28.7.17

A Claúdia quis partilhar connosco a sua história, uma história de perda, mas que ao contrário de tantas foi vivenciada com dignidade, respeito e num ambiente acolhedor. Se minimiza a dor? Não, mas que ajuda em todo o processo de luto sem dúvida.

Obrigada Claúdia pela partilha.

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"Relato de um parto por Interrupção Médica da Gravidez (IMG)

Perder um filho (que ainda carregamos no ventre) com dignidade e num ambiente acolhedor não devia ser um luxo mas um direito de todas as mulheres.

O Rafael viveu apenas 14 semanas e 5 dias na minha barriga. Nasceu e morreu no dia 22/7/2017, às 18:20, depois de um parto induzido e respeitado que durou o tempo de que precisámos... exactamente 9 horas. Sem pressas. Sem comentários depreciativos. Sem atitudes agressivas. Seguindo o protocolo de IMG por indução. Sim, é possível isto tudo acontecer ao mesmo tempo.

Às 12 semanas, na ecografia morfológica, levantaram-se suspeitas de malformações muito graves que foram depois confirmadas numa ecografia às 13 semanas. O resultado da BVC que fiz foi positivo para Trissomia 13. O meu bebé não poderia sobreviver. Soube que carregava um menino - que tanto queríamos para ficarmos com o desejado casalinho - no dia em que tive a confirmação de que não poderia vê-lo crescer. Noutras circunstâncias teria ficado tão feliz por saber que eras um rapaz...

Desde a última consulta com a minha OB (Drª Patrícia Teixeira) até à IMG passaram apenas 3 dias. A minha despedida já vinha a acontecer há uns dias porque sabia que, mesmo que não se confirmasse a T13, o meu bebé não teria qualquer hipótese de sobreviver devido às malformações cerebrais e cardíacas tão severas que já eram visíveis. E era ainda tão pequenino...

Numa 4f à tarde fiquei a saber que iria iniciar o protocolo de IMG no dia seguinte de manhã, no Sams, com a toma de três comprimidos cuja função é terminar o processo hormonal que sustenta a gravidez. Nessa noite despedi-me do meu bebé pela última vez. Em família, demos-lhe o nome de um anjo - Rafael - porque é isso que ele será sempre para nós.

Escrevi-lhe uma carta já de madrugada e chorei até não ter mais forças. Precisava daquele momento. Aquela era a última noite que sabia ter dois corações a bater dentro de mim. Dormi terrivelmente mal e no dia seguinte acordei cedo para ir ao hospital tomar os tais comprimidos.

A enfermeira que me recebeu perguntou-me se sabia o que ia tomar. Disse-lhe que sim e ela confirmou. Suspirou antes de me estender os comprimidos.... estava visivelmente triste com a situação. Foi nesse instante que lhe perguntei se podia ouvir o coração do meu bebé uma última vez. Ela ficou surpreendida com aquele meu pedido mas não fez qualquer comentário, foi buscar um doppler portátil e tentou mas "às 14 semanas e com aquele aparelho era muito difícil conseguir ouvir o coração". Agradeci-lhe todo o esforço e tomei os comprimidos. Um de cada vez. Regressaria no sábado às 8h para ser internada e fazer nascer o meu bebé.

Na 5f o dia foi incrivelmente triste e solitário. Na 6f estive o dia todo com uns amigos e o dia passou depressa. Sentia-me cansada porque dormia mal há duas semanas... 3, 4 horas por noite... com despertares de madrugada e insónias terríveis...

Antes de sair com os avós, onde iria passar o fim de semana, a minha filha de 8 anos deu-me um beijinho na barriga e disse " Adeus mano!" Senti-a triste e fiquei de lágrimas nos olhos mas nenhuma de nós deixou cair uma única lágrima nesta despedida. Na verdade, já tínhamos feito a nossa despedida com uma pintura linda na minha barriga, já tínhamos chorado juntas, já tínhamos falado sobre a realidade que é a morte de alguns bebés tão pequeninos, já tínhamos escolhido o nome daquele que seria o nosso anjo para sempre... a despedida já vinha a acontecer há uma semana. Acho que foi esse tempo que nos preparou para o que se seguiria.

