29.11.16

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 "Gostaria de partilhar também o meu testemunho da minha perda.

Em Fevereiro de 2015 descobri que estava grávida do Rafael. estava muito feliz, bem como a minha filha, de 8 anos, louca por ter um mano!
Tudo corria bem até à primeira ecografia. O médico passou quase todo tempo calado.... e no final, apenas me disse que era melhor falar com o médico de familia, porque nem sempre a gestação começava bem, no processo de geração, podia falhar alguma coisa... Enfim, para mim, era quase chinês, até ele me dizer que a TN estava demasiado aumentada.
Em seguida, sou chamada ao centro de saúde pelo meu médico, porque tinham chegado os resultados do rastreio combinado para as trissomias... Risco super-hiper-mega-aumentado... Começava o meu pesadelo...
Como não estava segura daqueles resultados todos, preferi ser acompanhada no hospital da Luz, por um médico que foi um anjo!! Seguiu-se uma biopsia das vilosidades coriónicas, numa corrida contra o tempo. Resultado, não tinha qualquer Trissomia. Enquanto isso, a TN continuava a aumentar. Depois, foi começar uma série de exames de despiste, porque incrivelmente, o Rafael, a cada ecografia teimava em fazer as gracinhas dele e parecer um bébé normal, exceptuando na
medição da TN.
Estavamos a chegar a uma semana decisiva ( até porque teria de interromper a gravidez, caso se detetasse a anomalia que o afetava, e ir a conselho de ética demoraria algum tempo ). Chegou a vez de uma ecografia morfológica. Ossos longos muito curtos...

Apesar de mais uma vez a esperança desabar... O médico, nesse mesmo dia solicitou uma eco cardíaca, para ver se tinha malformações ao nivel cardiaco. Mais uma vez, tudo normal e um coraçãozinho a bater com muita força... Mas, então, o que fazer? Um desespero. O médico apenas me conseguia dizer que era tudo uma incógnita.
Ainda assim, decidi levar a gravidez adiante, e fosse o que deus quisesse. Então, fui encaminhada para uma consulta de genética. Eu só pensava "genética? Para quê? Ja n vai resolver nada..." A verdade é que nessa consulta, a médica lembrou-se de uma análise, ainda com o material recolhido na biópsia, ao síndrome de Noonam.
Em Maio o meu mundo ruiu: o rafael tinha sindrome de Noonam.... Que agregado a uma TN de 12mm, a qual não sabia sequer se poderia ser operada, se tornava num desfecho muito pouco risonho.
Decidi então, num terrivel ato de amor, interromper a gravidez. Que já ia com quase 6 meses.Foi o pior momento da minha vida.Tive que entrar em trabalho de parto, o Rafael morreu minutos antes de eu o dar à luz... Não o vi... Apenas uma mãozinha...Tudo o que se via nas ecos estava altamente confirmado. e o Rafael não tinha condições de sobreviver.
Ainda hoje choro, e recordo o meu menino na minha barriga!

De inicio, achei que a culpa era minha, que tinha sido egoista... Depois a dor atenuou e percebi que foi o maior ato de amor, porque o meu filho não ia ter qualidade de vida se sobrevivesse.
Para além de todas as deficiências fisicas. Ainda hoje dói... e muito.
E para mim, sim, eu tenho dois filhos. A Beatriz e a minha estrelinha, o Rafael.

Mão Patrícia"

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25.11.16
Informamos que a petição irá a apreciação em plenário dia 14 de Dezembro pelas 15 na Assembleia da República.

Foi deliberado agendar a apreciação da Petição n.º 57/XIII/1ª para a reunião plenária do próximo dia 14 de dezembro, a partir das 15 horas (link para as ordens de trabalho das reuniões plenárias - http://app.parlamento.pt/BI2/).
Neste sentido, a Assembleia da República tem o gosto de os convidar a assistir ao debate em causa, solicitando que nos façam chegar com a máxima brevidade possível a identificação das pessoas que os acompanharão .
Tendo em conta as limitações de espaço existente e o facto de, nos termos do Regimento da Assembleia da República, as reuniões plenárias serem públicas, solicitamos que a delegação não ultrapasse o número máximo de 10 pessoas.

