serei eu capaz de continuar a aguentar em parte, a ignorância de certas pessoas, quando me dizem e perguntam o porquê de ainda não ter ultrapassado a tua perda ?

  • Mas será possível algum dia isso acontecer ??? Será que não entendem que perder um filho é para a vida e não algo que se esqueça com o passar do tempo !!!

IGNORÂNCIA (a palavra que mais vezes define todos aqueles que opinam sobre a minha perda, sem perceberem que na sua maioria das vezes, as palavras que utilizam não são as melhores… tais como:

  1. ÉS NOVA!
  2. VAIS TER OUTROS!
  3. ENTÃO QUANDO VOLTAS A TENTAR ENGRAVIDAR?
  4. JÁ PASSOU X MESES E AINDA NÃO ULTRAPASSASTE A PERDA?
  5. NÃO SEI COMO FALAS DELA, COMO SE AINDA EXISTISSE

São as 5 frases que mais tenho ouvido ao longo destes meses…

 

Serei eu capaz de continuar a ser “ bem educada” para quem não percebe que “ UM FILHO É PARA TODA A VIDA”, INDEPENDENTEMENTE DO SÍTIO ONDE ESTIVER !!!

Serei eu capaz de mostrar aos outros que o LUTO É MEU  e que SÓ EU  saberei a melhor forma do vivenciar???

Talvez … sabem porquê ???

Porque SÓ EU sei o que SINTO, o que SOFRO todos os dias, o que PENSO e acima de tudo o que PASSEI naquele dia.

Aquele dia em que tudo acabou para mim e para o meu namorado.

SIM, porque existe um NAMORADO, um HOMEM, um AMIGO, e sobretudo um PAI que também sofre com tudo isto.

Um PAI que unicamente conheceu a filha, o melhor dele ali… ALI - sabem onde ??? 

NO CAIXÃO

Mas deveria ser assim… não é suposto um PAI conhecer a filha na maternidade, acabada de nascer, ouvir o seu choro, o seu cheiro, pegá-la ao colo e chorar mas de alegria ???

Muitos não sabem, porque “ não são capazes” de perceber que tudo isto aconteceu assim, da maneira mais cruel possível da vida.

Ele, o meu amor, caiu naquele momento e tem caído até hoje, porque o tempo passa, mas a DOR , a AUSÊNCIA , a PERDA continua mais presente do que nunca.

Seremos ambos capazes de mostrar ao MUNDO, que somos PAIS mesmo não a tendo aqui fisicamente connosco ???

Ou perdemos o rótulo de pais, porque não passámos noites mal dormidas, não trocámos fraldas sujas, não damos a papinha ás horas marcadas?

Será que para a sociedade, PAIS são somente aqueles que fazem tudo isto ?

E NÓS ???

Deixámos de ser a partir daquele momento ??? O pior momento das nossas vidas.

NÃO !!! NUNCA !!! JAMAIS !!!

Porque apesar de não termos tudo isto, todos os dias, eu passei por um trabalho de parto, igual a tantas outras mães, embora com o resultado final muito diferente, mas mesmo assim a nossa ESTRELINHA BEATRIZ está sempre presente nas nossas conversas, na nossa apresentação como família, sempre que sentimos necessidade de o fazer,  recebe a nossa visita na sua nova morada, em todos os momentos importantes  ela está sempre presente, de várias formas… numa foto, numa vela, numa estrela, numa borboleta ou até mesmo num simples olhar.

Porque continuamos a ser PAIS e isso nunca vai mudar.

E mediante isto, chega a nossa vez de vos perguntar: ” Serão vocês capazes de perceber que nós somos PAIS e temos uma FILHA ???