Na noite de 6f recebi a visita da minha segunda doula - a minha querida Rita Leite Prudente (que me foi indicada pela primeira doula, a minha querida Cristina Cardigo), que teve a coragem de me acompanhar e apoiar no dia da IMG. Falámos os três juntos pela primeira vez: eu, ela e o meu marido. Já tínhamos falado com a minha OB na possibilidade de vermos o nosso bebé, de podermos ficar com uma recordação dele mas não sabíamos bem o que conseguiríamos fazer, tendo em conta que iria nascer com 14 semanas e 5 dias de gestação. Já sabia como iria decorrer a indução e isso deixava-me mais tranquila, por isso a Rita falou connosco sobre o processo de luto, que normalmente é vivido de forma muito diferente pela mãe e pelo pai... quis ouvir as nossas expectativas e sentir a forma como estávamos a viver aquela perda. Havia respeito entre os dois, apesar das nossas diferenças e isso deixou-a mais tranquila. Falámos novamente sobre o processo fisiológico do parto e sobre o processo mental do parto.... sobre a minha entrega para que o Rafael pudesse nascer... e partir. E não é fácil fazer nascer um bebé que sabemos não podermos levar para casa nos braços. É tão difícil...

Nessa noite deitei-me cedo. Estava muito cansada e precisava de descansar para poder aguentar as exigências físicas e psicológicas do dia seguinte.

No sábado acordámos cedo. Às 8h entrámos no hospital, subimos ao piso 4 (maternidade) e esperámos pela Rita e pela troca de turno da equipa. A minha OB veio ter connosco assim que nos viu. A sua presença foi muito importante para mim naquele dia. Quando a Rita chegou ainda esperámos que a Enfermeira-chefe autorizasse a sua entrada - porque normalmente só entra para o internamento um acompanhante - mas não houve problema nenhum. Aliás, a Dra Patrícia já sabia que eu iria estar acompanhada por uma doula sem ter levantado qualquer problema nem perguntado por que razão queria eu uma doula na minha situação... O quarto que nos reservaram era o último do corredor. Havia obras nesse dia e aquele era o sítio mais sossegado... ainda assim só me lembro de ouvir barulho de manhã... Depois de vestir a bata branca, a minha médica foi buscar-me ao quarto para o início da indução: a introdução de umas laminárias no colo do útero para uma dilatação mecânica progressiva. As laminárias - já me tinha explicado e voltou a explicar - eram uma pauzinhos de algas que incham com o muco cervical e desta forma vão dilatando o colo do útero. Eram 9:30

Quando me deitei na marquesa as lágrimas escorreram-me sem que pudesse controlá-las. Ninguém me disse para não chorar, que ia passar... deixaram-me chorar. Afinal era normal. A introdução das laminárias não é um processo doloroso mas é o início do final de uma etapa muito dura: a perda física de um bebé que ainda se carrega no ventre... a minha médica foi muito cuidadosa e esforçou-se para não me provocar mais sofrimento. Estou-lhe tão grata por isso...

Senti logo uma pressão no colo do útero mas não era propriamente dor. Segui de cadeira de rodas para o quarto. A enfermeira pôs-me um catéter na mão (as minhas veias do antebraço desapareceram naquele instante e ela não teve outra opção) e mediu-me a tensão. O meu ritmo cardíaco estava tão acelerado que ela me ofereceu um calmante. Eu aceitei. Estava, de facto, muito nervosa! E com medo. Tinha tanto medo... nunca tinha passado por um parto vaginal... nunca tinha sentido contracções na minha primeira gravidez... a minha filha nasceu por cesariana, devido a complicações no final da gravidez sem que eu tivesse entrado em trabalho de parto sequer. Passar por um parto para fazer nascer um bebé que não tinha hipótese de sobreviver era verdadeiramente assustador. Não sabia como o meu corpo ia reagir à indução... não sabia como eu ia reagir à dor provocada pelas contracções e por toda a situação da interrupção daquela gravidez tão desejada...