As inscrições para estar presente na Assembleia da Républica serão feitas pelo email da A-PA projecto.artemis@iol.pt
devem indicar primeiro e último nome, relembramos que há um limite de 10 pessoas, as inscrições são por ordem de chegada.
Informamos que os membros dos orgãos sociais da A-PA também deve fazer a sua inscrição.

O acesso às galerias da Sala das Sessões processa-se pela porta da Praça de S. Bento (porta lateral do Palácio de S. Bento), à qual se devem dirigir no dia indicado com relativa antecedência. Ao chegarem, não será necessário aguardar na fila.
Depois de passarem pelo pórtico de raio X, devem dirigir-se ao funcionário que procede à acreditação dos visitantes e identificar-se (através de documento próprio), mencionando ainda que vêm assistir à reunião plenária na qualidade de peticionários ou seus representantes, aguardando, então, que vos acompanhem à galeria destinada para o efeito.
É aconselhável que os visitantes não tragam volumes ou objetos pessoais como sacos, mochilas, máquinas fotográficas ou telemóveis. Caso transportem consigo estes objetos, os procedimentos de segurança à entrada serão mais demorados, visto que será necessário guardá-los.
Finalmente, salientamos que, para além da delegação, outros peticionários poderão vir assistir ao debate em reunião plenária, ainda que, nesse caso, o acesso às galerias se faça de acordo com o procedimento comum, ou seja, por ordem de chegada e enquanto a capacidade das mesmas o permitir.

A A-PA pode levar 10 pessoas na comitiva que nos representará contudo para alem dessas pessoas quem quiser pode ir mas entraram por ordem de chegada e mediante os lugares disponiveis na AR. Esta é a oportunidade de nos fazermos ouvir. Contamos convosco

 

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23.11.16

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Encontro de pais com história de perda gestacional, moderado por uma psicóloga, onde se procura efetuar a partilha de histórias de perda gestacional, e facilitar o processo de luto.
Inscrições:
email - rp.eventos.artemis@gmail.com
valor: gratuito associadas A-PA
10€ não associados A-PA
Data limite inscrições: 15/02/2017
pagamento inscrições:
Transferência bancária
IBAN - PT50 0036 0101 99100036132 19 do Montepio geral

PAYPAL:
projectoartemis@sapo.pt

Local evento:
Clínica Spazzio Vita
Rua Padre Américo, nº 9C
1600-548 Telheiras (Lisboa)

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16.11.16

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"O meu nome é Flávia Arantes, ao fim de 4 anos e 10 meses finalmente acho que consigo dar o meu testemunho.

Em 2011 fiquei gravida do meu rei "Afonso" , foi uma gravidez cansativa mas correu tudo bem, mas no final já não aguentava mais, queixava me aos médicos que mal  conseguia andar! Na madrugada do dia 5 de Janeiro de 2012 comecei a ter contracções, então decidi ir logo para o hospital, tomei um banho e seguimos para o hospital, ao meio do caminho senti uma dor estranha, e senti que a minha barriga tinha subido, estava com dificuldades em respirar e vomitava muito. Eu senti logo que alguma coisa não estava bem. Ao chegar ao hospital as dores eram cada vez pior, mal consegui andar, entrei no consultório da médica, eu expliquei o que se estava a passar, ela disse que era normal era o trabalho de parto!

Fizeram uma ecografia e o toque, como só tinha 2 centímetros de dilatação a medica disse que podia ir para casa porque ainda era muito cedo, mandou me fazer as " cintas". Ao chegar à sala para fazer as cintas o enfermeiro ou auxiliar mandou me deitar, mas eu não conseguia, as dores eram horríveis não conseguia esticar o corpo( ele estava muito chateado por eu não fazer o que ele mandava), quando com muito esforço eu consegui, eu reparei que ela estava a olhar para mim com ar assustado e disse que ia chamar a médica!

