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"O mano tinha ido para o Céu"

Domingo, 01.11.09

 

Eu gostaria de colocar a minha historia no blog.

Tenho 24 anos e já tenho uma filha de 5 anos. Na gravidez dela tive alguns problemas, descobri que tinha hipertensão crónica e aos 7 meses diabetes gestacional, por isso, tive uma gravidez de alto risco, mas acabou por correr tudo bem, embora a Débora tenha nascido às 33 semanas e tenha ficado internada quase 1 mês, mas graças a Deus correu tudo bem. Como ela já andava a pedir um irmão, resolvi que era uma boa altura para mandar vir um bebé e comecei os treinos em Outubro de 2008 e em Novembro abortei sem mesmo até saber que estava grávida, foi muito doloroso, mas não desisti e assim que passou todo aquele mau momento, no mês seguinte, em Dezembro, engravidei, fiquei muito feliz ,mas com algum medo e às 8 semanas o pior aconteceu, tive um aborto espontâneo,foi horrível ver o feto, pois na altura ocorreu em casa.

 

Mesmo assim nao desisti e esperei um mês até me recuperar e em Março soube que estava grávida, fiquei de novo feliz, mas com muito mais medo, levava a vida na casa de banho a ver se estava a sangrar ou não; até que às 13  semanas começei com alguns sangramento e fui fazer a eco das 13 semanas onde foi detectado feto morto, foi uma dor enorme parece que  eu ja presentia que algo nao estava mesmo bem.andei 3 dias com o feto morto dentro de mim, sentia uma revolta e no hospital ainda mais por ver a felicidade das grávidas e a minha tristeza é um vazio enorme, naquele momento desejei-lhes mal, mas aquela nao era eu a pensar, pois não sou essa pessoa, ao 3º dia começei com contracções fortíssimas, deitei-me no chão, pois nao tinha posiçao de estar, até que a bolsa rebentou e aí pedi ajuda ao meu marido que ali estava junto a mim; ele levou-me para a casa de banho e foi aí que eu vi o meu filhote, até jé tinha rosto, estava formado, mas sem vida... doeu muito,ainda bem que a  minha filha nao estava por perto, pois tinha ficado na casa de familiares, nao queria que ela assistisse a todo aquele acontecimento.

A  pior parte foi  contar-lhe que o mano tinha ido para o céu ,ela ficou tristíssima, mas abraçou-me disse para eu nao ficar triste pois um dia mais tarde eu mandava vir outro bebe, ela só tem 5 anos, mas é adulta para a idade que tem e precebe tudo.

Já passaram  quase 4 meses desde o último aborto e ela ainda me pede um irmao, mas neste momento acho que nao quero passar pelo mesmo, nao tenho suporte emocional para tal.

Estou a pensar para o ano 2010, enbora neste momento nao esteja a tomar nada para nao engravidar, mas tenho alguns cuidados. O que me valeu foi o apoio de alguns familiares e de amigos, foi muito importante para mim. Espero poder ajudar mais mulheres com a minha liçao de vida.

Beijinhos e força, um dia vamos conseguir.
 

Vânia Jardim

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publicado por Associação Projecto Artémis® às 11:10






Espaço de partilha com objectivo de diminuir a falta de informação técnica e emocional a mulheres que vivenciam o luto da perda de um bebé ao longo da gravidez, bem como quebrar o Pacto de Silêncio resultante de todo esse processo de luto na Perda Gestacional.


Direcção A-PA

projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

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