28.12.16

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O ano de 2016 foi marcado na Associação Projecto Artémis por três momentos que considero importantes, 3 conquistas, mesmo que uma delas ainda esteja por finalizar. Entregamos a petição e o processo foi decorrendo ao longo deste ano, em Junho lançamos a nossa campanha de sensibilização "A perda gestacional existe.. e tem rosto" que de alguma forma veio dar voz e rosto a tantos casais e bebés, e abrimos um novo núcleo em Lisboa (em parceria com a Clinica Spazzio Vita). Este foi um ano de muito trabalho "invisível", foi um ano que a equipa da A-PA trabalhou imenso, apesar de não ser visível aos olhos do público. Foi um ano intenso e muito gratificante. Todas as conquistas, por mais pequenas que sejam, são mérito de uma equipa coesa e unida, que dá de si de uma forma intensa e que me deixa um orgulho imenso.
Obrigada Patricia Vilas Boas, Susana Rodrigues, Andreia Neves, Marco Antonio de Jesus, Anabela Costa, Vanessa Mack, Silvia Melo, Ricardo Fortuna, Monica Aranha Cunha, Manuel Vilas Boas
A tod@s os nossos associados, leitores e seguidores, obrigada por estarem desse lado, por nos apoiarem, por fazerem fazer sentido esta nossa luta.
Desejo que tod@s tenham um 2017 fantástico, cheio de sonhos realizados e nunca, nunca deixem de acreditar que um dia o vosso sonho é realizado, nunca... nunca deixem de sorrir, mesmo que o vosso chão fuja não deixem de ir em busca do que vos faz feliz.
Que 2017 seja um ano de realizações.

Sandra Cunha
Presidente da Associação Projecto Artémis

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Olá a tod@s,

Depois de analisarmos com calma todas as intervenções dos diferentes deputados dos grupos parlamentares, vimos desta forma explicar o seguinte, nomeadamente à exma sra deputada do PSD e à Direcção Geral de Saúde, que foi quem teve a iniciativa de propor o dia do luto parental.
Sabem... nós pais de colo vazio fazemos parte dos pais que vivenciam luto parental, contudo, a existência do dia do luto parental e não do dia da perda gestacional vem mais uma vez fazer o que a sociedade teima em fazer... SILENCIAR a perda gestacional. Sabem nós queremos um dia só nosso, e sabem porquê? Porque só assim entendem que nós existimos, que os nossos filhos existiram.
Srs deputados conhecem alguém que perdeu um filho durante a gravidez? Não? Têm a certeza? Se calhar conhecem, mas não sabem. E sabem porquê? Porque compactuam com esta quase que obrigação de silêncio. Até quando vão ficar indiferentes? Até quando vão compactuar com o SNS e ignorar os nossos filhos?.
Como forma de oposição a tal proposta vimos solicitar mais uma vez o vosso apoio. Se considerarem que não faz sentido a proposta feita, façam correr ao máximo este post como forma de dizermos: Nós queremos o Dia de Sensibilização da Perda Gestacional.
Contamos convosco para parar definitivamente este silêncio em torno da Perda Gestacional

Sandra Cunha
Presidente da A-PA

 

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A presidente da A-PA, Sandra Cunha, deu uma entrevista à Vital Health onde se falou de perda gestacional e dos apoios que existem para os casais que perdem os seus filhos durante a gestação.

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 "Estima-se que cerca de 10% das gravidezes clinicamente identificadas terminem em perda gestacional, a grande maioria no primeiro trimestre. Em Portugal, este é ainda um tema tabu e uma situação desvalorizada por grande parte da sociedade. Com o objetivo de chamar a atenção para a problemática da perda gestacional no nosso país e para o "desrespeito por pais que perderam os filhos", a Associação Projecto Artémis (A-PA), que dá apoio a pais e mães que passam por uma perda gestacional, apresentou este ano ao Parlamento uma petição para a criação do Dia Nacional para a Sensibilização da Perda Gestacional. Em entrevista ao Vital Health, Sandra Cunha, presidente e psicóloga da A-PA, quebra o tabu em torno do tema da perda gestacional e fala-nos da dor dos pais que passam por este sofrimento.