A médica voltou e disse que íamos voltar a fazer uma ecografia, os 2 saíram da sala, e eu que nem conseguia andar, tive que me levantar e ir até a outra sala, fui amarrada à parede, não aguentava mesmo! ao chegar ao consultório fizeram me mais uma ecografia, e a médica estava muito chateada, ela mandou chamar outros médicos, enquanto me examinava eu senti um liquido a sair( a minha mãe depois disse me que estava lá uma poça de sangue) quando chegou outra médica, a médica que me estava a examinar disse:" isto não são batimentos de gente". Ela estava a falar do meu filho, com aquela frieza, e eu sem entender nada! elas falavam entre elas e eu não percebia nada, estava tão assustada e sozinha naquele momento. Entretanto vejo tanta gente a entrar, falavam alto, colocaram me numa cama. Eu estava em pânico, comecei a gritar a minha mãe entrou, sem saber o que se passava. Eu só pedia para salvar o meu filho, só isso! Só acordei passado 5 horas numa sala enorme e branca, vi o meu marido a chorar e ele disse me que o menino tinha que ir para o hospital do porto, para fazer um tratamento, claro que eu concordei logo. mas pedi para ver o meu filho,eles trouxeram-no, à minha beira. Ja estava preparado para seguir para o porto, estava numa incubadora, era lindo, enorme gordinho! A coisa mais perfeita.

Ele foi para o Porto, pedi ao meu marido para ficar com ele,nos 2 dias seguintes não me recordo de quase nada no hospital. No sábado de manhã pedi para me deixarem ir embora, queria o meu filho, queria sentir a pele e o cheirinho dele. Eles autorizaram a minha alta. Fui para o Porto, queria tanto ver o meu rei, ao chegar lá, vi tantas máquinas, tantos médicos, comecei achar que era grave. Lembro-me de chegar à beira dele e cheira-lo, ele cheirava a laranja, ainda hoje sinto esse cheirinho. O Dr. que estava responsável pelo Afonso levou-nos para uma sala, e ele explicou-me a situação do Afonso ( tive um descolamento da placenta, esteve muito tempo sem oxigénio), que o estado dele era grave, que o tratamento dele acabava na segunda feira de manhã, e se ele não tivesse melhoras nós íamos ter que decidir ( desligar ou não as máquinas)!

O meu mundo parou, congelei, não estava em mim, o meu mundo ia acabar. Eu perguntei ao médico que se eu não desliga-se as máquinas ele ia sofrer? ( eu sei que ele não ia ter qualidade de vida, e eu nunca mais podia ter uma vida, tinha que estar com ele 24 horas) mas eu só queria o meu filho, só isso! O medico disse que o Afonso ficaria em estado vegetal. Eu sei que é egoísmo da minha parte, mas eu não ia autorizar  desligar máquina nenhuma, eu não ia matar o meu filho. Sinceramente sempre achei que aquilo era só um susto e que ia sair de lá com o meu bebe. Passamos o dia ao lado dele, a conversar com ele. Na noite de sábado para domingo não dormi, não aguentava a dor, queria o meu filho nos meus braços. No Domingo pelas 7:30 da manhã o telemóvel do meu marido tocou, só de ouvir eu começei a gritar, eu sabia que alguma coisa se estava a passar. Eles disseram que o Afonso tinha piorado, e como tinhamos pedido para o baptizar, era melhor ir para  lá. O capelão ficou de batizar ás 10 horas, mas houve um atraso que tinha que ser ás 11 horas, enquanto esperava, falava com ele, dizia-lhe que o ia levar para casa. Odiava ver os pezinhos dele todos negros de tanto o picarem, dava-lhe lá muito beijinhos. Ás 11 horas chegou o capelão, pedi autorização para os meus familiares assistirem, aquele momento foi horrivel, não parecia que o estava a batizar mas sim a fazer uma despedida, no final estive com ele, dei-lhe um beijo, disse ao médico que tinha que comer alguma coisa que não me estava a sentir muito bem. Ao por o pé na estrada, senti algo horrivel, senti-me sozinha, vazia, o ar estava diferente, olho em volta e reparo que o meu marido a minha mãe tinham desaparecido, vi o olhar do meu sogro para mim. E senti naquela hora que o meu filho me tinha deixado, disse tantas asneiras, fiquei tão revoltada, só queria morrer só isso! Fui logo para a beira do meu filho, o Dr. disse que ele teve morte súbita, ao chegar ao pé dele, as enfermeiras estavam a tirar aqueles horríveis fios, pedi para pegar nele. queria tanto vê-lo a sorrir para mim, ver os olhinhos ele, mas ele estava tão quietinho. Tive o meu filho morto nos meus braços, beijei-o tanto ... tanto! Queria que aquele momento parasse e ficasse assim com ele toda vida nos meus braços.

