21.11.09

 

Os últimos acontecimentos relacionados à vacina H1N1 (gripe A) e a as mortes fetais ocorridas, têm provocado em mim vários sentimentos contraditórios, mas sobretudo uma enorme consternação por perceber que o papel da comunicação social não é, de todo, o mais esclarecedor, provocando, inclusive, o pânico e o alarmismo ao redor de um assunto que existe há muitos anos: morte fetal.

Todos os dias morrem bebés, todos os dias se verificam em Portugal mortes fetais e que me desculpem, mais uma vez os mídia, mas são muitas mais que 1 por dia.
 

Em Portugal, desde há pelo menos 7 anos, vivencio esta realidade na associação e gostava de sublinhar que, neste caso, sem a interferência de qualquer tipo de vacina.

Esclareço, portanto, que a morte fetal tem acontecido a muitas famílias ao longo de muito tempo e nem por isso, algum dia, pude perceber este interesse e até admiração por acontecer a morte de bebés às 34, 37 ou 30 semanas de gestação.
Mais uma vez lamento que se para falar de algo realmente grave, como o é a morte prematura de um bebé que se carrega no ventre, se tenha que manipular factos, acontecimentos e emoções da população em geral.
Gostava de observar esta preocupação de forma gratuita, isto é, preocupação apenas e só com MORTE FETAL, independentemente de esta estar relacionada ou não a factores socioeconómicos, muito especificamente com a comercialização, neste caso, de uma vacina.

 

Gostava de perguntar se algum dia a morte fetal ocupou as agendas de assunto necessário dos nossos profissionais de saúde e governo instituido como um problema de saúde pública, porque, afinal, é isso que ela também é - um assunto de saúde pública.
Em 2007 verificamos 11.200 casos de Perda Gestacional nos nossos hospitais públicos, excluídos os privados, por dificuldade da Direcção Geral de Saúde os obter. Será este número (muito longe dos valores reais) tão irrisório que mereça ser desprezado?

Não me parece ! ... mas a verdade é o que tem acontecido, ser ignorado.

Aproveito esta minha mensagem à sociedade que nos lê, para alertar de forma muito objectiva que todos os dias irão continuar a morrer bebés no ventre de mães, que a morte fetal não é apenas circunstâncial, existe, é um drama actual que deverá começar por ser olhado e sentido como uma realidade nua e crua.
Não se espantem e verbalizem afirmações do género "outro bebé que morreu!", não ... não se espantem assim tanto, porque infelizmente, quando todos nós andamos a passear, a sociabilizar, a ocupar a nossa atenção com outros assuntos polémicos, este continuará a persistir, mesmo depois de todos se esquecerem desta "terrível" vacina e destas mortes fetais vindas a público.
Não permitam que a sociedade vos tome por ignorantes nesta matéria, é como tenho sentido ultimamente o que os mídia tentam fazer, tomar-nos por ignorantes, quando manipulam este drama, fazendo-o parecer "coisa rara".

 Lembrem-se ainda que estes pais continuarão a sofrer, mesmo quando todos nós acharmos que afinal, morte fetal, só acontece aos outros e a quem recebe a H1N1.


Manuela Pontes
Presidente da associação Projecto Artémis

link do postPor projectoartemis, às 15:57  comentar

De Virus da Gripe a 31 de Janeiro de 2010 às 17:20
Parabens pela inciativa de criar este blog.

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projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Em paralelo, acompanhou Manuela Pontes na Direcção da Artémis como Vice Presidente. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

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