Pensem nisso

 

JAMAIS DEIXARÁS DE EXISTIR NO CORAÇÃO DE QUEM TE AMA FILHA

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 Patrícia Marques"

 

link do postPor projectoartemis, às 14:43  comentar

28.12.16

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O ano de 2016 foi marcado na Associação Projecto Artémis por três momentos que considero importantes, 3 conquistas, mesmo que uma delas ainda esteja por finalizar. Entregamos a petição e o processo foi decorrendo ao longo deste ano, em Junho lançamos a nossa campanha de sensibilização "A perda gestacional existe.. e tem rosto" que de alguma forma veio dar voz e rosto a tantos casais e bebés, e abrimos um novo núcleo em Lisboa (em parceria com a Clinica Spazzio Vita). Este foi um ano de muito trabalho "invisível", foi um ano que a equipa da A-PA trabalhou imenso, apesar de não ser visível aos olhos do público. Foi um ano intenso e muito gratificante. Todas as conquistas, por mais pequenas que sejam, são mérito de uma equipa coesa e unida, que dá de si de uma forma intensa e que me deixa um orgulho imenso.
Obrigada Patricia Vilas Boas, Susana Rodrigues, Andreia Neves, Marco Antonio de Jesus, Anabela Costa, Vanessa Mack, Silvia Melo, Ricardo Fortuna, Monica Aranha Cunha, Manuel Vilas Boas
A tod@s os nossos associados, leitores e seguidores, obrigada por estarem desse lado, por nos apoiarem, por fazerem fazer sentido esta nossa luta.
Desejo que tod@s tenham um 2017 fantástico, cheio de sonhos realizados e nunca, nunca deixem de acreditar que um dia o vosso sonho é realizado, nunca... nunca deixem de sorrir, mesmo que o vosso chão fuja não deixem de ir em busca do que vos faz feliz.
Que 2017 seja um ano de realizações.

Sandra Cunha
Presidente da Associação Projecto Artémis

link do postPor projectoartemis, às 17:55  comentar

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Olá a tod@s,

Depois de analisarmos com calma todas as intervenções dos diferentes deputados dos grupos parlamentares, vimos desta forma explicar o seguinte, nomeadamente à exma sra deputada do PSD e à Direcção Geral de Saúde, que foi quem teve a iniciativa de propor o dia do luto parental.
Sabem... nós pais de colo vazio fazemos parte dos pais que vivenciam luto parental, contudo, a existência do dia do luto parental e não do dia da perda gestacional vem mais uma vez fazer o que a sociedade teima em fazer... SILENCIAR a perda gestacional. Sabem nós queremos um dia só nosso, e sabem porquê? Porque só assim entendem que nós existimos, que os nossos filhos existiram.
Srs deputados conhecem alguém que perdeu um filho durante a gravidez? Não? Têm a certeza? Se calhar conhecem, mas não sabem. E sabem porquê? Porque compactuam com esta quase que obrigação de silêncio. Até quando vão ficar indiferentes? Até quando vão compactuar com o SNS e ignorar os nossos filhos?.
Como forma de oposição a tal proposta vimos solicitar mais uma vez o vosso apoio. Se considerarem que não faz sentido a proposta feita, façam correr ao máximo este post como forma de dizermos: Nós queremos o Dia de Sensibilização da Perda Gestacional.
Contamos convosco para parar definitivamente este silêncio em torno da Perda Gestacional

Sandra Cunha
Presidente da A-PA

 

link do postPor projectoartemis, às 17:51  comentar

A presidente da A-PA, Sandra Cunha, deu uma entrevista à Vital Health onde se falou de perda gestacional e dos apoios que existem para os casais que perdem os seus filhos durante a gestação.

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 "Estima-se que cerca de 10% das gravidezes clinicamente identificadas terminem em perda gestacional, a grande maioria no primeiro trimestre. Em Portugal, este é ainda um tema tabu e uma situação desvalorizada por grande parte da sociedade. Com o objetivo de chamar a atenção para a problemática da perda gestacional no nosso país e para o "desrespeito por pais que perderam os filhos", a Associação Projecto Artémis (A-PA), que dá apoio a pais e mães que passam por uma perda gestacional, apresentou este ano ao Parlamento uma petição para a criação do Dia Nacional para a Sensibilização da Perda Gestacional. Em entrevista ao Vital Health, Sandra Cunha, presidente e psicóloga da A-PA, quebra o tabu em torno do tema da perda gestacional e fala-nos da dor dos pais que passam por este sofrimento.

 

Vital Health (VH) | O que é e com que objetivo foi criada a Associação Projecto Artémis?

