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 A evolução da Medicina, o desenvolvimento científico e tecnológico, aliados aos progressos sociais com melhorias significativas na educação e saúde das populações têm contribuído para reduzir os riscos da gravidez.

A gravidez que ocorre nos extremos da idade reprodutiva (adolescência e tardia), sempre esteve associada a mitos e diferenças culturais. Em algumas sociedades uma e outra situação enquadram-se no padrão reprodutivo normal da sociedade, para outras constituem-se como pouco recomendadas e sinónimos de risco e complicação.

 Nas últimas décadas temos assistido a um aumento considerável do número de gravidezes em mulheres com mais de 35 anos. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), há cada vez mais mulheres a serem mães depois dos 40. Em apenas uma década, o número de crianças cujas mães tinham mais de 40 anos aumentou 50,7%: em 1997 nasceram 2046 bebés e em 2007 esse número cresceu para 3083”.

 

Nos países industrializados a gravidez após os 35 anos tem aumentado de modo consistente com as consequentes implicações para a saúde da mulher e do feto, implicando novas preocupações e desafios não apenas para os futuros pais mas também para os profissionais de saúde.

As razões para este fenómeno são múltiplas. “A maternidade não é mais um destino, muitas mulheres hesitam em lhe dar corpo, por dificuldades na escolha do parceiro, interrupção profissional…” (Faria, 2001). O nascimento de um filho é cada vez mais resultado de um planeamento criterioso, inserido num projecto de vida, em que os pais procuram reunir as melhores condições para concretizarem o seu sonho de paternidade.

O adiamento da primeira gravidez para idades mais tardia deve-se a factores sociais, económicos e pessoais, entre os quais podemos destacar:

  • A crescente presença da mulher no mercado do trabalho e consequente preocupação com a formação académica e profissional, realização pessoal, investimento na carreira.
  • As dificuldades associadas ao mundo laboral, com o aumento da precariedade de emprego e diminuição da aplicação das regalias sociais relacionadas com a maternidade.
  • O casamento é adiado e quando acontece os casais pretendem assegurar a sua estabilidade económica e maturidade emocional antes de planearem o nascimento de um filho.
  • O desenvolvimento dos métodos contraceptivos e a sua difusão
  •  O avanço das técnicas de reprodução medicamente assistidas, tornaram possível a concretização de sonhos alimentados ao longo da vida, permitindo gravidezes com taxas de sucesso significativas, mesmo em idades consideradas muito avançadas, em oposição aos processos naturais do ciclo reprodutivo5.
  • Os problemas relacionados com a infertilidade e os tratamentos prolongados que lhe estão associados.
  • O aumento das taxas de divórcio, em alguns casos coincidente com a saída dos filhos de casa, pode provocar o “síndrome de ninho vazio” e o desejo de uma gravidez ocorre.

 

Segundo a FIGO ( Federação Internacional de Ginecologia e Obstericia) considera-se gravidez tardia a que ocorre após os 35 anos e constitui uma das actuais preocupações para os profissionais da saúde reprodutiva. Entretanto, alguns especialistas subdividem este grupo entre mulheres até 40 anos e com mais de 40 anos, por ser evidente o aumento do risco materno e perinatal ultrapassada a quarta década de vida da mulher. Dados de 2006 do DATASUS mostram um aumento de 7,9 para 9,6% de gestações neste período da vida. Em países desenvolvidos, a gestação em mulheres acima de 35 anos aumentou substancialmente, como nos Estados Unidos em 2005, em que 14,4% das gestações foram de mulheres acima de 35 anos. Nestes casos a maioria das mulheres que engravidam tardiamente, tem boas condições de saúde, são planeadas e desejadas e não é raro resultarem de reprodução assistida, consequência da redução da fertilidade que a idade representa. Nos países em desenvolvimento, a gravidez tardia associa-se frequentemente á multiparidade, em mães com início precoce da maternidade, e desde logo com maior risco obstétrico.

 

A gravidez após os 40 anos constitui-se com um risco especial porque surge numa fase do ciclo reprodutivo em que as capacidades da mulher estão em declínio e porque frequentemente coexistem nesta fase da vida problemas médicos durante a gravidez que contribuem para agravar o prognóstico.

  • As malformações congénitas, particularmente as trissomias, são responsáveis pelo aumento do número de abortamentos espontâneos e interrupções de gravidez com indicação médica. Este risco chega a 25% nas mulheres entre 35 e 40 anos e a 51% nas mulheres com mais de 40 anos.
  • O número de hospitalizações durante a gravidez pode triplicar, em consequência de patologia desenvolvida durante a gravidez. A hipertensão arterial é uma das causas mais frequentes e aquela que está relacionada com consequências maternas e fetais mais graves. O risco de diabetes também aumenta com a idade, chegando a ser seis vezes maior entre as mulheres com mais de 40 anos (Cleary-Goldman et al., 2005). O recurso ás técnicas de reprodução assistido relaciona-se com o aumento das gestações gemelares.
  • Complicações obstétricas como placenta prévia e descolamento prematuro da placenta também são mais frequentes entre as gestações tardias.
  • No que se refere ás complicações fetais destacam-se obesidade, parto pré-termo, ACIU e o baixo peso á nascença estão aumentados geralmente em consequência de patologia associada, como é o caso da diabetes, hipertensão, obesidade. O risco de mortalidade perinatal, e principalmente de óbito fetal, cresce com o aumento da idade materna e tem uma ascensão mais acentuada nas últimas semanas de gestação, muitas vezes levando à morte intrauterina de fetos viáveis.

As taxas de cesarianas nas gestações acima dos 35 e particularmente após os 40 anos podem chegar aos 70%. È frequente o insucesso das induções de trabalho de parto  ou distocias da sua evolução.

De um modo geral a gestação acima dos 40 anos está associada a maiores índices de morbilidade e mortalidades maternas, fetais e neo-natais, no entanto muitas gravidezes evoluem sem qualquer complicação.

link do postPor projectoartemis, às 19:24  comentar

 
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projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Em paralelo, acompanhou Manuela Pontes na Direcção da Artémis como Vice Presidente. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

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