 

Vital Health (VH) | O que é e com que objetivo foi criada a Associação Projecto Artémis?

 

Sandra Cunha (SC) | O Projecto Artémis é uma associação sem fins lucrativos, concebida e dada à luz em 5 de dezembro de 2005, e à qual foi conferida o Estatuto de Pessoa Coletiva de utilidade Pública. A A-PA tem por objetivo promover a prestação de cuidados de saúde materna, de âmbito físico e psicológico, nomeadamente por meio de aconselhamento e apoio clínico e psíquico, a mulheres vítimas de situações clínicas de aborto e/ou morte fetal e respetivos companheiros, bem como promover e fomentar a reabilitação e recuperação física e psicológica dessas mulheres e respectivos companheiros ou agregados familiares.

 

VH | Que repercussões a perda gestacional tem na vida da mulher e, também, na vida do casal?

 

SC | A mulher, após uma perda gestacional, vivencia uma miscelânea de sentimentos, que passam de imediato a negação do que está a acontecer, e depois culpa, tristeza, frustração, sentindo-se muitas vezes diminuída como mulher e mãe. Culpabiliza-se também por ter perdido aquele bebé, já que se sente como a figura de proteção, e que não conseguiu desempenhar essa função durante a gravidez. Sofre em silêncio, já que os outros muitas vezes não lhe permitem vivenciar o seu luto na sua plenitude e isola-se. Estes sentimentos vivenciados pela mulher levam, muitas vezes, ao afastamento do casal, principalmente se não existir uma comunicação aberta entre eles, já que os homens vivenciam a perda de uma forma diferente. A mulher tem uma necessidade imensa de falar sobre aquele bebé, enquanto os homens se remetem ao silêncio visto que por vezes consideram que falar sobre isso lhes causa uma maior dor e sofrimento.

 

VH | Que apoios podem ou devem as pessoas procurar para superar esta situação?

 

SC | Apesar de não existir, nas nossas instituições hospitalares, um apoio psicológico imediato e eficaz, os casais, quando percebem que não estão a vivenciar o seu luto de forma estruturada, deverão procurar ajuda psicológica.

 

VH | Segundo a experiência que tem tido junto de tantas mulheres, como é que são os momentos de vivência de uma nova gravidez, após uma perda gestacional? Um novo filho pode superar a dor da perda gestacional?

 

SC | Uma nova gravidez é muitas vezes vivenciada com um medo enorme, os níveis de ansiedade são elevados, sobretudo quando se aproxima o tempo de gestação no qual se perdeu o bebé anterior. Uma nova gravidez nunca poderá ser uma forma de superar a perda anterior. Contudo isto verifica-se muitas vezes, o que leva posteriormente a depressões pós parto, associadas ao facto de perceberem, após o nascimento, que aquele luto não foi superado com a chegada de um novo bebé. Pode amenizar a dor, mas nunca será uma forma de a eliminar.

 

VH | As mulheres e famílias que buscam apoio na Associação, fazem-no com que objetivo?

 

SC | O principal objetivo é poderem falar abertamente sobra a sua perda, sobre aquele filho que partiu antes de nascer. Na associação, e utilizando uma expressão muitas vezes proferida pelas próprias, “aqui fala-se a mesma linguagem”. Não há cobranças sobre o tempo para fazer o luto, não há juízos de valor, não há uma cobrança para se silenciar. Há companheirismo, há partilha de vivências e sentimentos, e há, acima de tudo, compreensão e respeito por aquele bebé.

 

VH | A perda gestacional ainda é vista como um tabu?

 

SC | Sem dúvida. Como tabu e com uma incompreensão e falta de respeito enorme.

 

VH | O protocolo hospitalar dita que só após a perda de três gestações, a gestante pode ser encaminhada para um estudo genético, a fim de perceber as causas que levam à perda gestacional. Qual a posição da Artémis sobre esta matéria?

 

SC | Um dos objetivos do Projecto Artémis é alterar este protocolo. Em muitos casos, se após uma primeira perda se fizesse uma avaliação genética, muitas perdas poderiam ser evitadas. É fundamental haver uma análise aos casais para se evitar as perdas de repetição.

