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A Associação Projecto Artémis ao longo destes 11 anos de existência tem-se deparado com vários tabus em torno da perda gestacional.

Um dos grandes tabus é a não identificação dos bebés por parte da sociedade, por parte de quem rodeia estes pais. Todos sabem que eles estavam grávidos, mas depois têm imensa dificuldade na aceitação do luto pela perda deste filho.

O nosso papel como associação passa pelo apoio a estes pais, mas também pela dignificação destas perdas e quebra de silêncio. Temos como objectivo informar a sociedade, abrir caminho no sentido destes pais serem mais respeitados, quer pelos outros, quer dentro das instituições hospitalares.

Assim sendo, este ano decidimos criar um vídeo que servirá de suporte à campanha de sensibilização para a perda gestacional.

A campanha tem o título: “A perda gestacional existe… e tem rosto”. Este título foi pensado com o intuito de fazer com que a sociedade pense sobre a Perda Gestacional, que reflita sobre o que estes pais passam e sofrem quase sempre em silêncio.

O rosto da perda não é muitas vezes visualizado, pois estes bebés não são vistos pelos outros, não são sentidos pelos outros, mas existiram. Então estes pais são o rosto destes bebés. Estes pais são o rosto do filho que os outros não viram.

Este vídeo foi realizado com a colaboração de alguns pais que quiseram dar a cara, que quiseram dizer, nós existimos, os nossos filhos existiram, não os ignorem. Esta é a mensagem principal desta campanha.

Para além de darem a cara, cada um deles quis deixar uma mensagem, quis de alguma forma dizer-vos o que foi para eles a perda dos seus filhos.

Muitos deles são o rosto, não de uma mas de várias perdas.

Estes são apenas uma minoria de pais que perderam, são um ligeira amostra de todos os que diariamente perdem filhos durante a gravidez. Todos os dias no nosso país há pais que mesmo sem um filho nos braços são pais, são pais de coração cheio mas de colo vazio. São pais de um filho “sem rosto” e que eles são o rosto daquele filho.

O vídeo foi realizado pelo nosso membro Ricardo Fortuna. A Associação colocou um anúncio a pedir que enviassem uma foto e que indicassem as datas das perdas e uma frase sobre o que sentem em relação à sua perda.

A música escolhida para o vídeo foi selecionada de forma a que passasse também ela uma mensagem sobre o que é perder alguém mas ao mesmo tempo que transmitisse uma mensagem de esperança.

O vídeo é da Responsabilidade da Associação, que mais uma vez contou para a sua elaboração com a boa vontade de todos os seus membros para que esta campanha se tornasse possível.

Todas as imagens do vídeo estão devidamente autorizadas pelos seus autores e pessoas que nelas aparecem, agradecendo desde já a sua disponibilização.

Queremos também agradecer à Cantora Mariza por toda a disponibilidade durante todo o processo de realização do vídeo, no que toca a questões relacionadas com a música usada.

Agradecemos também à editora Warner Music por ter cedido os seus direitos pro bono, atendendo à causa que está na base do vídeo.

Agradecemos também aos autores da letra e melodia Firmino AC e Tiago Machado que também se disponibilizaram a ceder gratuitamente os seus direitos para utilização da música.

À Sociedade Portuguesa de Autores estamos também gratos, por cobrarem um valor simbólico no registo de utilização da música relativo aos direitos de autor.

E sem esquecer um agradecimento enorme a todos os pais que disponibilizaram as suas fotos para darem a cara por tantos outros. E também ao nosso membro Ricardo Fortuna que fez toda a produção com imensa dedicação e sensibilidade.

Bem haja a todos.

 Vamos quebrar o silêncio, vamos dar voz a estes pais, vamos dar um rosto a estes bebés.

Apresentamos assim, a nossa campanha de sensibilização para a perda gestacional.

