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Perdi um filho... ou perdi apenas um feto?

Terça-feira, 18.07.17

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À medida com vou lendo artigos, por aqui e por ali, à medida que vou ouvindo entrevistas e lendo comentários sobre perda gestacional, fico cada vez mais com a ideia que não entendem o nosso propósito, a nossa luta.

Por isso acho que nunca é demais explicar e esclarecer.

Quando falamos que perdemos um bebé durante a gravidez e se inicia um processo de luto, não queremos generalizar isto a todas as mães e pais. Há casais que lidam muito bem com esta perda. Há casais que efectivamente para eles um feto, um embrião, é apenas isso… um feto, um embrião. E até aqui tudo bem, cada um lida com o que tráz no ventre da forma que quiser. Contudo e aqui sim é que me faz imensa confusão (diria até irrita-me) é que não se aceite, não se compreenda e não se respeite que há casais que desde o primeiro minuto que sabem que estão grávidos (alguns até antes) estabelecem um vínculo afectivo com um bebé e não com um feto (já sei clinicamente é um feto, mas para estes pais não é apenas um feto).

Não quero, nem queremos (Associação Projecto Artémis) impor a ninguém estes bebés, mas quero e queremos que RESPEITEM cada um destes pais que amam estes filhos como tal, como um bebé e não como um feto.

Quero e queremos que respeitem a sua dor quando os perdem, pois estes casais vivem de uma forma intensa aquele filho.

Quando ouço por aí perguntarem se os pais vêem um feto como um filho, se os pais contam a perda de um feto como a perda de um filho, faz-me alguma confusão.

Vou passar a dizer sabem antes de ter o meu filho eu tive um feto dentro de mim, estava grávida e deixei de estar, porque aquele feto saiu e deitei-o ao lixo.

Feri susceptibilidades? Desculpem. Soou um bocadinho estranho? Desculpem. Mas é assim que muitas pessoas querem impor que se fale sobre o assunto.

Não, eu recuso-me a falar desta forma. Eu estive grávida de um bebé, eu perdi um bebé. E agradeço que respeitem. Claro que clinicamente era um feto. Ninguém diz o contrário, mas eu não falo no meu dia a dia como médica, eu falo como mãe. Senão vejamos, e vou de novo ferir susceptibilidades. Depois de nos morrer um pai ou uma mãe nós dizemos que somos filhos de um cadáver? Não, mas é o que aquela pessoa passa a ser… um cadáver.

Desculpem a forma tão fria, mas começo sinceramente a achar que só desta forma vão começar a respeitar a dor de cada um de nós.

Sandra Cunha

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publicado por projectoartemis às 12:21


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Espaço de partilha com objectivo de diminuir a falta de informação técnica e emocional a mulheres que vivenciam o luto da perda de um bebé ao longo da gravidez, bem como quebrar o Pacto de Silêncio resultante de todo esse processo de luto na Perda Gestacional.

Direcção APA

projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Em paralelo, acompanhou Manuela Pontes na Direcção da Artémis como Vice Presidente. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

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