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Resultado de imagem para perda gestacional

Mais um testemunho de uma mãe, que perdeu o seu bebé no 1º trimestre de gravidez.

Obrigada Sofia.

"Gostava de partilhar convosco a minha história , ainda não é muito fácil para mim  falar pois é bastante recente.
Descobri que estava grávida pela minha 3ª vez, já tenho 2 filhos maravilhosos que me enchem as medidas mas por algum motivo Deus quis me presentear com um novo filho, não foi muito fácil aceitar um 3ª gravidez pois o meu filho mais novo tinha apenas 3 anos e era muito apegado a mim, não vou ser hipócrita e dizer que fiquei logo feliz pois não é verdade chorei bastante quando soube mas depois eu e o meu marido pensamos que realmente é porque tinha que ser assim já mentalizados e cada vez mais felizes estavamos novamente gravidos .
Achamos por bem esperar e confirmar se estava tudo bem antes de contar alguém , la fui eu à MJD de urgência confirmar a gravidez e o tempo que estava. E la estava eu novamente e o mais engraçado com o mesmo médico que me acompanhou na gravidez do meu filho mais novo e confirmava-se estava grávida o coração batia e eu radiante a ver aquele pequenino ser  estava com 6 semanas e uns dias lá me deram as vitaminas todas e marcaram-me a consulta para ser lá seguida visto que foi lá que tive os meus filhos.
E não sei porque decidi que ainda não o ia dizer a ninguém que estava grávida. Aproxima-se o dia dos avós e ia dizer aos avós nesse dia nem os meus filhos sabiam ia ser um surpresa para todos.
A meio da semana senti muitas dores no fundo da barriga nas costas mas deixei andar podia ser o meu corpo com algumas alterações. Um dia à noite fui ao shopping comprar umas calças visto que as minhas já era, já nem apertavam experimentei imensas e quando ia comprar as que gostei ia para a caixa e não sei porquê algo me disse que era melhor ir ao médico que algo não estava bem. Deixei ficar lá as calças e fui à urgência da MJD ver se estava tudo bem se aquelas dores eram normais. Quando sou chamada lá vou eu e claro fazem logo a eco para ver e vejo que o médico fez assim uma cara estranha pediu-me para esperar que ia chamar o chefe de urgência vem o chefe de urgência abana a minha barriga e num tom muito frio diz-me  infelizmente o seu feto esta sem batimento cardiaco vamos dar inicio ao protocolo para o explusar visto que não tem viabilidade naquele momento o meu chão caiu e eu fiquei sem reação não chorei apenas me arranjei e voltamos a falar sobre o protocolo .
Fui para o carro e liguei ao meu marido porque ele nem sabia que tinha lá ido porque estava no shopping. Quando lhe ligo a dizer nao aguentei chorei chorei chorei ate nao poder mais porque me aconteceu isto porque o que fiz de errado porque a mim ele do outro lado com uma voz muito meiga disse-me tem calma vem para casa tudo se resolve estou aqui para ti para te ajudar não chores mais.
Não foi fácil, nada fácil .
Como sou bastante teimosa decidi ir pesquisar à net e vi que algumas pessoas com 6 semanas não se consegue ver o batimento cardíaco, achei por bem pedir um segunda opinião e ver novamente se o meu bébé realmente não tinha batimento passei um noite horrível a chorar.
No dia a seguir à noite decidi ir à urgência do hospital São João e pedir outra opinião.
Quando lá entrei o meu coração ia tão, mas tão apertado que nem as palavras me saiam. Lá fiz a ficha e chamaram-me a Dra  Ana Sofia Fernandes muito meiga muito doce comigo. Contei-lhe o sucedido e a Dra muito meiga disse-me vamos lá ver como é. Mais uma vez o coração apertava cada vez mais, a Dra la me deu a triste notícia confirma-se minha querida não tem batimento mas vai ver que daqui a nada volta a ficar grávida e vai correr tudo bem ainda é tão nova.
Não aguentei e chorei como se não houvesse amanhã, o meu marido agarrado à minha mão suada apertava-me com força e lá demos início ao protocolo .
Vim para casa,  só daria início no sábado que era quando a Dra estava na urgência.