“A perda gestacional existe… e tem rosto” esperamos conseguir passar a mensagem com este vídeo.  Esperamos tocar os corações de todos aqueles que nunca perderam.

O vídeo está disponível na nossa página www.facebook.com/associacaoartemis 

 

 

 

 

 

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14.6.16

No dia 12 de Maio de 2016 a A-PA teve a audição prévia para a petição, na qual fomos ouvidos pela Deputada Marisabel Moutela (PS) e o deputado Carlos Matias (BE).

No seguimento dessa audição a A-PA enviou à comissão parlamentar o seguinte memorando de recomendações:

 

"Memorando de recomendações

Para: Exmo. Sr. Presidente da Assembleia da República e respectivos deputados

De: Associação Projecto Artémis

Data: 17 de Maio de 2016

Assunto: Recomendações sobre Acompanhamento Perda Gestacional

 

Exmos srs.

A Perda Gestacional é vista na nossa sociedade como um tabu, é um tema do qual não se fala, e que muitas vezes a realidade das sequelas psicológicas e a dor pela qual estes casais passam não é conhecida da população em geral. Na maioria dos casos estes pais sofrem em silêncio. Um silêncio aterrador que se inicia no momento em que recebem a notícia da perda do seu bebé e permanece pelo silêncio a que a sociedade os obriga. 

A Associação Projecto Artémis, é uma instituição sem fins lucrativos que tem como foco de trabalho o apoio a casais que perdem bebés durante a gestação.

É nossa missão:

- Chamar a atenção para a problemática da Perda Gestacional no nosso país. 
- Oficialmente, conseguirmos que seja reconhecida por todos como um problema real. 
- Honrar e celebrar a luta árdua que milhares de portuguesas enfrentam para dar à luz o seu filho. 

- Quebrar o tabu envolto na ignorância / desconhecimento de um problema diário .

- Dignificar o sofrimento e dar-lhe voz.

No nosso país as lacunas em torno da perda gestacional tem início desde logo nas instituições hospitalares e no sistema governamental onde estas instituições estão inseridas.

  

Ora vejamos:

  1. Os dados estatísticos existentes no que se refere às perdas até às 22 semanas de gestação (considerado clinicamente abortos espontâneos) estão inseridos no Relatório anual das complicações das interrupções da gravidez. Facto que consideramos que minimiza as perdas gestacionais, bem como que desrespeita estes pais que perderam os seus bebés sem vontade própria;
  2. Os dados estatísticos existentes em relação ás perdas gestacionais após as 22 semanas de gestação são dúbios. Os últimos existentes referem-se a 2015 e indicam 489 perdas gestacionais.
  3. Os pontos anteriores baseiam-se no registo efetuado pelos hospitais, quando no próprio relatório da Direção Geral de Saúde indica que nem todos os hospitais responderam quando lhes foi solicitado esses números.
  4. Nas nossas instituições hospitalares, em muitos casos, estas mães são internadas nas mesmas enfermarias/quartos que parturientes em situação de parto normal, são confrontadas com bebés recém nascidos durante todo o seu internamento, o que demonstra um total desrespeito por estas mães.
  5. No site do Sistema nacional de Saúde, o decreto de lei nº 113/2002 de 20 de Abril que se refere à Dispensa do certificado médico em caso de morte fetal, está inserido na legislação da Interrupção Voluntária da gravidez, o que nos leva mais uma vez à inclusão destas situações no local errado, mostrando a desvalorização sobre a perda gestacional
  6. Nas instituições hospitalares não é prática comum a disponibilização do serviço de psicologia a estes casais, muitas vezes o mesmo é apenas disponibilizado em casos de perda no 3º trimestre, e mesmo assim leva meses a verificar-se o início do acompanhamento.
  7. Nem sempre a notícia é dada a estes pais da forma mais humanizada, é em muitos casos, principalmente nas perdas de 1º trimestre, desvalorizada a perda deste bebé por parte dos técnicos de saúde, verbalizando inclusive em diversos casos frases desumanas o que cria revolta mais acentuada nestes pais.

