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Aos Profissionais de Saúde

Segunda-feira, 13.07.09

 

 

No dia 17 de Maio de 2009 dei entrada no serviço de atendimento permanente do hospital. No dia 17 de Maio de 2009 perdi a minha única filha, a minha menina com 37 semanas e 3 dias de gestação e quase perdia a minha própria vida. No dia 17 de Maio de 2009 sofri uma ruptura uterina e posso não vir a ter mais filhos.
Dei entrada pela primeira vez por volta das 4 horas da madrugada com muitas dores abdominais. Fui atendida por uma médica que me fez o CTG e toque e verificou que não me encontrava em trabalho de parto mas que, apesar das minhas queixas e de ter vomitado ainda durante a consulta, me mandou para casa depois de ter perguntado ao meu marido se eu era piegas. Não culpo essa médica por aquilo que aconteceu pois não era previsível nem diagnosticável por qualquer exame, nem a culpo porque também eu achei que tivesse tido uma paragem de digestão… mas eu não sou médica. 

Decidi enviar a minha história como forma de alertar todos os médicos para que sejam mais cautelosos e dêem importância a todos os sintomas que possam ter as mulheres grávidas. Não façam juízos de valor porque nem todas as mulheres são piegas.
Talvez se a médica me tivesse mantido mais tempo em observação a história pudesse ter outro final, talvez tivesse percebido que a minha bebé estava em sofrimento e eu também, talvez eu não corresse risco de vida e tivesse agora a minha filha ao colo… mas talvez acontecesse tudo da mesma forma. Não sei, nem nunca irei saber e por isso nunca tive intenções de fazer qualquer queixa apesar de muita gente me dizer para o fazer e por isso também não a identifico a médica que me atendeu naquela madrugada.
O meu regresso a este hospital deu-se por volta das 12 horas do mesmo dia, sugerido pela Dr.ª Ana Paula Valentim que, num dia que deveria ser de descanso, apenas passou pelo hospital para ver umas parturientes. Quando lá cheguei quase não me mexia de tantas dores e hoje posso dizer que talvez tivesse sido o destino que enviou a Dr.ª Ana Paula naquele dia. Contra a opinião de outros médicos a Dr.ª decidiu fazer-me cesariana, o que me salvou a vida. A ela agradeço a minha vida e tudo o que fez por mim e que sei que faria para salvar a minha menina se o pudesse ter feito.
Agradeço também às enfermeiras que me deram muito apoio, especialmente a Enfermeira Rosa, agradeço ao anestesista que foi extraordinário mas que não cheguei a saber o nome apenas percebi que não é português devido ao seu sotaque e agradeço a toda a equipa médica que não teve uma vida muito fácil naquele dia.
Também gostaria de fazer um pedido, gostaria que divulgassem no Hospital uma Associação que me tem ajudado neste período tão doloroso, a “Artémis” e que pode vir a ser útil para aliviar o sofrimento de outras mulheres. Esta é uma Associação que ajuda as mulheres e seus familiares que passam por uma perda gestacional, seja ela aborto ou morte fetal. Nesta Associação todos falam a mesma Língua e partilham a mesma dor. O site é: http://www.associacaoartemis.com e o fórum é http://perdagestacional.forumeiros.com.
Obrigado,

Vanda Serrano

 

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publicado por Associação Projecto Artémis® às 20:59


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Espaço de partilha com objectivo de diminuir a falta de informação técnica e emocional a mulheres que vivenciam o luto da perda de um bebé ao longo da gravidez, bem como quebrar o Pacto de Silêncio resultante de todo esse processo de luto na Perda Gestacional.

Direcção A-PA

projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Em paralelo, acompanhou Manuela Pontes na Direcção da Artémis como Vice Presidente. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

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