 

Sandra Cunha (SC) | O Projecto Artémis é uma associação sem fins lucrativos, concebida e dada à luz em 5 de dezembro de 2005, e à qual foi conferida o Estatuto de Pessoa Coletiva de utilidade Pública. A A-PA tem por objetivo promover a prestação de cuidados de saúde materna, de âmbito físico e psicológico, nomeadamente por meio de aconselhamento e apoio clínico e psíquico, a mulheres vítimas de situações clínicas de aborto e/ou morte fetal e respetivos companheiros, bem como promover e fomentar a reabilitação e recuperação física e psicológica dessas mulheres e respectivos companheiros ou agregados familiares.

 

VH | Que repercussões a perda gestacional tem na vida da mulher e, também, na vida do casal?

 

SC | A mulher, após uma perda gestacional, vivencia uma miscelânea de sentimentos, que passam de imediato a negação do que está a acontecer, e depois culpa, tristeza, frustração, sentindo-se muitas vezes diminuída como mulher e mãe. Culpabiliza-se também por ter perdido aquele bebé, já que se sente como a figura de proteção, e que não conseguiu desempenhar essa função durante a gravidez. Sofre em silêncio, já que os outros muitas vezes não lhe permitem vivenciar o seu luto na sua plenitude e isola-se. Estes sentimentos vivenciados pela mulher levam, muitas vezes, ao afastamento do casal, principalmente se não existir uma comunicação aberta entre eles, já que os homens vivenciam a perda de uma forma diferente. A mulher tem uma necessidade imensa de falar sobre aquele bebé, enquanto os homens se remetem ao silêncio visto que por vezes consideram que falar sobre isso lhes causa uma maior dor e sofrimento.

 

VH | Que apoios podem ou devem as pessoas procurar para superar esta situação?

 

SC | Apesar de não existir, nas nossas instituições hospitalares, um apoio psicológico imediato e eficaz, os casais, quando percebem que não estão a vivenciar o seu luto de forma estruturada, deverão procurar ajuda psicológica.

 

VH | Segundo a experiência que tem tido junto de tantas mulheres, como é que são os momentos de vivência de uma nova gravidez, após uma perda gestacional? Um novo filho pode superar a dor da perda gestacional?

 

SC | Uma nova gravidez é muitas vezes vivenciada com um medo enorme, os níveis de ansiedade são elevados, sobretudo quando se aproxima o tempo de gestação no qual se perdeu o bebé anterior. Uma nova gravidez nunca poderá ser uma forma de superar a perda anterior. Contudo isto verifica-se muitas vezes, o que leva posteriormente a depressões pós parto, associadas ao facto de perceberem, após o nascimento, que aquele luto não foi superado com a chegada de um novo bebé. Pode amenizar a dor, mas nunca será uma forma de a eliminar.

 

VH | As mulheres e famílias que buscam apoio na Associação, fazem-no com que objetivo?

 

SC | O principal objetivo é poderem falar abertamente sobra a sua perda, sobre aquele filho que partiu antes de nascer. Na associação, e utilizando uma expressão muitas vezes proferida pelas próprias, “aqui fala-se a mesma linguagem”. Não há cobranças sobre o tempo para fazer o luto, não há juízos de valor, não há uma cobrança para se silenciar. Há companheirismo, há partilha de vivências e sentimentos, e há, acima de tudo, compreensão e respeito por aquele bebé.

 

VH | A perda gestacional ainda é vista como um tabu?

 

SC | Sem dúvida. Como tabu e com uma incompreensão e falta de respeito enorme.

 

VH | O protocolo hospitalar dita que só após a perda de três gestações, a gestante pode ser encaminhada para um estudo genético, a fim de perceber as causas que levam à perda gestacional. Qual a posição da Artémis sobre esta matéria?

 

SC | Um dos objetivos do Projecto Artémis é alterar este protocolo. Em muitos casos, se após uma primeira perda se fizesse uma avaliação genética, muitas perdas poderiam ser evitadas. É fundamental haver uma análise aos casais para se evitar as perdas de repetição.

 

VH | No seguimento de uma reunião com deputados, em maio de 2016, a Artémis elaborou um memorando de recomendações, no qual a discriminação de que estes pais se dizem alvo por parte do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é uma questão central. De que tipo de discriminação estamos a falar?

