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Gravidez após os 40: desafio ou risco?

Sábado, 04.02.17

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 A evolução da Medicina, o desenvolvimento científico e tecnológico, aliados aos progressos sociais com melhorias significativas na educação e saúde das populações têm contribuído para reduzir os riscos da gravidez.

A gravidez que ocorre nos extremos da idade reprodutiva (adolescência e tardia), sempre esteve associada a mitos e diferenças culturais. Em algumas sociedades uma e outra situação enquadram-se no padrão reprodutivo normal da sociedade, para outras constituem-se como pouco recomendadas e sinónimos de risco e complicação.

 Nas últimas décadas temos assistido a um aumento considerável do número de gravidezes em mulheres com mais de 35 anos. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), há cada vez mais mulheres a serem mães depois dos 40. Em apenas uma década, o número de crianças cujas mães tinham mais de 40 anos aumentou 50,7%: em 1997 nasceram 2046 bebés e em 2007 esse número cresceu para 3083”.

 

Nos países industrializados a gravidez após os 35 anos tem aumentado de modo consistente com as consequentes implicações para a saúde da mulher e do feto, implicando novas preocupações e desafios não apenas para os futuros pais mas também para os profissionais de saúde.

As razões para este fenómeno são múltiplas. “A maternidade não é mais um destino, muitas mulheres hesitam em lhe dar corpo, por dificuldades na escolha do parceiro, interrupção profissional…” (Faria, 2001). O nascimento de um filho é cada vez mais resultado de um planeamento criterioso, inserido num projecto de vida, em que os pais procuram reunir as melhores condições para concretizarem o seu sonho de paternidade.

O adiamento da primeira gravidez para idades mais tardia deve-se a factores sociais, económicos e pessoais, entre os quais podemos destacar:

  • A crescente presença da mulher no mercado do trabalho e consequente preocupação com a formação académica e profissional, realização pessoal, investimento na carreira.
  • As dificuldades associadas ao mundo laboral, com o aumento da precariedade de emprego e diminuição da aplicação das regalias sociais relacionadas com a maternidade.
  • O casamento é adiado e quando acontece os casais pretendem assegurar a sua estabilidade económica e maturidade emocional antes de planearem o nascimento de um filho.
  • O desenvolvimento dos métodos contraceptivos e a sua difusão
  •  O avanço das técnicas de reprodução medicamente assistidas, tornaram possível a concretização de sonhos alimentados ao longo da vida, permitindo gravidezes com taxas de sucesso significativas, mesmo em idades consideradas muito avançadas, em oposição aos processos naturais do ciclo reprodutivo5.
  • Os problemas relacionados com a infertilidade e os tratamentos prolongados que lhe estão associados.
  • O aumento das taxas de divórcio, em alguns casos coincidente com a saída dos filhos de casa, pode provocar o “síndrome de ninho vazio” e o desejo de uma gravidez ocorre.

 

Segundo a FIGO ( Federação Internacional de Ginecologia e Obstericia) considera-se gravidez tardia a que ocorre após os 35 anos e constitui uma das actuais preocupações para os profissionais da saúde reprodutiva. Entretanto, alguns especialistas subdividem este grupo entre mulheres até 40 anos e com mais de 40 anos, por ser evidente o aumento do risco materno e perinatal ultrapassada a quarta década de vida da mulher. Dados de 2006 do DATASUS mostram um aumento de 7,9 para 9,6% de gestações neste período da vida. Em países desenvolvidos, a gestação em mulheres acima de 35 anos aumentou substancialmente, como nos Estados Unidos em 2005, em que 14,4% das gestações foram de mulheres acima de 35 anos. Nestes casos a maioria das mulheres que engravidam tardiamente, tem boas condições de saúde, são planeadas e desejadas e não é raro resultarem de reprodução assistida, consequência da redução da fertilidade que a idade representa. Nos países em desenvolvimento, a gravidez tardia associa-se frequentemente á multiparidade, em mães com início precoce da maternidade, e desde logo com maior risco obstétrico.

 

A gravidez após os 40 anos constitui-se com um risco especial porque surge numa fase do ciclo reprodutivo em que as capacidades da mulher estão em declínio e porque frequentemente coexistem nesta fase da vida problemas médicos durante a gravidez que contribuem para agravar o prognóstico.

  • As malformações congénitas, particularmente as trissomias, são responsáveis pelo aumento do número de abortamentos espontâneos e interrupções de gravidez com indicação médica. Este risco chega a 25% nas mulheres entre 35 e 40 anos e a 51% nas mulheres com mais de 40 anos.
  • O número de hospitalizações durante a gravidez pode triplicar, em consequência de patologia desenvolvida durante a gravidez. A hipertensão arterial é uma das causas mais frequentes e aquela que está relacionada com consequências maternas e fetais mais graves. O risco de diabetes também aumenta com a idade, chegando a ser seis vezes maior entre as mulheres com mais de 40 anos (Cleary-Goldman et al., 2005). O recurso ás técnicas de reprodução assistido relaciona-se com o aumento das gestações gemelares.
  • Complicações obstétricas como placenta prévia e descolamento prematuro da placenta também são mais frequentes entre as gestações tardias.
  • No que se refere ás complicações fetais destacam-se obesidade, parto pré-termo, ACIU e o baixo peso á nascença estão aumentados geralmente em consequência de patologia associada, como é o caso da diabetes, hipertensão, obesidade. O risco de mortalidade perinatal, e principalmente de óbito fetal, cresce com o aumento da idade materna e tem uma ascensão mais acentuada nas últimas semanas de gestação, muitas vezes levando à morte intrauterina de fetos viáveis.

As taxas de cesarianas nas gestações acima dos 35 e particularmente após os 40 anos podem chegar aos 70%. È frequente o insucesso das induções de trabalho de parto  ou distocias da sua evolução.

De um modo geral a gestação acima dos 40 anos está associada a maiores índices de morbilidade e mortalidades maternas, fetais e neo-natais, no entanto muitas gravidezes evoluem sem qualquer complicação.

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publicado por Associação Projecto Artémis® às 19:24






Espaço de partilha com objectivo de diminuir a falta de informação técnica e emocional a mulheres que vivenciam o luto da perda de um bebé ao longo da gravidez, bem como quebrar o Pacto de Silêncio resultante de todo esse processo de luto na Perda Gestacional.


Direcção A-PA

projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

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