Esperámos no quarto cerca de três horas. Falámos sobre as mais variadas coisas, ouvimos música calma, recebi umas massagens da Rita para estimular o útero, outras para relaxar, o meu marido teve tempo de ir almoçar e a Rita também. Eu tinha já algumas dores constantes e muita sede. Lembro-me de ter sempre os lábios secos e imensa sede, mesmo depois de beber chá...

Eram 13h quando me levaram para retirar as laminárias. A minha médica não me conseguiu rebentar o saco porque tinha o "colo comprido"... acho que isso teria acelerado o processo mas aconteceu o que tinha de acontecer. Em seguida deram-me um comprimido sublingual para iniciar as contrações (Cytotec) e a enfermeira sugeriu pôr-me um frasco de petidina no soro. Explicou que o início das contracções provocadas pela medicação poderia ser muito rápido e doloroso e a medicação iria permitir-me descansar um pouco... o dia poderia ser longo... e eu aceitei. Disse-me também que com uma dilatação de 3, 4 dedos o meu bebé já conseguiria descer porque às 14 semanas ainda era muito pequenino. A enfermeira-chefe era muito simpática e até nos contou por que razão tinha feito a especialidade em saúde materna e obstetrícia e a dificuldade que ela tinha em lidar com situações de morte... como aquela que estava ali a assistir. Quando ela saiu, aproveitámos todos o efeito da petidina, e descansámos por uma ou duas horas... eu na cama, o meu marido no sofá e a Rita na poltrona. Não cheguei a adormecer verdadeiramente mas pude fechar os olhos e descansar. Não sei dizer exactamente quanto tempo se passou. Sei que as dores aumentavam mas mantinham-se constante na zona do colo do útero.

Eram 16h quando a enfermeira se foi despedir de nós ao quarto: o turno dela tinha acabado e eu não estava a perceber por que é que ela se ia embora... mas já tinham passado 8 horas desde que tínhamos entrado no hospital!

O enfermeiro-chefe do segundo turno era igualmente amoroso. Deu-me mais dois comprimidos Cytotec e perguntou-me como estavam as dores. Eu já sentia muitas dores mas não conseguia identificar um pico e um tempo de intervalo entre um novo pico, como a Rita me tinha explicado que era normal sentir. Tanto ele como eu concordámos que não seria necessária uma analgesia epidural e fiquei com um frasquinho de paracetamol.

A partir daqui já não consigo fazer um relato preciso do que se passou... sei que a certa altura senti um líquido a escorrer por entre as pernas, a médica veio e disse que era o saco que tinha rebentado espontaneamente com as contracções. Fez-me um toque (sempre com o cuidado de me tapar as pernas porque com ela entravam no quarto 3 ou 4 enfermeiros e sem nunca me provocar dor) mas ainda não sentia nada... o enfermeiro perguntou-me se conseguia levantar-me e andar um pouco. Levantei-me mas andar custava-me muito. Aliás, estar em pé custava-me muito. O João já tinha enchido a nossa bola de pilates e eu já tinha experimentado sentar-me em cima dela mas não me sentia confortável. Experimentei então ficar de joelhos no chão apoiada na bola mas quando baixei a cabeça fiquei tão mal-disposta que precisei de ir vomitar. Acabei por vomitar os comprimidos que ainda tinha debaixo da língua... a médica trouxe mais um comprimido... não sabia ao certo que quantidade eu tinha tomado e que quantidade tinha vomitado... de novo senti vontade de vomitar mas desta vez consegui tirar o comprimido antes de chegar à casa de banho! Vomitei apenas chá e sumo... não tinha conseguido comer a gelatina que entretanto me tinham trazido. A partir daqui as contracções tornaram-se muito intensas e a posição em que me sentia mais confortável era ajoelhada no chão, com os braços apoiados na cama. Os estores estavam semi-fechados há algumas horas e acho que a música que tínhamso levado continuava a tocar... não tenho total consciência do que se passava à minha volta mas sei que estivemos sempre sozinhos. Os enfermeiros só vinham ao quarto quando os chamávamos ou quando eram horas de nova toma de comprimidos. Aquele foi um tempo muito nosso, onde a Rita me pôde fazer massagens com uns óleos muito elogiados por quem entrava no quarto, um tempo onde puder beber um chá que vim a descobrir ser apenas delicioso durante o trabalho de parto, um tempo onde me senti segura e pude concentrar-me em fazer nascer o meu bebé pequenino de forma respeitada e humanizada...