... lá fui eu no sábado de manhã ao hospital de São João cheia de medos porque não sabia o que ia fazer. A Dra chamou-me explicou-me tudo como era. Lá fui eu pôr os comprimidos na vagina e passado 48h voltava laá para ver como estava. Ia ter uma noite horrível pelo que ela me disse.
Viemos embora, ainda fui fazer umas compras só comecei a sangrar durante a noite e tive um noite mais ou menos com a saída de bastantes coágulos e eu a pensar que ja tinha expulsado. Passado 48h fui lá novamente e a Dra voltou a avaliar e ainda não tinha explusado nada eram apenas coágulos, voltou a pôr novamente outra dose de comprimidos e ia lá passado 72h .
Passei outra noite horrível com muita perda de sangue, não me sentia nada bem, o meu marido ainda queria ficar em casa comigo e eu disse que não valia a pena, infelizmente a meio da manhã tive que lhe ligar para vir a casa porque estava a sentir-me mal. Fui novamente à urgência e o embrião ainda não tinha saído, estava no caminho de saida por isso tinha tantas dores e perdia muito sangue. Deram-me lá uma medicação para as dores e alta quando estava para vir para casa desmaiei não sei o que me aconteceu nunca tinha desmaiado o meu marido ficou em pânico, quando acordei só vi a cara dele tão branca e a dar-me sapatadas na cara a chamar por mim, já rodeada de enfermeiros e a médica.Passado umas  boas horas vim embora.
Mais um noite a sofrer não pelas dores mas pela dor interior que tinha.
Quando fui para ser reavaliada novamente o embrião ainda não tinha saído e tinha que ir ao bloco... entrei em pânico naquele momento.
O meu marido só olhava para mim, apertava-me a mão e dizia-me estou aqui contigo.
Lá deram inicio ao processo para ir para o bloco, fui arranjar-me e infelizmente para mim fui parar à sala de expectantes... eu estava ali para fechar o meu processo de luto e aquelas mulheres para o melhor momento das suas vidas.
Chorei, chorei, não conseguia conter as lágrimas... lá fui eu para dentro e eu meu marido deu-me um beijo e um abraço tão apertado e disse que estou aqui à tua espera... amo-te .
Entrei para o bloco a chorar e as emfermeiras, anestesista diziam-me não chore isto vai já passar, é tão nova... daqui a nada está aqui novamemte para ter o seu bébé, e adormeci a chorar... o pior momento da minha vida ia acabar e não ia sofrer mais.
...acordo e já tenho o meu marido ao meu lado e a enfermeira a dizer que correu tudo bem.
Lá vou eu embora ao fim do dia ainda grogue .
O meu marido sempre preocupado comigo foi sem dúvida o meu grande apoio, pensei que tinha acabado mas infelizmente fiquei com anemia, ainda não estou a 100% à espera que isto tudo volte ao normal. Hoje ainda choro... não com a mesma intensidade mas choro... não consigo apagar esta dor .
Apesar de ter dois filhos maravilhosos que amo muito mas ainda hoje me faz confusão ver grávidas.
Fico à espera de estar bem e poder voltar a engravidar e espero que seja bem sucedida .
Beijinhos Sofia Pereira ❤"

link do postPor projectoartemis, às 11:45  comentar

De Vanda a 23 de Setembro de 2016 às 15:16
Olá Sofia,

Partilho a tua dor..
Também tenho 2 filhas, já grandinhas, e engravidei em Fevereiro, acabando por perder o meu bebé no final de Maio, faz hoje 4 meses que o perdi, ás 18 semanas.
Descobri numa consulta que o meu bebé estava sem batimentos cardíacos.
É sem duvida uma dor que só quem já passou pelo mesmo consegue avaliar...
Tento aliviar a minha dor falando com ele todos os dias...e choro, choro muito...
Um grande beijinho

 
Espaço de partilha com objectivo de diminuir a falta de informação técnica e emocional a mulheres que vivenciam o luto da perda de um bebé ao longo da gravidez, bem como quebrar o Pacto de Silêncio resultante de todo esse processo de luto na Perda Gestacional.
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projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Em paralelo, acompanhou Manuela Pontes na Direcção da Artémis como Vice Presidente. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

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