O dia seguinte foi o funeral dele, foi o pior dia da minha vida o pior. Eu sou a mãe eu é que devia de ser enterrada por ele, e não eu a enterrar o meu filho. Ele estava frio, mas ainda tinha o cheiro a laranja.

Ele ja me deixou à  algum tempo, mas não sei o que se passa agora, choro todos os dias a pensar nele, o assunto Afonso sempre foi um tabu, ninguem fala dele comigo e eu tambem não falo com ninguem.

 

Mãe Flávia"

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15.11.16

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Convivio informal
Após o almoço iremos dar a conhecer as instalações da A-PA

Data : 3 Dezembro 2016
Hora: 13:00h
Local : Restaurante Austrália (Braga)
Praça Paulo Vidal, 23 (Junto à sede da A-PA)

Menu: Entradas (variadas)
Prato peixe (filetes c/ salada russa) ou
Prato carne (Perna porco assada c/ batata e grelos)
Sobremesa : gelado / bolo A-PA
Bebidas
Café

Valor: 15€ adultos, 7,50€ crianças

Inscrição obrigatória até 30 de Novembro de 2016
Inscrições pelo email: rp.eventos.artemis@gmail.com

Pagamento:
Transferência
IBAN PT50 0036 0101 99100036132 19 do Montepio geral
ou
Paypal
projectoartemis@sapo.pt

 

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braga.jpg

Encontro de pais com história de perda gestacional, moderado por uma psicóloga, onde se procura efetuar a partilha de histórias de perda gestacional, e facilitar o processo de luto.

Inscrições:
email - rp.eventos.artemis@gmail.com
valor: gratuito associadas A-PA
10€ não associados A-PA

pagamento inscrições:
Transferência bancária
IBAN - PT50 0036 0101 99100036132 19 do Montepio geral

