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    "A maternidade , o melhor que uma mulher pode vivenciar na vida.
    Andava com algumas dores na zona abdominal e o período atrasado, quando decidir fazer um teste de farmácia no dia 27/11/204.
    Cheguei a casa e ansiosa fiz o teste e apareceram 2 risquinhos ( fiquei feliz mas sem saber se o teste dizia mesmo a verdade...), visto não serem 100 % eficazes.
    A minha mãe chorou de alegria de imediato por perceber que iria ser avó...
    No dia seguinte fui á Maternidade ( MMB em Coimbra), fui ás urgências, fui observada e fiz uma eco. Confesso que estava super nervosa e com muita vontade que o resultado do teste fosse mesmo verdadeiro, e assim foi, na eco já se via o meu bebé, muito recente ( 5 semanas).         Fiquei super feliz e corei de alegria, pois naquele dia (28/11/2014) fazia 29 anos e esta foi a melhor prenda de todas , que alguma vez tinha recebido.
   Sai das urgências e mostrei a minha 1ª eco  á futura avó que ficou extremamente emocionada.
   Cheguei a casa e liguei o computador para falar com o meu pai que na altura estava na Suécia para lhe dar a boa nova , chorou de alegria.
   Tinha a certeza que a partir daquele momento a minha vida iria mudar para sempre, e mudou da pior maneira ....
    No dia 21/01/2015 lá fomos nós à 1ª  consulta , tudo era novidade ( 12 sem + 4 dias).
   Ao longo de todo a gravidez várias foram as ecos efectuadas.
    Recebo em casa uma carta para avisar que as próximas consultas iriam ser feitas na UIP ( Unidade de Intervenção Precoce), entrei em pânico, pensei que algo de errado estaria a acontecer, mas felizmente, eram só coisas da minha cabeça. Fui transferida para lá pois tenho epilepsia adquirida aos 13 anos e supostamente lá teria um acompanhamento mais adequado ao meu estado.
   No dia 13/03/2015 faço a 2ª eco ( 19 sem+6 dias)- chego para fazer a eco e o médico perguntou-me o que estaria ali a fazer, ao qual respondo que tinha de fazer uma eco nesta altura , visto ter uma gravidez de risco por ter epilepsia( o Dr.  responde-me num tom frio- mas a menina tem epilepsia é na cabeça , não é na barriga), engoli em seco , mas com uma vontade de lhe responder á altura, mas a gravidez tornou-me mais calma...
Neste dia descubro que ia ser mãe de uma linda princesa, ao qual o pai deu o nome de Beatriz( em homenagem á Bisavó) 😊
No dia 17/04/2015 faço a 3ª eco ( 24 sem+6 dias), tudo normal para a ID Gestacional.
No dia 22/05/2015 faço a 4ª eco ( 29 sem+6 dias ), continuava tudo normal e a minha pipoca já pesava 1718 gr 😊
No dia 10/07/2015 faço a 5ª eco ( 36 sem+6 dias) ,   pipoca já estava gorducha( 3829 gr e no per centil 90%) e nesta Eco tivemos uma presença especial do avô que tinha vindo da Suécia para ver e  assistir ao nascimento da neta.
   Durante todo este tempo de gravidez, tudo correu normalmente, mesmo sendo uma gravidez de risco, vivia intensamente cada dia, cada momento única de estar grávida... Tive direito a tudo, menos ao melhor de mim ☹
Houve barriga de gesso, houve sessão fotográfica na praia e no campo, houve eco no privado e eco 3D, enfim tudo aquilo que podemos fazer e que está ao nosso alcance para nos sentirmos ainda mais felizes nessa fase 😊
Vivi intensamente esta nova aventura que se avizinhava, mas com muita pena do meu namorado não puder acompanhar de perto isto comigo, visto ser camionista internacional e não estar muito por casa.
   No dia 17/07/2015 lá fui eu á consulta , ai com 37 sem+6 dias, faço o 1º registo , onde tenho ali comigo o meu pai , que chorou baba e ranho por ouvir o coração da neta 😊 , Sou observada pela médica e ela faz-me o Toque ( horrível, dores insuportáveis, quase não conseguia andar depois, visto ter a placenta muito alta ...)
   Chorei de dor, em toda a gravidez, aquelas foram as piores dores até aquele momento claro.Saí da consulta por volta das 12h , fui almoçar com o meu pai e fomos para casa.
   Por volta das 16h começo a sentir umas dores( já eram contracções), mas não tinha a certeza, tomei calmamente um banho e deitei-me um pouco.
   As dores foram piorando... fomos então para a maternidade, chego lá vou a WC e começo a ver o rolhão mucoso a sair, sou observada e ai já tenho 1,5 cm de dilatação, fico  logo internada no 2º piso, a emoção era mais visível que nunca, dali algumas horas teria a minha Beatriz nos braços.
   Por volta das 20h30 sou observada e já tinha 4,5 cm de dilatação e tive o rebentamento espontâneo das águas .
Volto para o quarto , faço um novo registo, tudo normal , mas as dores tornam-se cada vez mais fortes e por volta das 21h45  a minha colega de quarto chama o enfº, que vem acompanhado da médica,  que me observa e vêem que já estou com 7,5 cm de dilatação. Falo com o meu namorado e aviso que vou para a sala de partos, ele fica em êxtase...
    Vou então para a sala de partos e somente aí já com 8 cm de dilatação é-me administrada a epidural  .Por volta das 23h15 já estou acompanhada da minha mãe e nesse momento já teria os 10 cm de dilatação  e sem qualquer tipo de dor, visto a epidural já estar a fazer efeito, por volta da 00:25 começo a ver no ecrã que o batimento cardíaco da Beatriz começa a falhar , pedi á minha mãe que chamasse alguém.
    Lá vem então uma enfª que me diz " Ah é normal isto não captar, visto que tem de se virar de um lado para o outro e também visto ter uma ligeira gordurinha na barriga, mas não se preocupe que está tudo bem, continue a fazer força mais um pouco que ainda tem a placenta muito alta".
    E continuei, neste fado até ás 2h35 do dia 18/07/2015, tendo a minha mãe chamado mais 2X a enf pelo mesmo motivo( falha no batimento cardíaco).
    Farta disto e já quase sem forças, lá vem a equipa médica toda, mandam sair a minha mãe do quarto e literalmente saltam-me para cima da barriga  e dizem " faça força , está quase... ", não nascia, tentaram ventosa e também não resultou...
Vamos então para uma cesariana de urgência , adormecem-me á pressa.
    Acordo 2h30 depois e tinha uma enfª a segurar-me a mão, perguntei-lhe pela minha filha, ao qual me responde:" a Dra e a pediatra já vem falar consigo Ana".
   Pergunto novamente e ai aparece a dita Dra que se vira para mim e me diz da maneira mais fria possível " Sabe Ana houve uma complicação no parto e a Beatriz faleceu"....
NAQUELE MOMENTO MORRI ☹
Pedi para ver a minha filha , pois não queria acreditar,ao inicio foi-me negado esse direito, dizendo que era pior para mim, insisti e lá vem elas, com a minha filha embrulhada num lençol, cheirei-a, beijei-a, falei para ela e pedi-lhe que chorasse para mim , mas ela continuava a dormir.
Fiquei se forças ...
Passaram 14 meses e já ouvi de tudo... apenas posso dizer que DEIXEI DE VIVER PARA PASSAR A SOBREVIVER ☹
 
