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 "A decisão de engravidar foi totalmente planeada… entre o nosso trabalho atarefado e tudo o que envolvia a rotina cá em casa foi decidido que a partir de Abril de 2013, as portas do nosso coração estariam abertas para receber o nosso primeiro filho. Porquê Abril? Porque em Janeiro de 2014 terminaria um trabalho que exigia bastante de mim e também porque não queria correr o risco de ter um filhote a nascer perto do Natal (nunca gostei da ideia de aniversários no mês de Dezembro). Assim, contados 9 meses, Abril parecia perfeito para conceber um bebé!

Sempre achei que engravidar era a coisa mais fácil do mundo! É pelo menos esta a ideia que a nossa sociedade transmite aos jovens… e de facto não há ninguém que não conheça casos de bebés não planeados… os chamados “descuidos”. Mas connosco não foi assim! Os meses passaram e não existiam menstruações, nem ovulações, nem ciclos! Nada de nada… e é então que procuramos ajuda médica e ficamos a saber que tenho SOP. Engravidar só mesmo com ajuda… medicações para aqui, injeções para acolá e passados vários meses a estimular ovulações, eis que finalmente chega um positivo! De facto, foi um positivão pois a ecografia mostrou-nos 3 feijõezinhos que iriam mudar a nossa vida para sempre!

A gravidez foi evoluindo e às 11 semanas sofro de uma apendicite aguda, a qual nos obrigou a passar por uma cirurgia. Recompostos do susto, e ainda no hospital, uma embolia pulmonar decide visitar-nos! Felizmente, ultrapassamos esta etapa juntos e contra todas as expectativas sobrevivemos os 4!

A partir daqui, todos os cuidados eram poucos… muito repouso, a barriga crescia de dia para dia e os meus bebés também! Estavam tão grandes que às 24 semanas o meu corpo não aguentou mais e fez com que os meus bebés nascessem! Sem aviso prévio, não dei conta que estava a entrar em trabalho de parto e só me apercebi que iam nascer quando vejo a levarem-me para o bloco de partos. Aí sim cai na realidade e percebi que o fim estava próximo! A Carolina nasceu e nem se quer foi preciso fazer força! Ouvi um choro tipo gatinho a miar que jamais irei esquecer mas nem se quer a vi pois tinham de leva-la para a neonatologia. Passado 7h o Salvador decide nascer e foi o parto mais traumático de todos. Saiu da posição em que estava e eu não conseguia fazer com que ele nascesse. Teve de ser puxado mas não sobreviveu à violência do parto. Perguntaram-me se o queria ver e em pânico por ter ainda a Maria Clara na barriga disse que não! Queria a todo o custo mante-la o máximo de tempo possível dentro de mim para ver se as medicações para a maturação dos pulmões faziam efeito e ver o Salvador morto não iria ajudar a manter-me calma. No entanto, só a consegui manter dentro de mim por mais 13h. Quando vi que ia nascer implorei por uma cesariana pois não teria forças para passar por um 3º parto, ainda para mais porque o anterior tinha terminado muito mal. Disseram-me que não iriam fazer cesariana mas que estavam ali para me ajudar e que eu ia conseguir. E de facto consegui. A Maria Clara nasceu e seguiu diretamente para a neonatologia. E também eu fui levada para a enfermaria. Felizmente, tiveram o bom senso de não me colocar junto com as outras mães e seus bebés, e colocaram-me na enfermaria de obstetrícia. A noite passou e eu não consegui fechar os olhos. Queria ir ver as minhas meninas e ter a certeza que estavam bem, já que não podia fazer mais nada pelo menino. Assim que amanheceu ouvi passos que iam diretos ao meu quarto e quando olhei para o rosto daquelas pessoas percebi que não traziam boas notícias. A Maria Clara só tinha sobrevivido 9h e já não estava entre nós. Mais uma vez me perguntaram se queria vê-la, e estupidamente disse que não. Se não tinha visto o Salvador então também não iria vê-la! Não podia tratar os meus filhso de maneira diferente! A minha cabeça estava a mil e só descansei quando pude ver a Carolina. No entanto, quando entrei na neonatologia foi um choque pois embora já tivesse visto uma foto dela que o papá tinha tirado no dia anterior, não tinha noção que era tão pequenina. Tinha apenas 680g e cabia nas minhas mãos.