PAYPAL:
projectoartemis@sapo.pt

Local evento:
Espaço R & S
Praça Paulo Vidal, 14
4700 Braga

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7.11.16

Resultado de imagem para depressão pós parto

Com o parto, ocorrem reacções conscientes e inconscientes na puérpera e em todo o ambiente familiar e social imediato, que reactivam profundas ansiedades. Uma das mais importantes é a revivência inconsciente da angústia do trauma do próprio nascimento: a passagem pelo canal do parto, que inviabiliza para sempre o retorno ao útero e empurra para um mundo totalmente novo e, portanto, temido. A perda repentina de percepções conhecidas, como os sons internos das mães, o calor do aconchego, enfim, o sentido total de protecção, para o surgir de percepções novas e assustadoras. A secção do cordão umbilical separa para sempre, o corpo da criança do corpo materno deixando uma cicatriz, o umbigo, que marca o significado profundo desta separação. Assim, no inconsciente, o parto é vivido como uma grande perda para a mãe, muito mais do que o nascimento de um filho. Ao longo dos meses de gestação ele foi sentido como apenas seu, como parte integrante de si mesma e, bruscamente, torna-se um ser diferenciado dela, com vida própria e que deve ser compartilhado com os demais, apesar de todo ciúme que desperta. Sendo assim, a mulher emerge da situação de parto num estado de total confusão, como se tivessem lhe arrancado algo muito valioso ou como se tivesse perdido partes importantes de si mesma. Tanto quanto na morte, no nascimento também ocorre uma separação corporal definitiva. Este é o significado mais doído do parto e que se não for bem elaborado, pode trazer uma depressão muito mais intensa à puérpera: o parto é vida e também é morte. Os sintomas do estado depressivo variam quanto à maneira e intensidade com que se manifestam, pois dependem do tipo de personalidade da puérpera e de sua própria história de vida, bem como, no aspecto fisiológico, as mudanças bioquímicas que se processam logo após o parto. Além das vivências inconscientes em que predominam as fantasias de esvaziamento ou de castração, as mais intensas são as ansiedades de carência materna - quando a puérpera apresenta forte dependência infantil em relação à própria mãe ou ao marido - e as de auto-depreciação, quando se sente incapaz de assumir as responsabilidades maternas, e até mesmo inútil, quando não consegue captar a compreensão do significado do choro do bebé para poder satisfazê-lo. Para poder suportar tais ansiedades, inconscientemente, alguns mecanismos de defesa são colocados em movimento, segundo as características pessoas da puérpera. Dessa maneira, ela pode apresentar-se cheia de uma energia despropositada, eufórica, falante, preocupada com seu aspecto físico e com a ordem e arrumação do ambiente em que se encontra. As visitas são recebidas calorosamente e parece tão disposta, auto-suficiente, como se não precisasse de ajuda externa. Em contrapartida, manifesta alguns transtornos do sono, muitas vezes necessitando de soníferos. Se o ambiente mais próximo não lhe oferecer carinho e atenções, tal estado pode produzir somatizações, como febre, constipação e outros sintomas físicos. Do mesmo modo, se as fantasias inconscientes não puderem ser contidas, surgem as ansiedades depressivas de modo ocasional ou em acessos de choro, ciúmes, aborrecimento, tirania ou em expressões de auto-depreciação e de auto-acusação. A puérpera, ao contrário de hiperactiva, pode apresentar-se com um profundo retraimento, necessidade de isolamento, principalmente se há uma quebra muito grande do que esperava, tanto em relação ao bebé idealizado quanto a si própria como figura materna. A prostração e a decepção com sentimentos de fracasso e desilusão, têm também aspectos regressivos que se somam aos já produzidos pelo parto, com a reactualização do trauma do próprio nascimento, fazendo com que a puérpera se sinta mais carente e dependente de protecção, como que competindo com o bebé as atenções do meio que a cerca. A sensação predominante neste caso, é de sentir-se apenas a serviço do bebé, como se nunca mais fosse recuperar sua vida pessoal. É muito difícil determinar o limite entre a depressão pós-parto normal da patológica, chamada de psicose puerperal. A característica principal desta é a rejeição total ao bebé, sentindo-se completamente aterrorizada e ameaçada por ele, como se fosse um inimigo em potencial. A mulher sente-se, então, apática, abandona os próprios hábitos de higiene e cuidados pessoais. Pode sofrer de insónia, inapetência, apresenta ideias de perseguição, como se alguém viesse roubar-lhe o bebé ou fazer-lhe algum mal. Se a puérpera estiver neste quadro de profunda depressão, sem poder oferecer a seu filho o acolhimento necessário, este também entrará em depressão. As características apresentadas são: falta de brilho no olhar, dificuldade de sorrir, diminuição do apetite, vómito, diarreia e dificuldade em manifestar interesse pelo que quer que esteja ao seu redor. Consequentemente, haverá uma tendência maior em adoecer ou apresentar problemas na pele, mesmo que esteja sendo cuidado. Se há bloqueio materno em manifestar amor pelo filho, alguém deve assumir a tarefa de maternagem em que o bebé possa sentir-se amado e acolhido, pois sem amor não desenvolverá a capacidade de confiar em suas próprias possibilidades de desenvolvimento físico e emocional. Neste caso, o psiquiatra deve ser consultado urgentemente e, simultaneamente ao apoio farmacológico, será aconselhada a psicoterapia. Assim, o ambiente imediato deve estar atento à intensidade da depressão apresentada pela puérpera, no sentido de que se não puder proporcionar a segurança e a paz que ela necessita, possa pelo menos aconselhá-la a procurar ajuda profissional neste momento de crise. De qualquer maneira, em quaisquer desses estados apresentados, é comum e esperado, na puérpera, a ocorrência de ideias depressivas e persecutórias, o retraimento e o abandono ou a hiperactividade, sem chegar ao nível alarmante da psicose puerperal. O próprio estado regressivo em que se encontra contribui para o surgimento de tais sintomas. Assim, se a família e os amigos colaborarem de modo satisfatório, proporcionando confiança e segurança à puérpera, principalmente no que tocante às actividades maternas, sem críticas e hostilidades, mas com compreensão e carinho, acolhendo-a nos momentos de maior fragilidade emocional, a depressão pós-parto vai diminuindo de intensidade até se transformar em carinho pelo bebé e respeito pelo ritmo de seu desenvolvimento e progresso.