Patrícia Marques"
link do postPor projectoartemis, às 10:35  comentar

De MARIA a 27 de Setembro de 2016 às 10:46
INFELIZMENTE PASSEI POR UMA SITUAÇÃO PARECIDA, QUASE IGUAL!

SÓ GOSTARIA DE LHE MANDAR UM ABRAÇO GIGANTE, SEI O QUE SENTE POIS SINTO O MESMO.

SE A MINHA FILHA ESTIVESSE VIVA, TINHA A CERTEZA QUE ELA QUERIA QUE NÓS TODOS FOSSEMOS ACIMA DE TUDO FELIZES. ACREDITO QUE ALGURES NO CEU AS NOSSAS ESTRELINHAS ESTÃO A OLHAR PARA NÓS, LOGO TENTO VIVER TODOS OS DIAS COMO SE ELA ESTIVESSE PRESENTE E A VIGIAR TODOS OS MEUS PASSOS. QUERO QUE ELA SE SINTA ORGULHOSA DE MIM, E VIVO TODOS OS DIAS COM ISSO NA MINHA CABEÇA!

De Célia a 27 de Setembro de 2016 às 13:14
Nao existem palavras para confortar o seu sentimento....a sua angústia.
Beijinho para acalmar esse coração sofrido

 
Espaço de partilha com objectivo de diminuir a falta de informação técnica e emocional a mulheres que vivenciam o luto da perda de um bebé ao longo da gravidez, bem como quebrar o Pacto de Silêncio resultante de todo esse processo de luto na Perda Gestacional.
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projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Em paralelo, acompanhou Manuela Pontes na Direcção da Artémis como Vice Presidente. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

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