Passei 3 longos dias internada, onde podia visitar a minha pequenina sempre que quisesse. Mas eu só queria vir para casa. Achava que em casa, junto das minhas coisas e dos meus, que iria ser mais fácil de suportar tudo o que estava a viver. Mas estava tão enganada! Quando finalmente entrei em casa, sem barriga e sem bebés, cai na realidade e percebi que nunca mais nada seria igual.

A partir daqui, todos os dias íamos visitar a nossa pequenina e passado 1 semana colocaram-na nas minhas mãos dentro da incubadora. Parecia estar a evoluir bem embora toda a equipa fosse muito contida, tínhamos alguma esperança que tudo terminasse bem. No entanto, passado 2 dias percebemos que algo está errado. Mal entrámos na sala, já estava uma médica para falar connosco. Tinham detectado que a Carolina estava a perder sangue e era muito provável que se tratasse de uma hemorragia cerebral. No dia seguinte, o panorama estava pior e para além da hemorragia, a Carolina tinha também uma infeção nos intestinos e estava a ficar com a barriga negra. A médica disse então, estas palavras que jamais esquecerei: “esta situação não é compatível com a vida. Percebeu Mãe?”. Ainda hoje (passado 2 anos e uns meses) estas palavras fazem-me engolir em seco. Claramente tínhamos chegado ao fim da linha e o nosso sonho terminava ali. No dia seguinte, regressámos ao hospital e já não ouvi os aparelhos ligados à Carolina a fazerem o barulho do costume! Pensei: "já se foi e nem nos despedimos dela". Mas estava errada. Eles simplesmente tinham retirado o som dos equipamentos pois já não havia muito a fazer por ela. Disseram-nos que o fim estava muito próximo e que se quiséssemos poderíamos dar-lhe colo, pois podiam tira-la da incubadora. E assim foi! Esteve no meu colo não sei bem precisar o tempo, pois para mim ele parou! Pude ver todos os seus pormenores que nunca me tinha sido possível ver. Pude dar-lhe todo o amor possível, pude beija-la e pude despedir-me dela para sempre. Quando achei que era tempo de nos separarmos, assim o fiz. Entreguei-a aos cuidados das enfermeiras que garantiram que ela não iria sofrer pois estava medicada e vim embora pois não queria assistir à sua partida. Passado 1h ligaram-me a dizer que tudo tinha acabado.

Seguiu-se um mês terrível onde nada fazia sentido na minha vida. Não queria sair de casa e ter de me cruzar com as pessoas. Não me apetecia falar com ninguém nem fazer nada. Passei um mês inteiro a chorar e a reviver todo o pesadelo pelo qual passei. Uns dias revoltada, outros dias nostálgica, outro dias nem sei bem como. Até que passado um mês, e com a ajuda do meu companheiro de batalhas, decidi que tinha de sair do buraco onde me tinha enfiado. A vida tinha terminado para eles, mas por algum motivo eu tinha sobrevivido. Nada mais seria igual, mas tínhamos de andar para a frente. Uns dias melhores e outros piores. E assim foi. De facto, “nunca sabemos a força que temos, até que a única alternativa é ser forte”.

Decidimos que tínhamos de voltar a tentar outro bebé, pois embora ele não fosse substituir os 3 que perdemos, pelo menos iria dar um novo significado à nossa vida. Passado 5 meses da nossa perda, engravidei espontaneamente e entrei em 2015 com um bebé já na barriga. Uma gravidez onde não foi preciso recorrer a tratamentos mas que foi vivida com muito receio. Felizmente tudo correu bem e o meu rapazão veio ao mundo a 12.09.2015, devolvendo a alegria às nossas vidas.

Embora, me faltem 3 pedaços de mim, aprendi a viver com essa ausência e a amar com um céu de distância!