 

Sandra Cunha

Psicóloga A-PA

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4.11.16

A A-PA disponibiliza os seguintes serviços de psicologia nos núcleos:

  1. a) Terapia Individual - valor de 25€ cada sessão para associados
  2. b) Terapia de Casal - valor 35€ cada sessão para associados

As consultas para não associados são taxadas mediante o valor de tabela de cada clínica.

  1. c) Grupos de Terapia – serviço gratuito para associados

10€ para não associados/sessão

 No dia da consulta a associada deverá fazer-se acompanhar por:

  1. a) Cartão de associada, ou
  2. b) Declaração de associada emitida pela A-PA (requisitar pelo email artemis@gmail.com caso não a tenham)

O atendimento do técnico da A-PA é feito, mediante marcação prévia.

 

Núcleos:

Braga

Espaço R & S

Praça Paulo Vidal, nº 14

Lamaçães

Contato para marcações: 938633707 ou projecto.artemis@iol.pt

 

Porto/Matosinhos

Mais Família

Avenida Serpa Pinto, 479

Matosinhos

Contato para marcações: 93 863 37 07 ou projecto.artemis@iol.pt

 

 

Lisboa

Clínica Spazzio Vita

Rua Padre Américo nº 9C, 1600-548 - Telheiras, Lisboa

Contato para marcações:Telm 932 910 745

Telf 211 335 677

nucleos.jpg

 

 

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2.11.16

A partir de Janeiro de 2017 a A-PA irá organizar 1x por mês Encontro de Pais, em várias cidades do país. Cada mês será uma cidade diferente.
Os encontros serão moderados por um psicólogo e terão como objectivo a partilha entre os pais.
Atempadamente anunciaremos as datas e as cidades de cada mês, bem como disponibilizaremos todas as informações sobre as inscrições.
Porque juntos somos mais fortes, porque juntos a caminhada torna-se mais fácil.
Contamos convosco.

 

encontros mensais.jpg

 

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Espaço de partilha com objectivo de diminuir a falta de informação técnica e emocional a mulheres que vivenciam o luto da perda de um bebé ao longo da gravidez, bem como quebrar o Pacto de Silêncio resultante de todo esse processo de luto na Perda Gestacional.
Envie a sua questão
Este consultório online é um espaço onde pode colocar as suas dúvidas no âmbito da Perda Gestacional. Este Consultório tem um carácter informativo e o acompanhamento médico especializado por parte dos leitores não deve ser descuidado.

E-mail: projectoartemis@sapo.pt

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Direcção APA
projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Em paralelo, acompanhou Manuela Pontes na Direcção da Artémis como Vice Presidente. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

Contacto:
Telefone:938633707
E-mail: projectoartemis@sapo.pt
Site: www.facebook.com/associacaoartemis

Orgão Sociais
Direcção:
Presidente - Sandra Cunha
Vice Presidente - Patrícia Vilas Boas
Secretária - Andreia Neves
Tesoureira - Susana Rodrigues
Vogal - Marco Jesus
Assembleia Geral:
Presidente - Anabela Costa
1ª Secretária - Vanessa Mack
2ª Secretária - Sílvia Melo
Conselho Fiscal:
Presidente - Ricardo Fortuna
Vogal - Mónica Cunha
Vogal - Manuel Vilas Boas
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