 

SC | Estes casais são muitas vezes confrontados com uma falta de sensibilidade por parte dos técnicos que os acompanham. Para além disso, estas mães são em muitas instituições hospitalares colocadas na mesma sala que parturientes, que bebés recém-nascidos. Isso causa uma dor imensa a estas mães. Por vezes, a mãe fica sozinha, não deixam que o pai esteja ao lado, o que seria fundamental durante todo este processo. Muitas vezes estes casais deparam-se com comentários tais como: “você não tinha aí nada, era só um embrião”. Mais do que falta de sensibilidade, trata-se de desumanização dos serviços. É fundamental que os técnicos sejam mais humanos. Não pretendemos que sofram com estes pais, não é o que se pede, mas que os respeitem e que respeitem que independentemente do tempo de gestação, para estes pais é o seu filho.

 

VH | Um dos objetivos da Artémis é a criação do Dia Nacional para a Sensibilização da Perda Gestacional, a ser comemorado a 15 de outubro. Qual o intuito da criação deste dia?

 

SC | A perda gestacional é vista na nossa sociedade como um tabu, é um tema do qual não se fala, e que muitas vezes a realidade das sequelas psicológicas e a dor pela qual estes casais passam não é conhecida da população em geral. Na maioria dos casos estes pais sofrem em silêncio. Um silêncio aterrador que se inicia no momento em que recebem a notícia da perda do seu bebé e permanece pelo silêncio a que a sociedade os obriga. Por isso, os objetivos da criação do Dia Nacional para a Sensibilização da Perda Gestacional são chamar a atenção para a problemática da perda gestacional no nosso país, conseguirmos que seja oficialmente reconhecida por todos como um problema real, honrar e celebrar a luta árdua que milhares de portuguesas enfrentam para dar à luz o seu filho, quebrar o tabu envolto na ignorância/ desconhecimento de um problema diário e dignificar o sofrimento e dar-lhe voz.

 

VH | Que conselho deixaria às famílias que acabaram de vivenciar a perda gestacional?

 

SC | Não se submetam ao silêncio que tanto vos “obrigam”. Procurem ajuda, falem sobre o vosso filho/a sempre que assim o entendam. Silenciar uma dor tão nossa não é o caminho para se fazer o luto.

 

VH | Há mais algum assunto que gostaria de destacar?

 

SC | A mudança de mentalidades é, neste momento, fundamental para se quebrar o silêncio em torno da perda gestacional. O primeiro passo é percebermos que foi um filho que estes pais perderam. Coisas tão simples como “perderam um filho” em vez de “a gravidez não correu bem”, “perderam um bebé” em vez de “perderam uma gestação”. São apenas vocábulos que podem fazer toda a diferença."
 

 

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29.11.16

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 "Gostaria de partilhar também o meu testemunho da minha perda.

Em Fevereiro de 2015 descobri que estava grávida do Rafael. estava muito feliz, bem como a minha filha, de 8 anos, louca por ter um mano!
Tudo corria bem até à primeira ecografia. O médico passou quase todo tempo calado.... e no final, apenas me disse que era melhor falar com o médico de familia, porque nem sempre a gestação começava bem, no processo de geração, podia falhar alguma coisa... Enfim, para mim, era quase chinês, até ele me dizer que a TN estava demasiado aumentada.
Em seguida, sou chamada ao centro de saúde pelo meu médico, porque tinham chegado os resultados do rastreio combinado para as trissomias... Risco super-hiper-mega-aumentado... Começava o meu pesadelo...
Como não estava segura daqueles resultados todos, preferi ser acompanhada no hospital da Luz, por um médico que foi um anjo!! Seguiu-se uma biopsia das vilosidades coriónicas, numa corrida contra o tempo. Resultado, não tinha qualquer Trissomia. Enquanto isso, a TN continuava a aumentar. Depois, foi começar uma série de exames de despiste, porque incrivelmente, o Rafael, a cada ecografia teimava em fazer as gracinhas dele e parecer um bébé normal, exceptuando na
medição da TN.
Estavamos a chegar a uma semana decisiva ( até porque teria de interromper a gravidez, caso se detetasse a anomalia que o afetava, e ir a conselho de ética demoraria algum tempo ). Chegou a vez de uma ecografia morfológica. Ossos longos muito curtos...

