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A Artémis possui um forum em www.perdagestacional.forumeiros.com onde podem partilhar as vossas experiências, tirar dúvidas e ter apoio psicológico.

A Irene é o exemplo de como o nosso forum pode ser um apoio para todas.

 

"Sempre que alguém de "fora" toca no assunto, quase congelo... Não porque não queira falar da minha perda, da minha dor, mas sobretudo porque tenho medo de mais uma vez não ser compreendida...

Perdi o meu filho há sensivelmente 3 anos. Estava grávida de 38 semanas e antes de ter perdido o chão, tudo indicava que tinha chegado a hora de conhecer o meu pequeno rebento. Foi uma gravidez planeada em que tudo correu dentro da normalidade, sem grandes sustos ou preocupações. Nada, mas nada faria prever o que se veio a suceder. Ansiei para que o meu bebé nascesse de forma espontânea no dia 11 de Agosto. Um dia com significado importante e que, caso ele também quisesse, seria um dia de alegria duplicada! 
Nasceu precisamente no dia 11 de Agosto. Contudo, as lágrimas de alegria foram substituídas por lágrimas de profunda tristeza, as dores do parto foram ultrapassadas pela dor da alma e o meu colo que deveria estar cheio, permaneceu ainda mais vazio do que alguma vez poderei descrever. O Filipe nasceu adormecido, precisamente no mesmo dia do ano e à mesma hora que o meu irmão. Um bebé saudável que sucumbiu ao esforço de um parto em que uma placenta demasiado pequena não foi suficientemente eficaz para fornecer todo o aporte de oxigénio necessário. Ainda hoje, quando olho para trás, procuro respostas, muitas vezes onde não existem. Dói não poder vê-lo crescer e ter de imaginar incessantemente a cor do seu cabelo, dos seus olhos... Imaginar como seria o seu carácter, a sua personalidade. Não há nada que apague esta dor, tão incompreendida pela sociedade. O tempo não cura nada, mas ensina tanto...Passados 3 anos, a revolta não é tão intensa, mas a dor essa, permanece sempre.
 1 ano após o irmão, nasceu a minha pequena Inês. Não veio substituir nada, nem ninguém... Mas estaria a mentir se dissesse que não veio devolver grande parte do sorriso que perdi com a morte do Filipe. É a luz dos meus dias, a minha força maior, a razão pela qual luto sempre... por ela, por ele, por mim... Por razões tão distintas, são a razão pela qual ainda respiro. Devo-lhes tanto... Dão-me tanto, todos os dias. 
Esta é a minha história, muito resumida é certo. Mas espero que sirva de esperança para mães e futuras mães que infelizmente passam por esta dor. A dor dilacerante, que nos rasga o peito é, aos poucos, colmatada pela saudade. Os dias pesados começam a ser menos frequentes e substituídos por outros melhores. Cada pessoa tem o seu ritmo para recompor o que nos sobra após a perda, mas nada é impossível. 
A Artémis foi a minha primeira âncora após a perda do Filipe. Reconheci a minha história em tantas outras que ia lendo ao longo do tópico das perdas gestacionais do 3º trimestre. Percebi, que não estava só. Que existiam outras mães que sentiam exactamente tudo o que sentia. Senti-me totalmente compreendida e amparada. 
Agradeço muito! Ajudou muito...
 
Desta mãe que traz para sempre os seus filhos vivos no coração,
Irene Saragoça"

 

link do postPor projectoartemis, às 12:47  comentar

 
Espaço de partilha com objectivo de diminuir a falta de informação técnica e emocional a mulheres que vivenciam o luto da perda de um bebé ao longo da gravidez, bem como quebrar o Pacto de Silêncio resultante de todo esse processo de luto na Perda Gestacional.
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projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Em paralelo, acompanhou Manuela Pontes na Direcção da Artémis como Vice Presidente. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

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