Obrigada Projecto Artémis pela dedicação a esta causa  e um abracinho apertado a todas as famílias que viram os seus bebés partirem cedo demais. 3 beijos do tamanho do mundo para os meus pequeninos.

Mamã Vânia"

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27.10.16

A Associação Projecto Artémis é composta por uma equipa de 11 elementos. Cada um está por razões diferentes na A-PA. Uns porque perderam e são movidos pela sua experiência de vida, outros nunca perderam mas defendem a casa como se fosse sua.

Esta é a equipa da A-PA e estas são as suas motivações:

 

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 "Entrei para a A-PA por questões profissionais, no meio do percurso passei a vestir a camisola, sentindo na pele a dor da perda de uma filha. Quando aqui cheguei vim e fiquei por solidariedade, porque era um tema tabu (e ainda o é) e para mim fazia imenso sentido Estar. Hoje não só estou como VIVO esta associação. Faz parte de mim, é mais do que uma causa, é a forma de dar o apoio que eu tive pela sorte de já estar inserida na instituição e nunca me senti sozinha e incompreendida.

Estou por mim, estou pela minha filha, estou com o objectivo de quebrar os silêncios que teimam em estar à volta da perda gestacional. Estou porque acredito que cada passo por mais pequeno que seja, se pode tornar gigante. Estou porque acredito que quem sonha faz acontecer. Um dia alguém sonhou, permitiu que eu estivesse e continuarei para continuar a fazer acontecer.

Sandra Cunha - Presidente da direção A-PA"

 

 

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"Para mim estar na Associação é perpetuar, tal como prometido, a memoria do meu filho! É abraçar uma causa pela qual visto a camisola, para ajudar outras mães que tal como eu precisei de ajuda aquando da minha perda. Aqui todos falamos a minha linguagem.

Patrícia Vilas Boas - Vice Presidente da A-PA"

 

 

 

 

 

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 "Sou Mãe de dois "Anjos". Foi na Associação Artemis que senti que a minha dor, a minha revolta, era compreendida.

Sou grata por me ajudarem a superar a revolta a culpa... a dor continuará para sempre! 

Estou na Associação para retribuir todo o apoio que recebi, estou não só pelos meus "Anjos" estou por todos os "Anjos", por todas as Mães Especiais.
" A Perda Gestacional existe... e tem rosto"
Eu sou um rosto da Perda Gestacional

Susana Rodrigues - Tesoureira da direção A-PA"

 

 

 

 

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"Ser mãe é um dom divino, Amar é sentimento sem explicação.

Estou e estarei no que me for permitido de coração, pelo amor e respeito a uma causa e uma dor silenciosa que muitos teimam em calar, por falta de força ou mesmo pela culpa ou vergonha de certa forma infundada mas em parte sentimentalmente justificada.

Vamos de coração dar força, coragem e com todo o respeito apoiar e ajudar.

Vamos dar voz e ajudar mães e pais que lutam num amor distante e silencioso.

Andreia Neves - Secretária da direção A-PA"

 

 

 

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" Estou na Associação porque tenho a mesma dor de muitos pais que perderam os seus filhos.

É importante também os pais se unirem, e fazerem-se ouvir.

Marco de Jesus - Vogal da Direção A-PA"

 

 

 

 

 

 

 

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"Estou na associação com dedicação pela causa nobre que representa e como retribuição do apoio recebido aquando das minhas perdas.

A Associação Projecto Artemis foi o meu porto de abrigo onde podia falar e ser compreendida por todos aqueles que já faziam parte dela.

Anabela Costa - Presidente Assembleia Geral A-PA"

 

 

 

 

 

 

 

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"Estou na associação porque faz tanto sentido para mim como respirar. Porque enquanto houver um amor, uma dor, uma recordação, um filho, tem de haver alguém a lutar por isso. A lutar por ele. A lutar pelo amor dos pais dele. Para que a sociedade entenda que o amor não se mede, e acima de tudo, para que a sociedade entenda que é possível amar com um céu de distância.