Apesar de mais uma vez a esperança desabar... O médico, nesse mesmo dia solicitou uma eco cardíaca, para ver se tinha malformações ao nivel cardiaco. Mais uma vez, tudo normal e um coraçãozinho a bater com muita força... Mas, então, o que fazer? Um desespero. O médico apenas me conseguia dizer que era tudo uma incógnita.
Ainda assim, decidi levar a gravidez adiante, e fosse o que deus quisesse. Então, fui encaminhada para uma consulta de genética. Eu só pensava "genética? Para quê? Ja n vai resolver nada..." A verdade é que nessa consulta, a médica lembrou-se de uma análise, ainda com o material recolhido na biópsia, ao síndrome de Noonam.
Em Maio o meu mundo ruiu: o rafael tinha sindrome de Noonam.... Que agregado a uma TN de 12mm, a qual não sabia sequer se poderia ser operada, se tornava num desfecho muito pouco risonho.
Decidi então, num terrivel ato de amor, interromper a gravidez. Que já ia com quase 6 meses.Foi o pior momento da minha vida.Tive que entrar em trabalho de parto, o Rafael morreu minutos antes de eu o dar à luz... Não o vi... Apenas uma mãozinha...Tudo o que se via nas ecos estava altamente confirmado. e o Rafael não tinha condições de sobreviver.
Ainda hoje choro, e recordo o meu menino na minha barriga!

De inicio, achei que a culpa era minha, que tinha sido egoista... Depois a dor atenuou e percebi que foi o maior ato de amor, porque o meu filho não ia ter qualidade de vida se sobrevivesse.
Para além de todas as deficiências fisicas. Ainda hoje dói... e muito.
E para mim, sim, eu tenho dois filhos. A Beatriz e a minha estrelinha, o Rafael.

Mão Patrícia"

link do postPor projectoartemis, às 11:08  ver comentários (1) comentar

25.11.16
Informamos que a petição irá a apreciação em plenário dia 14 de Dezembro pelas 15 na Assembleia da República.

Foi deliberado agendar a apreciação da Petição n.º 57/XIII/1ª para a reunião plenária do próximo dia 14 de dezembro, a partir das 15 horas (link para as ordens de trabalho das reuniões plenárias - http://app.parlamento.pt/BI2/).
Neste sentido, a Assembleia da República tem o gosto de os convidar a assistir ao debate em causa, solicitando que nos façam chegar com a máxima brevidade possível a identificação das pessoas que os acompanharão .
Tendo em conta as limitações de espaço existente e o facto de, nos termos do Regimento da Assembleia da República, as reuniões plenárias serem públicas, solicitamos que a delegação não ultrapasse o número máximo de 10 pessoas.

As inscrições para estar presente na Assembleia da Républica serão feitas pelo email da A-PA projecto.artemis@iol.pt
devem indicar primeiro e último nome, relembramos que há um limite de 10 pessoas, as inscrições são por ordem de chegada.
Informamos que os membros dos orgãos sociais da A-PA também deve fazer a sua inscrição.

O acesso às galerias da Sala das Sessões processa-se pela porta da Praça de S. Bento (porta lateral do Palácio de S. Bento), à qual se devem dirigir no dia indicado com relativa antecedência. Ao chegarem, não será necessário aguardar na fila.
Depois de passarem pelo pórtico de raio X, devem dirigir-se ao funcionário que procede à acreditação dos visitantes e identificar-se (através de documento próprio), mencionando ainda que vêm assistir à reunião plenária na qualidade de peticionários ou seus representantes, aguardando, então, que vos acompanhem à galeria destinada para o efeito.
É aconselhável que os visitantes não tragam volumes ou objetos pessoais como sacos, mochilas, máquinas fotográficas ou telemóveis. Caso transportem consigo estes objetos, os procedimentos de segurança à entrada serão mais demorados, visto que será necessário guardá-los.
Finalmente, salientamos que, para além da delegação, outros peticionários poderão vir assistir ao debate em reunião plenária, ainda que, nesse caso, o acesso às galerias se faça de acordo com o procedimento comum, ou seja, por ordem de chegada e enquanto a capacidade das mesmas o permitir.

