24.6.09

 

Tive conhecimento da vossa associação pela internet e resolvi colocar-vos umas questões...para me ajudar.
Engravidei em Outubro de 2007 e no dia 29 de Janeiro de 2008 ocorreu o meu 1º acidente (perda gestacional) às 13 semanas.
Fui hospitalizada para a fazer a explusão....foi do pior que me podia acontecer,fui muito mal tratatada...os equipamentos do hospital não estavam nas condiçoes devidas,e entao sofri bastante.
 

Regressei a casa.
Fui acompanhada pelo meu medico de familia que me encaminhou para uma consulta de genetica ... mas não existia qualquer hipotese de ma formação genetica(o que foi comprovado com a analise ao feto)...e muito menos na minha e na familia do meu marido.
Encaminharam-me para a consulta pre concepcional...fiz analises....e nada, mas eu falei à medica que tenho um utero bicorno....mas disse que não haveria problema.
Chegou-se a conclusao de que o 1º aborto a maioria das mulheres passa por ele...entao resolvemos tentar de novo após luz verde do medico.
Engravidei novamente em  Julho de 2008.
A 2ª perda ocorre as 12/13 semanas a 8 de Outubro.
Desta vez nao fiz questao de nao ir para o mesmo hospital da 1ª vez...fui tratada de outra forma...nada a ver, atá fui anestesiada para fazer a curetagem.Apesar de ter expulso o feto por mim.
Apesar de ter corrido uma coisa fora do esperado por eles(hospital).Na altura que fiz a expulsão não estava com ninguem perto de mim e entao tive coragem de estar com o feto na mão.
Foi um mar de lagrimas no momento....mas ao contrario da 1ª vez...consigo ainda hoje falar do assunto.
Estranho mas ganhei tanta força depois disso que nem sei onde a tinha.
Desde essa altura tenho andado a ser acompanhada numa consulta de esterelidade.
Fiz uma ecografia vaginal,fiz analises,fiz com o meu marido um cariotipo-analise ao sangue.
Esta tudo bem.
O medico disse-nos que a causa dos abortos ocorrerem tao cedo não pode ser devido a minha ma formação uterina,pois se fosse teria de ocorrer mais tarde.
Ando a tomar vai fazer 2 meses o cartia(100mg), penso que sera para melhorar o fluxo sanguineo.
Mandou-me fazer nestes dois meses uma analise a progesterona...para ver se ovulava bem.
Ainda não sei o resultado destas ultimas analises.
Mas o que nos deu a entender na ultima consulta, é que nos vai dizer para avançarmos mais uma vez.
E o meu MEDO que não me deixa.
O que me intriga é que nao mandaram fazer nenhum espermograma ao meu marido,tem 38 anos.
E pelo que tenho andado a pesquisar com a idade a qualidade do espermatezoide vai sendo menor.
Não sei a onde recorrer,nao sei que fazer.
Fico com a ideia de que so à 3ª vez é que se vai fazer um estudo...pois é uma despesa para o estado.Não percebo,qual é a diferença fazer antes da 3ª vez...ou fazer à 3ª vez.
Evitava-se mais um sofrimento ao casal....isso não conta para o estado. Bolas que raiva eu tenho neste momento.
Desculpem o discurso ser tao longo.
Decerteza que têm qualquer coisa para me dizer para me poderem ajudar. Esqueci-me de referir tenho 30 anos neste momento, e sou do distrito de Aveiro.
Sem mais assunto de momento
Com um grande beijinho

Carla
 
Prezada Carla,
A sua mensagem é realmente difícil e dolorosa. A perda gestacional existe, é uma realidade atroz e cada vez mais presente nas nossas realidades.
O encaminhamento para estudo de um casal com abortamento de repetição realiza-se, infelizmente, apenas e só à 3ª perda. Existem protocolos hospitalares que definem esta prática, contra a qual os técnicos de saúde, explicito médicos, dificilmente irão. Apesar de encontrarmos uma amostra significativa de médicos que já optam pelo encaminhamento à 2ª perda.
Sobre este assunto, a posição da associação Projecto Artémis é clara, não nos parece uma conduta equilibrada, nem tão pouco que leve em conta a integridade emocional da mulher. Talvez, num futuro, possamos modificar mentalidades e formas de agir relativamente a este assunto.
Quanto à questão sobre o espermograma do marido, é um exame que procura determinar as características dos espermatozóides e alguns parâmetros físicos do sêmen.
Os parâmetros observados para a normalidade do esperma são:

A- Morfologia
B- Vitalidade
C- Mobilidade
D- Quantidade
 
Entre outros.
Pessoalmente, penso que seria um exame a levar em consideração. Poderá sempre sugerir ao seu médico a sua realização, se observar que não o fará por manifestação própria.
Fique bem
 
link do postPor projectoartemis, às 15:17  comentar

De elsa mendes a 3 de Julho de 2009 às 21:31
Eu tb passei e estou a passar pela mesma situação.
Tive 2 perdas gestacionais e na minha terceira gravidez nasceu o meu filho.
Passados 4 anos tentei ter o segundo filho e já sofri uma gravidez ectópica e outro aborto gestacional.
Eu e o meu marido fizemos tb todos esses exames, mas ele tb fez o espermograma, exame esse q foi o único q revelou anomalias. Comigo deu sempre tudo bem, e para ele foi um choque descobrir q posso ter passado por tudo isto, devido a um problema nele. Está a ser seguido por um Andrologista.

Carla, tente que o seu marido faça um. Pode ser aí o problema, e por mt q nos custe, é mais fácil resolver qdo o problema é detectado.

Desejo-vos mt sorte e q não tarda tenham o tão desejado filho.
Fico a torcer.
Beijinhos.
Elsa

 
Espaço de partilha com objectivo de diminuir a falta de informação técnica e emocional a mulheres que vivenciam o luto da perda de um bebé ao longo da gravidez, bem como quebrar o Pacto de Silêncio resultante de todo esse processo de luto na Perda Gestacional.
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projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Em paralelo, acompanhou Manuela Pontes na Direcção da Artémis como Vice Presidente. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

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