31.5.09

 

 

"A Oração da Serenidade” fala em “aceitar as coisas que não podemos modificar”. A aceitação não deve ser confundida com a indiferença. A aceitação deixa distinguir entre as coisas que podem e as que não podem ser mudadas. A indiferença paralisa a iniciativa. A aceitação libera a iniciativa, aliviando-a das cargas impossíveis. A aceitação é um acto do livre arbítrio, mas, para ser eficaz requer a coragem moral de se persistir apesar do problema imutável.

A aceitação liberta o aceitante, rompendo-lhe as cadeias da auto-piedade. Uma vez aceite o que não pode ser modificado, a pessoa fica livre para se empenhar em novas actividades."

 

“A Psicoterapia de grupo foi iniciada por (Joseph) Pratt em 1905 ao introduzir o sistema de “classes colectivas” numa sala de pacientes tuberculosos. A finalidade da terapia consistia em acelerar a recuperação física dos enfermos, mediante uma série de medidas sugestivas destinadas a que os enfermos compreendessem da melhor forma possível seu tratamento dentro de um clima de cooperação ou, melhor dizendo, de identificação”.

 

O processo de Luto pode ser considerado complicado quando o enlutado encontra dificuldades para aceitar as perdas físicas e/ou as perdas emocionais decorrentes da ausência física de um ente querido. Não há cura para o luto de uma mãe que perde um filho, mas pode haver terapia.

 

A terapia de grupo num processo de luto tem como objectivos facilitar a compreensão e a forma de enfrentar a realidade; facilitar a expressão de sentimentos; facilitar a adaptação a ausência sentida; promover condições para que o enlutado possa reinvestir de novo em projectos de vida.

A primazia deste tipo de terapia em grupo é "que toda a gente já passou pelo mesmo". É importante que as mães possam conversar, dividir com alguém os seus sentimentos, como a raiva, tristeza, o desânimo, a saudade, a culpa e a depressão, estes são os sentimentos mais comuns e previsíveis nesses casos. É importante também que as mães se permitam vivenciar todos esses sentimentos e saibam que o processo de luto leva algum tempo para ser elaborado.

 

No sentido de intervir neste processos de luto, o papel do/a terapeuta do grupo é de suma importância para ajudar a compreender melhor a dor, os sentimentos e as reacções, pois o processo do luto implica a cura de uma ferida que toda vez que é lembrada, a dor manifesta-se. As mães enlutadas necessitam de alguém que as ouça atentamente, de partilhar a sua dor e o seu sofrimento com a dor dos outros, falar sobre a perda, sobre a dor da morte, contar a sua história de vida. Também o apoio de entreajuda dos elementos do grupo, onde um do elementos com um luto mais antigo pode servir de apoio às mães com lutos mais recentes é de suma importância.

Devemos respeitá-las e procurar entender que o sofrimento é delas, nós apenas estamos presentes nesse momento tão doloroso, a ouvi-las sem tentar minimizar o sofrimento. Fazê-las perceber que alguém as entende e que está em sintonia com a sua dor. A perda continua pela vida toda, porém mais elaborada.

Durante as sessões de terapia as mães devem falar sem hesitação sobre o que lhes aconteceu, o que as assusta. O falar é terapêutico, evidencia que”esta mãe” não está sozinha. Muitas vezes as mães dizem as mesmas coisas, perguntam repetidamente sobre tudo, questionam-se constantemente. Tudo isto é normal num processo de luto.

 

"O vínculo não depende da existência física”, “Serão necessários meses, anos, para que a mente e a memória consigam entender o que o coração nunca esquece”, "Não se sente menos dor, mas aprende-se a viver com a saudade".

 

 

 

Dr.ª Isabel Santos, Psicóloga do núcleo de Braga da APA

 

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