Não sei que horas eram quando senti vontade de fazer cocó e pedi para chamar a médica. Ela veio logo e lembro-me de ouvir uma enfermeira dizer: "Então está de cócoras no chão?" mas ninguém respondeu. Disse que estava com receio de ir à casa de banho e expulsar o meu bebé na sanita. A médica observou-me e disse para ir à vontade, que ainda não tinha descido, para não estar preocupada. Fui à casa de banho às escuras e por lá fiquei ainda algum tempo mesmo depois de ter acabado de fazer cocó. Estar sentada na sanita era uma posição confortável e aliviava-me as dores. Não sei quanto tempo ali fiquei mas sei que quando saí regressei à minha posição confortável de joelhos no chão e cabeça apoiada na cama, ali no cantinho de costas para o meu marido e para a Rita, que apenas observavam. Lembro-me de ter muito frio e de me cobrirem com um cobertor. Lembro-me de sentir dores nas ancas quando a Rita me tocava nessa zona e no cóccix. Não sei quanto tempo ali estive mas só voltei a levantar-me quando senti um novo líquido quente a escorrer pelas pernas abaixo. Espreitei e vi que já não era só líquido amniótico, também havia sangue. Disse que estava a sangrar e nesse instante as contracções pararam. De um momento para o outro deixara de sentir dores. Não senti vontade de fazer força porque o meu bebé era tão pequenino que não fazia pressão nenhuma para nascer... Acho que ouvi a Rita dizer: "O teu bebé já passou" ou terei imaginado? A percepção do que se passava à minha volta não era de total consciência, como diria a Rita, estava num estado de “consciência alterada” muito própria da fase activa do trabalho de parto...

A médica e cinco ou seis enfermeiros entraram apressados no quarto... o meu marido deve ter dito algo que os assustou, não sei... a médica pediu-me para subir para a cama mas eu não parava de pingar e estava a sujar tudo com sangue... examinou-me e disse que o bebé já estava no canal vaginal. Estava mesmo a sair... levaram-me para o bloco de partos. O meu marido quis seguir comigo. A Rita ficou no quarto - muito feliz, soube depois, porque o João decidiu na altura, de forma espontânea, acompanhar-me até ao nascimento do nosso bebé.

Já no bloco de partos senti muito frio e custou-me olhar para aquelas luzes brancas. O enfermeiro que me acompanhava confirmou que aquela sala era, de facto, muito fria. O anestesista chegou e apresentou-se, disse que me ia pôr-me a dormir por 10 minutos. Havia alguma pressa na sala e a última coisa que senti foi algo suave e quentinho sair de dentro de mim... era o meu bebé que tinha nascido... que tinha morrido...

As lágrimas voltaram a escorrer e adormeci de mão dada com o João. Eram 18:20.