A A-PA pode levar 10 pessoas na comitiva que nos representará contudo para alem dessas pessoas quem quiser pode ir mas entraram por ordem de chegada e mediante os lugares disponiveis na AR. Esta é a oportunidade de nos fazermos ouvir. Contamos convosco

 

link do postPor projectoartemis, às 20:34  comentar

23.11.16

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Encontro de pais com história de perda gestacional, moderado por uma psicóloga, onde se procura efetuar a partilha de histórias de perda gestacional, e facilitar o processo de luto.
Inscrições:
email - rp.eventos.artemis@gmail.com
valor: gratuito associadas A-PA
10€ não associados A-PA
Data limite inscrições: 15/02/2017
pagamento inscrições:
Transferência bancária
IBAN - PT50 0036 0101 99100036132 19 do Montepio geral

PAYPAL:
projectoartemis@sapo.pt

Local evento:
Clínica Spazzio Vita
Rua Padre Américo, nº 9C
1600-548 Telheiras (Lisboa)

link do postPor projectoartemis, às 10:26  comentar

16.11.16

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"O meu nome é Flávia Arantes, ao fim de 4 anos e 10 meses finalmente acho que consigo dar o meu testemunho.

Em 2011 fiquei gravida do meu rei "Afonso" , foi uma gravidez cansativa mas correu tudo bem, mas no final já não aguentava mais, queixava me aos médicos que mal  conseguia andar! Na madrugada do dia 5 de Janeiro de 2012 comecei a ter contracções, então decidi ir logo para o hospital, tomei um banho e seguimos para o hospital, ao meio do caminho senti uma dor estranha, e senti que a minha barriga tinha subido, estava com dificuldades em respirar e vomitava muito. Eu senti logo que alguma coisa não estava bem. Ao chegar ao hospital as dores eram cada vez pior, mal consegui andar, entrei no consultório da médica, eu expliquei o que se estava a passar, ela disse que era normal era o trabalho de parto!

Fizeram uma ecografia e o toque, como só tinha 2 centímetros de dilatação a medica disse que podia ir para casa porque ainda era muito cedo, mandou me fazer as " cintas". Ao chegar à sala para fazer as cintas o enfermeiro ou auxiliar mandou me deitar, mas eu não conseguia, as dores eram horríveis não conseguia esticar o corpo( ele estava muito chateado por eu não fazer o que ele mandava), quando com muito esforço eu consegui, eu reparei que ela estava a olhar para mim com ar assustado e disse que ia chamar a médica!

A médica voltou e disse que íamos voltar a fazer uma ecografia, os 2 saíram da sala, e eu que nem conseguia andar, tive que me levantar e ir até a outra sala, fui amarrada à parede, não aguentava mesmo! ao chegar ao consultório fizeram me mais uma ecografia, e a médica estava muito chateada, ela mandou chamar outros médicos, enquanto me examinava eu senti um liquido a sair( a minha mãe depois disse me que estava lá uma poça de sangue) quando chegou outra médica, a médica que me estava a examinar disse:" isto não são batimentos de gente". Ela estava a falar do meu filho, com aquela frieza, e eu sem entender nada! elas falavam entre elas e eu não percebia nada, estava tão assustada e sozinha naquele momento. Entretanto vejo tanta gente a entrar, falavam alto, colocaram me numa cama. Eu estava em pânico, comecei a gritar a minha mãe entrou, sem saber o que se passava. Eu só pedia para salvar o meu filho, só isso! Só acordei passado 5 horas numa sala enorme e branca, vi o meu marido a chorar e ele disse me que o menino tinha que ir para o hospital do porto, para fazer um tratamento, claro que eu concordei logo. mas pedi para ver o meu filho,eles trouxeram-no, à minha beira. Ja estava preparado para seguir para o porto, estava numa incubadora, era lindo, enorme gordinho! A coisa mais perfeita.

Ele foi para o Porto, pedi ao meu marido para ficar com ele,nos 2 dias seguintes não me recordo de quase nada no hospital. No sábado de manhã pedi para me deixarem ir embora, queria o meu filho, queria sentir a pele e o cheirinho dele. Eles autorizaram a minha alta. Fui para o Porto, queria tanto ver o meu rei, ao chegar lá, vi tantas máquinas, tantos médicos, comecei achar que era grave. Lembro-me de chegar à beira dele e cheira-lo, ele cheirava a laranja, ainda hoje sinto esse cheirinho. O Dr. que estava responsável pelo Afonso levou-nos para uma sala, e ele explicou-me a situação do Afonso ( tive um descolamento da placenta, esteve muito tempo sem oxigénio), que o estado dele era grave, que o tratamento dele acabava na segunda feira de manhã, e se ele não tivesse melhoras nós íamos ter que decidir ( desligar ou não as máquinas)!