Vanessa Mack - Secretária Assembleia Geral A-PA"

 

 

 

 

 

 

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"Quando perdi o meu filho, a AP-A foi o meu "oxigénio". Todos os dias ia ao fórum e era a melhor altura do dia - SÓ ali era compreendida. Hoje quero dar o que um dia recebi, pois sei o quanto é importante.

A perda gestacional é totalmente desvalorizada por quem não a viveu na pele.

Sílvia Melo - Vogal Assembleia Geral A-PA"

 

 

 

 

 

 

 

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 "Estou na Associação para prestar algum apoio a esta causa tão nobre e que ao mesmo tempo é esquecida, rejeitada e mesmo negligenciada.

Uma mão amiga e um coração cheio para quem mais precisa.

Ricardo Fortuna - Presidente Conselho Fiscal A-PA"

 

 

 

 

 

 

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"Fazer parte da associação é algo que não se explica, SENTE-SE. Só lidando com estes pais de mente aberta e acolhendo o seu sofrimento podemos entender, mesmo que ficando longe o que sentem. Dar de nós, dar o nosso tempo é o mínimo que podemos fazer pela causa.

Mónica Cunha - Secretária Conselho Fiscal A-PA"

 

 

 

 

 

 

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"Porque não são só as mães que perdem os filho, nós pais também perdemos e é importante também nós darmos a cara.

É importante também nós lutarmos pela causa e pela instituição.

Manuel Vilas Boas - Vogal Conselho Fiscal A-PA"

 

 

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21.10.16

 

Um dos grandes tabus em torno da perda gestacional é a não identificação dos bebés por parte da sociedade, por parte de quem rodeia estes pais. Todos sabem que eles estavam grávidos, mas depois têm imensa dificuldade na aceitação do luto pela perda deste filho.
O rosto da perda não é muitas vezes visualizado, pois estes bebés não são vistos pelos outros, não são sentidos pelos outros, mas existiram. Então estes pais são o rosto destes bebés. Estes pais são o rosto do filho que os outros não viram.
Queremos agradecer à Cantora Mariza, à editora Warner Music,aos autores da letra e melodia Firmino AC e Tiago Machado que se disponibilizaram a ceder gratuitamente os seus direitos para utilização da música.
À Sociedade Portuguesa de Autores estamos também gratos, por cobrarem um valor simbólico no registo de utilização da música.
E sem esquecer um agradecimento enorme a todos os pais que disponibilizaram as suas fotos para darem a cara por tantos outros. E também ao nosso membro Ricardo Fortuna que fez toda a produção com imensa dedicação e sensibilidade.
Bem haja a todos.
Vamos quebrar o silêncio, vamos dar voz a estes pais, vamos dar um rosto a estes bebés.
Apresentamos assim, a nossa campanha de sensibilização para a perda gestacional.
“A perda gestacional existe… e tem rosto”

Copyright © 2016 Associação Projecto Artémis

Música:
Cantora Mariza
Editora Warner Music
Letra e melodia Firmino AC e Tiago Machado

 

 

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20.10.16

Olá a tod@s
A A-PA está neste momento a desenvolver um novo desafio de forma a podermos elaborar um dossier, com o objectivo de identificarmos diversos pontos no atendimento hospitalar nos casos de perda gestacional.
Tal como noutras situações contamos convosco.
Precisamos que nos enviem as informações de acordo com a imagem.
Contudo apenas poderemos considerar perdas ocorridas nos últimos 5 anos (desde Janeiro de 2011), bem como perdas ocorridas em território nacional.
Agradecemos, de forma a nos facilitar a organização da informação que indiquem as respostas indicando a alínea a que correspondem e por tópicos (não em texto "corrido")
Data limite de envio: 31 de Outubro de 2016

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17.10.16

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Por todas nós as que perderam um filho no ventre....escrevi este texto como homenagem.
 
