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Poema "Frutos da vida"

Quinta-feira, 23.06.22

foto flor.jpg

São ramos curvados 
endurecidos
pelo vento
queimados
de chuva
lambidos.

Vestem-se de cores
da terra
Cobrem-se de musgo.
Ó Humidade…

Sombras de ti
no solo
E de mim
solta
num abraço
de saudade.

Caem folhas
Estão moles, ocas,
Vazias.

Mas vejo-me no apodrecer.
Aquela veia palpitante
No aconchego doce
Eterno gentil

Regaço de mares
e rias
Onde o barco da fortuna
Sem rumo
Ancorado sonha
Em meditação
Acordado.

E há leves pálpebras
No seu tronco
imaculado.


Mais terra transformada
Poeira vencida
pelo tempo.

E nasces tu,
No sereno gato caçador
Sentindo cheiros únicos
De incenso e vapor

Perfumando as rugas
Incertas
Nuvens de amor.

Há raízes e laços
Ensanguentados de seiva
Entrelaçados
Num cordão sensorial
De seres e da presença
Tua

Sombra criada pelo sol
Conduzida na luz
Onde o meu anjo
As flores
Produz.

 

Mãe do Miguel - Joana Leal

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publicado por Associação Projecto Artémis® às 10:34

Um Natal com um colo vazio!

Quarta-feira, 22.12.21

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A época de Natal é uma época especial, mas de emoções e sentimentos muitas vezes ambíguos.  Envolve lembranças, encontros, reflexões... o que acaba por levar as pessoas a ficarem emocionalmente inquietas. 
Alguns tiveram experiências boas na infância, já outros tiveram momentos desagradáveis. Quando a lembrança é negativa, a pessoa pode querer evitar estas comemorações natalícias.
Muitos sentem uma quase que imposição para ficarem felizes nesta data, vão ás compras, estão junto da família, mas nem todos terão a possibilidade de “ter tudo” nesta época.
É habitual fazer uma avaliação sobre aquilo que se conquistou e o que não conseguiu. Emoções como tristeza, ansiedade, stress, frustração e medo podem surgir por diversas razões:

  • Sentir solidão, “não tem com quem passar o Natal"
  • Comemorar com pessoas com quem se está com problemas ou em conflito
  • Falta de dinheiro
  • Sentir que é insignificante, rejeitado, não merecedor de carinho e presentes
  • Saudades daqueles que não estão mais presentes na sua vida (seja por falecimento ou por desentendimento)
  • Entre muitas outras razões.

Contudo é sobre o último ponto que me irei focar e numa situação muito concreta.
Há casais que durante o ano iniciam o sonho da maternidade, que engravidam e vivem ansiosamente a chegada daquele filho. Mas nem sempre a gravidez corre da melhor forma e perdem aquele bebé. Já pensaram como vivem estes casais o Natal, quando supostamente aquele Natal seria o primeiro com o seu filho? Como vivem estes pais os Natais seguintes, sabendo que a cada ano que passa haveriam novas experiências, novas vivências como pais? E sabemos que um Natal com uma criança é sempre um Natal diferente. Já fizeram este exercício mental? Experimentem, e verão que começam a entender e a ser mais empáticos com estes pais.
É importante ser mais tolerante, lidar com aquilo que não deu certo e se superar, aceitar e aprender com o caminho que temos percorrido. Todos têm limitações e qualidades, é preciso focar naquilo que “tem de bom”, e aquilo que pode ser melhorado. É importante se valorizar e ver as próprias conquistas e superações..
Ter esperança que no ano seguinte será melhor traz motivação, traz a oportunidade de consertar os erros e reorganizar a vida de outra forma, mas lembre-se de não se cobrar demais, seja realista, um passo de cada vez.
Não existem pessoas e famílias perfeitas. Nem todos estão alegres nesta época do ano, a felicidade não é obrigatória
E há mesas que têm um lugar vazio… há mesas de Natal que têm um lugar de alguém que ninguém viu, mas que alguém amou… e ainda ama…. Há mesas de Natal que são feitas com colos vazios!

Sandra Cunha

Psicóloga A-PA

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publicado por Associação Projecto Artémis® às 10:37

Testemunho Daniela Muller - Perda Gestacional

Quarta-feira, 12.05.21

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"Em maio do ano passado, descobrimos que estávamos grávidos. Meu marido e eu, e posteriormente os familiares mais próximos no Brasil, celebramos a boa nova. Aquela foi a nossa primeira gravidez, que aconteceu naturalmente após tomarmos a decisão de sermos pais. E fomos, mas não da maneira que imaginamos inicialmente. Da quinta para a sexta semana, nossos bebês deixaram de se desenvolver no plano físico e eu vivi a experiência do abortamento natural. Como acontece com a maioria das mulheres que tem a gestação naturalmente interrompida, foi um grande choque, agravado pelo péssimo atendimento que recebi no pronto socorro de uma maternidade.