 

VH | No seguimento de uma reunião com deputados, em maio de 2016, a Artémis elaborou um memorando de recomendações, no qual a discriminação de que estes pais se dizem alvo por parte do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é uma questão central. De que tipo de discriminação estamos a falar?

 

SC | Estes casais são muitas vezes confrontados com uma falta de sensibilidade por parte dos técnicos que os acompanham. Para além disso, estas mães são em muitas instituições hospitalares colocadas na mesma sala que parturientes, que bebés recém-nascidos. Isso causa uma dor imensa a estas mães. Por vezes, a mãe fica sozinha, não deixam que o pai esteja ao lado, o que seria fundamental durante todo este processo. Muitas vezes estes casais deparam-se com comentários tais como: “você não tinha aí nada, era só um embrião”. Mais do que falta de sensibilidade, trata-se de desumanização dos serviços. É fundamental que os técnicos sejam mais humanos. Não pretendemos que sofram com estes pais, não é o que se pede, mas que os respeitem e que respeitem que independentemente do tempo de gestação, para estes pais é o seu filho.

 

VH | Um dos objetivos da Artémis é a criação do Dia Nacional para a Sensibilização da Perda Gestacional, a ser comemorado a 15 de outubro. Qual o intuito da criação deste dia?

 

SC | A perda gestacional é vista na nossa sociedade como um tabu, é um tema do qual não se fala, e que muitas vezes a realidade das sequelas psicológicas e a dor pela qual estes casais passam não é conhecida da população em geral. Na maioria dos casos estes pais sofrem em silêncio. Um silêncio aterrador que se inicia no momento em que recebem a notícia da perda do seu bebé e permanece pelo silêncio a que a sociedade os obriga. Por isso, os objetivos da criação do Dia Nacional para a Sensibilização da Perda Gestacional são chamar a atenção para a problemática da perda gestacional no nosso país, conseguirmos que seja oficialmente reconhecida por todos como um problema real, honrar e celebrar a luta árdua que milhares de portuguesas enfrentam para dar à luz o seu filho, quebrar o tabu envolto na ignorância/ desconhecimento de um problema diário e dignificar o sofrimento e dar-lhe voz.

 

VH | Que conselho deixaria às famílias que acabaram de vivenciar a perda gestacional?

 

SC | Não se submetam ao silêncio que tanto vos “obrigam”. Procurem ajuda, falem sobre o vosso filho/a sempre que assim o entendam. Silenciar uma dor tão nossa não é o caminho para se fazer o luto.

 

VH | Há mais algum assunto que gostaria de destacar?

 

SC | A mudança de mentalidades é, neste momento, fundamental para se quebrar o silêncio em torno da perda gestacional. O primeiro passo é percebermos que foi um filho que estes pais perderam. Coisas tão simples como “perderam um filho” em vez de “a gravidez não correu bem”, “perderam um bebé” em vez de “perderam uma gestação”. São apenas vocábulos que podem fazer toda a diferença."
 

 

link do postPor projectoartemis, às 17:43  comentar

 
Espaço de partilha com objectivo de diminuir a falta de informação técnica e emocional a mulheres que vivenciam o luto da perda de um bebé ao longo da gravidez, bem como quebrar o Pacto de Silêncio resultante de todo esse processo de luto na Perda Gestacional.
Envie a sua questão
Este consultório online é um espaço onde pode colocar as suas dúvidas no âmbito da Perda Gestacional. Este Consultório tem um carácter informativo e o acompanhamento médico especializado por parte dos leitores não deve ser descuidado.

E-mail: projectoartemis@sapo.pt

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Direcção APA
projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Em paralelo, acompanhou Manuela Pontes na Direcção da Artémis como Vice Presidente. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

Contacto:
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Site: www.facebook.com/associacaoartemis

Orgão Sociais
Direcção:
Presidente - Sandra Cunha
Vice Presidente - Patrícia Vilas Boas
Secretária - Andreia Neves
Tesoureira - Susana Rodrigues
Vogal - Marco Jesus
Assembleia Geral:
Presidente - Anabela Costa
1ª Secretária - Vanessa Mack
2ª Secretária - Sílvia Melo
Conselho Fiscal:
Presidente - Ricardo Fortuna
Vogal - Mónica Cunha
Vogal - Manuel Vilas Boas
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