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"Dói o corpo e dói a alma" - Testemunho Ana Ferreira

Quinta-feira, 22.06.17

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"O aborto é um tema sensível. Tabu. Algumas mulheres até nem se apercebem que passaram por isso, porque muitos acontecem as 3 ou 4 semanas... Especializei me no assunto... infelizmente. Em 6 meses tive 2. 2 num grau avançado de sofrimento. Este segundo foi mais complicado na dor física, o primeiro mais difícil de ultrapassar na dor da alma. Quando não temos ainda filhos pensamos em coisas como a infertilidade. Quando já temos pensamos em doenças graves. Queremos à força ter um problema. Decidi hoje escrever sobre isto não para falar sem nenhuma intenção. Decidi escrever porque sei que mais mulheres passaram por isto e não tiveram nenhum apoio a não ser Deus e elas próprias. Porque nós temos a mania que somos muito fortes e não precisamos de ninguém. Eu só consigo ultrapassar o que de mau se passa comigo graças a Ele. Deus ajuda me a encontrar maneiras diferentes. Neste momento preparo uma proposta para que o hospital da luz organize uma palestra sobre o tema. Há cerca de 15 casos por dia. Dói. Dói o corpo e dói a alma. Para umas é só um acidente de percurso, para outras é perder um filho que nunca se chegou a embalar... É como se ele tivesse estado em sofrimento e nós, mães, incapazes de lhes dar um carinho que precisam. Eu tenho a sorte de ter uma médica incrível. Que me descansa, que nunca deixou de me atender o telefone, que nunca deixou de me responder a nada, mesmo que seja a pergunta mais estúpida. Mas ela não consegue uma coisa: curar me a alma. Isso só eu irei conseguir... um dia, talvez. Confiem. Como diz uma amiga minha, Deus escreve direito por linhas tortas e as vezes dificulta mais e escreve também em estrangeiro. Mas nós chegamos lá.

 

Ana Ferreira"

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publicado por Associação Projecto Artémis® às 10:41






Espaço de partilha com objectivo de diminuir a falta de informação técnica e emocional a mulheres que vivenciam o luto da perda de um bebé ao longo da gravidez, bem como quebrar o Pacto de Silêncio resultante de todo esse processo de luto na Perda Gestacional.


Direcção A-PA

projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

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