"Aquele Outono chegou com sabor amargo e cheiro a leite...leite que corria do meu peito para te alimentar e que toda a chuva e todo o frio tiveram que secar. Dentro de nós ainda vive o desejo, a saudade e o vazio. Foi no final daquele malogrado Verão que tu partiste. Não cheguei a ver-te o rosto e nem a dar-te a mão, nem sequer cheguei a cheirar-te. Só o teu pai te teve nos braços e entre lágrimas e soluçoste beijou inúmeras vezes, poucas para aquelas que tinhamos há tanto planeadas...A tua vida esvaiu-se de nós e nós morremos contigo, um pouco. Parte de nós partiu contigo também... A dor é imensa, a saudade infinita e o nosso amor por ti é real, verdadeiro e presente, embora ainda não to possamos dar...pelo menos aqui na Terra... Anjinho de luz que nos deixaste, serás sempre a nossa eterna benção e por nós és recordado para todo o sempre...enquanto formos vivos...E depois disso...depois disso te reencontraremos e seremos os três eternamente felizes juntos...
Dos teus saudosos pais,
Isabella e Bruno"
 
 
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Ex.mos Senhores Associados da Associação Projecto Artémis:

 

Nos termos do Artigo 29, ponto 2b dos estatutos e demais legislação aplicável, convoco todos os associados da Associação Projecto Artémis, a reunirem em Assembleia Geral Ordinária, no próximo dia 22 de Outubro de 2016, pelas  14,30 horas na Sede da Associação, sita na Praça Paulo Vidal  Nº14, Lamaçães, 4700 Braga com os seguintes pontos:

 

1 - Apresentação e votação de alteração de estatutos da A-PA

2 – Formalização da Alteração da sede da A-PA

3 - Apresentação do novo regulamento interno da A-PA

4 - Apreciação e Votação do Orçamento para 2017

5 – Apreciação e votação do Plano de actividades para 2017

6 – Outros assuntos de interesse para a A-PA

 

Informam-se todos os associados que segundo o Artigo 31º, caso não estejam presentes à hora marcada a maioria dos sócios, a Assembleia reunirá uma hora depois com qualquer número de associados, deliberando validamente.

 

Braga, 14 de Outubro de 2016

 

A Presidente da Mesa da Assembleia Geral

 

Anabela Costa

 

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15.10.16

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Ao longo destes últimos 9 anos a associação tem vindo a lutar para que o dia 15 de Outubro seja reconhecido como o dia para a sensibilização da perda gestacional. Sinto (e quero muito acreditar) que este será o último ano que isto acontece. Iremos lutar, juntos, e mostrar a toda a sociedade que faz sentido. Mesmo assim, a associação celebra e marca o dia 15 como o vosso dia, o dia deles, dos vossos bebés.
É urgente que o silêncio se quebre, é urgente que nos façamos ouvir.
Hoje o dia será concerteza um dia igual a tantos outros para muitas pessoas, mas será também um dia que cada pai e mãe que viu o seu colo vazio, que viu o seu bebé partir cedo demais ouvir, pelo menos hoje, um "eu respeito a tua dor, eu respeito a tua saudade, eu sei que tu precisas do teu tempo, eu sei que tu amarás sempre o teu/tua filh@, eu estarei aqui sempre que quiseres falar..." gestos e palavras tão simples, mas que podem fazer toda a diferença.
Vamos pelo menos hoje refletir sobre a perda gestacional, vamos apenas hoje quebrar este estigma que existe em torno da perda gestacional. Porque se o fizerem apenas hoje, farão sempre, a partir de hoje.
A vocês pais e mães estaremos sempre deste lado, convosco, por vós, com eles e por eles. Juntos numa caminhada de esperança e companheirismo.