Tínhamos combinado com a Dra Patrícia fazer a impressão dos pezinhos mas ela não conseguiu... o nosso bebé era ainda muito pequenino. O João contou-me depois que ela saiu do bloco de partos para ir buscar um papel do hospital e poder fazer a impressão do perfil do nosso bebé (o papel que tínhamos levado não era o melhor). Também tirou uma fotografia que enviou logo por email ao João. Eu dormia. Sei que me foi feita uma curetagem muito ligeira porque a placenta nasceu quase toda. Sei que os meus níveis de oxigénio baixaram durante a sedação e que o anestesista usou uma bomba manual para estabilizar os apitos do monitor, mas nada que tivesse sido preocupante.

Acordei com a voz do enfermeiro-chefe que chamava o meu nome. Disse-me que tinha corrido tudo bem e que estava na sala da enfermaria. Olhei para um relógio pendurado na parede: eram quase 19h e perguntei-lhe a que horas tinha nascido o meu bebé. Ele disse-me que tinha nascido às 18h30 (mas no relatório da alta médica a hora indicada é 18h20). Pedi-lhe para ver a caixinha onde tinham posto o bebé e ele foi buscá-la. Já tinha falado com a Drª Patrícia sobre esta possibilidade e na altura quis vê-lo. Acho que era importante para mim fechar este ciclo de nascimento e morte... Tenho também uma fotografia tirada pela médica que ainda não vi. E tenho muitas outras recordações bonitas de momentos de despedida que fomos criando em família ao longo da última semana de vida do meu bebé.

O João chegou pouco tempo depois à sala onde eu estava e contou-me o que se tinha passado no bloco de partos. Quando saiu, entrou a Rita para se despedir de mim. Sorria e ao mesmo tempo tinha os olhos cheios de lágrimas. Como eu a compreendi... Estar feliz e triste ao mesmo tempo é uma sensação muito estranha mas legitíma.

Saí do recobro e ainda jantei uma sopa, fruta e a gelatina que não tinha conseguido comer à tarde. Queria tanto comer aquela gelatina vermelha! Sentia-me bem fisicamente. Sem dores. A Drª Patrícia veio ver-me e dar-me alta. Fiquei tão feliz por poder ir dormir a casa, na minha cama! Esta tinha sido uma possibilidade discutida na consulta de 4f mas era apenas uma possibilidade e não uma garantia...

Eram 21h quando saí do hospital pelo meu próprio pé. Nada no meu corpo me doía. Apenas o coração estava pequenino e muito triste... sair de uma maternidade de braços vazios é um sentimento indescritível.

Nessa noite deitei-me perto da meia-noite e dormi bem. Há duas semanas que não conseguia dormir uma noite inteira... Acordei 12 horas depois. Um novo dia começava. O primeiro dia depois da morte do meu pequeno anjo Rafael. Muitos dias se seguirão porque a vida continua o seu percurso. Nada lá fora mudou. Tudo continua como estava. Só eu é que estou diferente. Agora sou uma mãe de colo vazio. Vou ter de curar as feridas que sangram no meu coração e aprender a viver com a perda de um filho muito desejado. Todos os dias. Resta-me a esperança de um dia poder ter outra oportunidade para conhecer este ser especial que viveu tão pouco tempo dentro de  mim...  A esse bebé que fez parte da minha vida por tão poucas semanas (12 das quais em que fui incrivelmente feliz) deixo as últimas palavras deste relato já demasiado comprido:

“Meu querido Rafael,
Espero um dia, algures, poder encontrar-te outra vez para podermos terminar a história que desta vez ficou inacabada. Espero um dia poder tocar-te, abraçar-te, sentir o cheiro da tua pele e do teu cabelo. Espero poder ver-te sorrir e poder acolher as tuas lágrimas. Espero um dia poder fazer parte da tua vida, seja de que maneira for. E dizer-te cara a cara que te amo. Que te amei desde o dia em que sonhei poder carregar-te dentro de mim, muito antes de saber que te carregava mesmo dentro de mim!
A tua mamã Cláudia.”

                              

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projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Em paralelo, acompanhou Manuela Pontes na Direcção da Artémis como Vice Presidente. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

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