O meu mundo parou, congelei, não estava em mim, o meu mundo ia acabar. Eu perguntei ao médico que se eu não desliga-se as máquinas ele ia sofrer? ( eu sei que ele não ia ter qualidade de vida, e eu nunca mais podia ter uma vida, tinha que estar com ele 24 horas) mas eu só queria o meu filho, só isso! O medico disse que o Afonso ficaria em estado vegetal. Eu sei que é egoísmo da minha parte, mas eu não ia autorizar  desligar máquina nenhuma, eu não ia matar o meu filho. Sinceramente sempre achei que aquilo era só um susto e que ia sair de lá com o meu bebe. Passamos o dia ao lado dele, a conversar com ele. Na noite de sábado para domingo não dormi, não aguentava a dor, queria o meu filho nos meus braços. No Domingo pelas 7:30 da manhã o telemóvel do meu marido tocou, só de ouvir eu começei a gritar, eu sabia que alguma coisa se estava a passar. Eles disseram que o Afonso tinha piorado, e como tinhamos pedido para o baptizar, era melhor ir para  lá. O capelão ficou de batizar ás 10 horas, mas houve um atraso que tinha que ser ás 11 horas, enquanto esperava, falava com ele, dizia-lhe que o ia levar para casa. Odiava ver os pezinhos dele todos negros de tanto o picarem, dava-lhe lá muito beijinhos. Ás 11 horas chegou o capelão, pedi autorização para os meus familiares assistirem, aquele momento foi horrivel, não parecia que o estava a batizar mas sim a fazer uma despedida, no final estive com ele, dei-lhe um beijo, disse ao médico que tinha que comer alguma coisa que não me estava a sentir muito bem. Ao por o pé na estrada, senti algo horrivel, senti-me sozinha, vazia, o ar estava diferente, olho em volta e reparo que o meu marido a minha mãe tinham desaparecido, vi o olhar do meu sogro para mim. E senti naquela hora que o meu filho me tinha deixado, disse tantas asneiras, fiquei tão revoltada, só queria morrer só isso! Fui logo para a beira do meu filho, o Dr. disse que ele teve morte súbita, ao chegar ao pé dele, as enfermeiras estavam a tirar aqueles horríveis fios, pedi para pegar nele. queria tanto vê-lo a sorrir para mim, ver os olhinhos ele, mas ele estava tão quietinho. Tive o meu filho morto nos meus braços, beijei-o tanto ... tanto! Queria que aquele momento parasse e ficasse assim com ele toda vida nos meus braços.

O dia seguinte foi o funeral dele, foi o pior dia da minha vida o pior. Eu sou a mãe eu é que devia de ser enterrada por ele, e não eu a enterrar o meu filho. Ele estava frio, mas ainda tinha o cheiro a laranja.

Ele ja me deixou à  algum tempo, mas não sei o que se passa agora, choro todos os dias a pensar nele, o assunto Afonso sempre foi um tabu, ninguem fala dele comigo e eu tambem não falo com ninguem.

 

Mãe Flávia"

link do postPor projectoartemis, às 21:10  comentar


 
Espaço de partilha com objectivo de diminuir a falta de informação técnica e emocional a mulheres que vivenciam o luto da perda de um bebé ao longo da gravidez, bem como quebrar o Pacto de Silêncio resultante de todo esse processo de luto na Perda Gestacional.
Envie a sua questão
Este consultório online é um espaço onde pode colocar as suas dúvidas no âmbito da Perda Gestacional. Este Consultório tem um carácter informativo e o acompanhamento médico especializado por parte dos leitores não deve ser descuidado.

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Direcção APA
projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Em paralelo, acompanhou Manuela Pontes na Direcção da Artémis como Vice Presidente. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

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1ª Secretária - Vanessa Mack
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