Sandra Cunha
Presidente da A-PA

 

 

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12.10.16

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"O Vicente foi um bebé muito desejado (como deveriam ser todos os bebés). A gravidez decorreu normalmente, excetuando um pequeno descolamento de placenta às 24 semanas. Repouso, nada de grave. A dpp era 22 de março de 2015. Nunca foi uma data ansiada por mim, nem o parto o foi: era um momento no qual me recusava a pensar. Às 38 semanas, o médico disse-me que o meu filho iria nascer no máximo dentro de uma semana. Aquela ideia assustou-me: não estava preparada para perder a minha barriga. Nesse dia, o médico começou a preparar o nascimento do Vicente: um toque para acelerar o processo de dilatação. No dia seguinte, muitas contrações e sai o rolhão mucoso. As contrações param. Uma semana depois, dia 18 de março, novo toque: a dilatação não evoluía. Voltei no dia 19, já com mala: não tinha evoluído, outro toque, vamos esperar... Dia 20, o nivel do liquido amniótico começou a baixar: o parto tinha de ser induzido. A médica que me observou disse que só voltaria a sair da maternidade com o meu filho nos braços... Enquanto esperava, o meu filho mexeu como nunca tinha mexido antes como que a dizer: "Mãe, vamos embora, vão-nos separar!!!" O dia 20 foi passado a induzir o parto, mas não havia evolução. À noite, uma tentativa para romper o saco das águas, rebentaram perto da meia noite. Muitas contrações mas a dilatação não evoluía. Dia 21, sábado, passaram-me para a sala de partos, oxitocina, dores mais fortes, bebé muito subido, epidural...até àquele momento, o Vicente tinha estado bem, quando encaixou, o batimento cardiaco tornou-se irregular. Os médicos mandaram sair o pai, tinha de ser feita uma cesariana rapidamente. Senti que havia muita preocupação e ouvia: "Este bebé tem de sair já!". Foi tudo muito rápido, a epidural ainda não tinha começado a fazer efeito e, por isso, quiseram-me adormecer. Não! Enquanto não visse que o meu filho estava bem, suportaria qualquer dor. Nasceu às 14h45, ouvi-o chorar, vi-o ao longe... ele tinha nascido bem e aí sim, permiti-me sentir as dores e pedi para me adormecerem. Acordei com uma voz que dizia: "O Vicente teve um problema, o Vicente teve um problema grave, O Vicente morreu..." Ainda atordoada achei que alguém tinha enlouquecido, e que esse alguém não era eu pois eu tinha-o visto, tinha-o ouvido, como é que agora me diziam que ele tinha morrido??!? Perguntaram-me se o queria ver, disse que não... não queria ver, não queria acreditar porque não podia ser verdade... Só me comecei a aperceber que alguma coisa tinha corrido mal quando o pai e a tia entraram a chorar. Pedi para ver o meu filho, como não o poderia ver?!?!? Trouxeram-mo embrulhado na fralda e na mantinha dele. Tão lindo, tão perfeitinho, tão pequenino... pedi-lhe para voltar para mim, vezes sem conta... Queria que ele abrisse os olhos e chorasse,

Pedi para ficar mais tempo com ele, não deixaram! Dei-lhe um beijo na testa, já a começar a ficar fria... é indescritivel a sensação de sentir a morte no nosso filho. Seguiram-se muitos papéis para assinar e muitas decisões para tomar: autópsia, funeral... quando a nossa cabeça bloqueou para o mundo exterior. A dor, a negação, a apatia e a revolta instalam-se. No meio daquela confusão, pedi uma fotografia do meu filho. A memória iria atraiçoar-me e eu não o poderia permitir... Os dias que se seguiram estão envoltos numa névoa- muita medicação, muita recusa, muita raiva: O que é que eu tinha feito de tão grave para merecer tamanho castigo? Na impossibilidade de atribuir culpas a alguém, atribui-as a mim e a Deus: a mim porque era mãe e tudo deveria ter feito para proteger o meu filho, a Deus porque ele me tinha tirado o meu filho, porque ele tinha permitido que aquilo tivesse acontecido... Queria sair dali, queria ir para casa... Saí daquela maternidade não com o meu filho nos braços como me tinha sido dito, saí completamente dilacerada... Voltei para casa, voltei para uma casa exatamente igual àquela que tinha deixado dias antes, mas nada voltaria a ser igual: tudo estava igual, mas jamais voltaria a ser igual... O funeral, a cremação, as cinzas... o continuar a ter o meu filho comigo, mesmo que fosse dentro de um potinho, mas ele estava ali, como sempre esteve desde o dia em que foi concebido. Separar-me dele era inconcebível, deixá-lo onde quer que fosse era impensável...