  

Posto isto, e considerando que a A-PA para além do serviço que presta junto destes pais, tem como responsabilidade promover a melhoria no acompanhamento e sensibilização junto da sociedade em geral, identificamos as seguintes recomendações que consideramos que de alguma forma poderão ajudar a que estes pais tenham um melhor acompanhamento e que estas perdas sejam respeitadas e valorizadas como tal.

Recomendações:

  1. Existir dados estatísticos fidedignos, e um registo obrigatório por parte das instituições hospitalares em qualquer idade gestacional em que a perda ocorra
  2. Os números relativos às perdas não serem inseridos no Relatório anula de Complicações nas interrupções da gravidez, mas sim num relatório referente apenas às perdas gestacionais
  3. A legislação estar inserida no site do SNS num local associado à gravidez e não ás IVG
  4. Nas instituições hospitalares estas mães serem colocadas em quartos apenas com outras mães na mesma situação, quando necessitam de internamento
  5. Os técnicos de saúde serem sensibilizados para um acompanhamento e abordagem mais humanizada, independentemente da idade gestacional a que a perda ocorra
  6. Ser disponibilizado um acompanhamento do serviço de psicologia de forma mais regular e imediata a estes casais, independentemente da idade gestacional em que a perda ocorra

 

Estas são algumas recomendações que consideramos urgentes, e que será um primeiro passo para que estes casais possam vivenciar o seu luto com mais respeito e dignidade.

Acreditamos que esta é uma causa não só destes pais mas da sociedade em geral, assim sendo contamos com a sensibilidade de todos para quebrar o silêncio que teima em existir em torno da Perda Gestacional.

Atentamente,

A Direção da A-PA"

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9.6.16

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A Associação Projecto Artémis Irá lançar um vídeo promocional de sensibilização para a Perda gestacional.
A campanha intitula-se "A perda gestacional existe... e tem rosto".
A sua apresentação pública será feita num evento, que tem como objectivo falar sobre perda gestacional, procurar quebrar o silêncio mostrando que a perda gestacional existe.
Iremos apresentar ao público pela primeira vez o vídeo iremos usar como campanha de sensibilização.
O evento irá decorrer no auditório da Junta de freguesia da Sé - Braga, no dia 18 de Junho pelas 14:30.
O evento tem entrada gratuita, contudo devido aos lugares serem limitados é necessária inscrição pelo email rp.eventos.artemis@gmail.com

Contamos convosco. Juntem-se a nós.

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Espaço de partilha com objectivo de diminuir a falta de informação técnica e emocional a mulheres que vivenciam o luto da perda de um bebé ao longo da gravidez, bem como quebrar o Pacto de Silêncio resultante de todo esse processo de luto na Perda Gestacional.
Envie a sua questão
Este consultório online é um espaço onde pode colocar as suas dúvidas no âmbito da Perda Gestacional. Este Consultório tem um carácter informativo e o acompanhamento médico especializado por parte dos leitores não deve ser descuidado.

E-mail: projectoartemis@sapo.pt

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Direcção APA
projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Em paralelo, acompanhou Manuela Pontes na Direcção da Artémis como Vice Presidente. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

Contacto:
Telefone:938633707
E-mail: projectoartemis@sapo.pt
Site: www.facebook.com/associacaoartemis

Orgão Sociais
Direcção:
Presidente - Sandra Cunha
Vice Presidente - Patrícia Vilas Boas
Secretária - Andreia Neves
Tesoureira - Susana Rodrigues
Vogal - Marco Jesus
Assembleia Geral:
Presidente - Anabela Costa
1ª Secretária - Vanessa Mack
2ª Secretária - Sílvia Melo
Conselho Fiscal:
Presidente - Ricardo Fortuna
Vogal - Mónica Cunha
Vogal - Manuel Vilas Boas
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