Os dias que se seguiram foram uma verdadeira experiência do nada, do vazio, do sem sentido... o arrumar as roupas de grávida, o cheirar e o sentir as coisas do meu filho que continuavam à espera dele e que ele nunca iria usar; o continuar a senti-lo mexer na minha barriga, o ouvir o choro dele tal como tinha ouvido quando ele tinha nascido... se aquilo não era estar à beira do desequilibrio total então já era o desequilibrio total... Os dias eram passados numa montanha russa de emoções: nuns dias chorava, noutros revoltava-me com o mundo, noutros deixava-me ficar sentada à espera que o tempo passasse porque tinha de passar... Cada dia era uma tentativa de sobreviver à dor e ao vazio que se tinham instalado em mim e me constituiam. Os dias passaram-se e a dor agudizava, a saudade aumentava, a incompreensão engolia-me e eu sentia-me a sufocar... O meu corpo permanecia vivo, a minha alma tinha morrido com o meu filho...
Volvidos 18 meses, a dor permanece, a saudade é um colosso, a falta que ele me faz rasga-me as entranhas, mas mesmo assim tenho de continuar a viver... Aprendi a viver sem uma parte de mim, sem a melhor parte de mim... Aprendi a sentir e a reconhecer o meu filho nos sinais que me dá, no amor que nos une e que me faz sentir que, apesar de tudo, não foi um adeus, foi um até já... Aprendi a perceber que o meu filho continua vivo em mim pois enquanto houver vida em mim, ele viverá...
 
Cátia Freitas"
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7.10.16

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 O mês de Outubro é o mês de sensibilização para a Perda Gestacional e Neonatal. A Associação Projecto Artémis tem neste momento uma petição entregue na Assembleia da República que aguarda agendamento para votação em plenário, com o objectivo de tornar o dia 15 de Outubro o Dia Nacional para  a Sensibilização da Perda Gestacional.

Estes casais que perdem os seus bebés precisam do respeito de todos, precisam de se sentir apoiados, precisam de cuidados nas insttuições hospitalares que reflitam respeito pela sua dor.

A sociedade precisa de entender o caminho que é feito por estes casais depois de perderem o seu bebé. É a perda de sonhos, de projectos de vida, é a perda de um pedaço deles.

Porque a sensibilização é da repsonsabilidade de todos, contamos com a vossa colaboração na quebra do silêncio que teima em estar ao redor da Perda Gestacional.

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Espaço de partilha com objectivo de diminuir a falta de informação técnica e emocional a mulheres que vivenciam o luto da perda de um bebé ao longo da gravidez, bem como quebrar o Pacto de Silêncio resultante de todo esse processo de luto na Perda Gestacional.
Envie a sua questão
Este consultório online é um espaço onde pode colocar as suas dúvidas no âmbito da Perda Gestacional. Este Consultório tem um carácter informativo e o acompanhamento médico especializado por parte dos leitores não deve ser descuidado.

E-mail: projectoartemis@sapo.pt

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Direcção APA
projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Em paralelo, acompanhou Manuela Pontes na Direcção da Artémis como Vice Presidente. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

Contacto:
Telefone:938633707
E-mail: projectoartemis@sapo.pt
Site: www.facebook.com/associacaoartemis

Orgão Sociais
Direcção:
Presidente - Sandra Cunha
Vice Presidente - Patrícia Vilas Boas
Secretária - Andreia Neves
Tesoureira - Susana Rodrigues
Vogal - Marco Jesus
Assembleia Geral:
Presidente - Anabela Costa
1ª Secretária - Vanessa Mack
2ª Secretária - Sílvia Melo
Conselho Fiscal:
Presidente - Ricardo Fortuna
Vogal - Mónica Cunha
Vogal - Manuel Vilas Boas
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