Fui atendida por mulheres em um ambiente hospitalar preparado, pelo menos em princípio, para atender mulheres. E foi justamente por parte das profissionais de saúde que recebi um tratamento frio, desprovido de qualquer empatia.
A começar pela senhora da recepção, que mesmo vendo meu estado de nervosismo e dor não deixou de lado sua preguiça e mau humor do começo da manhã. Não sei se o fato de eu ser brasileira, mesmo tendo toda a documentação regularizada e o direito de ser atendida na rede pública de saúde portuguesa, fez diferença. Prefiro acreditar que não.
Apenas quando não consegui mais conter o choro de desespero, a senhora portou-se com um pouco mais de humanidade. Após aguardar por cerca de 30 minutos, entrei na sala para ser examinada por um médico, este sim um senhor muito gentil.
Ele conversou comigo, tentou me acalmar, me examinou e pediu um exame rápido de urina. Após uns poucos minutos, a enfermeira que trouxe o resultado do exame que confirmava a notícia que eu não querida receber disse em tom de deboche: “ihhh, aqui já não há bebés, esta senhora não está mais grávida”.
Eu, sozinha no consultório (por conta das regras da pandemia, meu marido não pode entrar), apenas engoli o choro e me vesti. O médico disse que o exame era inconclusivo e que eu deveria fazer um exame de sangue e voltar dali quinze dias.
Saí da maternidade arrasada. Fui para casa e, cuidada pelo meu marido e por toda a minha família – mesmo à distância, comecei o meu processo de luto e autocura. As primeiras horas foram as mais difíceis. Mergulhei na sombra da dor, da culpa, da vergonha, da impotência e do desamparo.
Com o passar dos dias, comecei a adentrar um novo território íntimo e a acessar a luz desta experiência, da Maternidade vivida desta forma tão especial, porém não reconhecida socialmente. Neste período, pude desenvolver um novo olhar sobre o aborto espontâneo, sob o ponto de vista da Vida, que é eterna e multidimensional, e não da morte.
Deste processo de autocura pessoal e sistêmica, nasceu uma escrita que virou livro, publicado em setembro de 2020 de forma independente em Portugal. Percebi que era preciso falar deste assunto, que ainda é tabu, o que penaliza ainda mais a Mulher, que sofre solitária e em silêncio.
A intenção da minha partilha é que, juntas, possamos curar esta ferida do tecido feminino, que é negligenciada há muitas gerações e afeta todas as famílias e toda a sociedade de alguma forma.
Precisamos reconhecer e dar um lugar de respeito a estas Mães de Anjos, às crianças não nascidas para este mundo, para o luto, para a dor e, principalmente, para o Amor que existe além de todas as nossas limitações mentais.
É urgente que os profissionais de saúde estejam preparados para lidar com esta situação tão comum, que acontece todos os dias no mundo inteiro. Toda vida conta, todo filho é precioso para seus pais, toda dor é legítima e merece acolhimento.
Não podemos evitar que a perda gestacional aconteça, pelo menos em grande parte dos casos, pois ela faz parte da experiência humana e a Vida não está sob seu domínio. No entanto, podemos amenizar o sofrimento das Mães, Pais Familiares que vivem esta situação com tratamento digno e empatia nos hospitais.
Louvo a existência de iniciativas como o Projecto Artémis, tão necessário à conscientização da perda gestacional. Bem-hajam!

Daniela Ferreira Vieira Müller, Mãe dos Anjos Maria Clara e João Augusto, a quem dedica o livro “Mãe de Anjo: um novo olhar sobre o aborto espontâneo e a Maternidade”."

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publicado por Associação Projecto Artémis® às 12:06

Injecção versus Expulsão

Segunda-feira, 27.04.09

 

Escrevo este mail, porque me sinto perdida, confusa e bastante angustiada ... Em 8 de Abril descobri que estava gravida, em 21 de Abril, tive a maior tristeza da minha vida quando na 1ª eco a médica me informou que devia estar a ter uma gravidez não evolutiva.

No dia 23, comecei a ter perdas de sangue e nas urgências do hospital não me deram mais esperanças e marcaram-me uma curetagem para hoje dia 27 (se se mantivesse a perda de sangue).
 
Hoje, a custo lá fui, o obstreta que me viu, disse-me que tinha outra opção para além da curetagem. Uma injecção que me deve ajudar a "expulsar tudo". Não sei bem pq (não sei se foi sentimento de culpa) acabei por optar pela injecção.
O médico mando-me voltar ao hospital dia 7 de Maio para observação. Mandou-me ir em jejum, pq podia ser necesário fazer uma curetagem caso não "expulse tudo".
 

A minha questão é, sendo hoje dia 27 de Abril ( dia em que levei a injecção), não é muito tempo  (7 de Maio) para voltar a ser observada ?
A minha GO está ausente, não sei mais a quem perguntar.
 
Agradeço desde já a vossa atenção e quero felicitar os responsáveis por este projecto tão nobre e que me tem dando tanta força.
 
Muito obrigada!

Soraya Ferreira

 

 

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publicado por Associação Projecto Artémis® às 22:25






Espaço de partilha com objectivo de diminuir a falta de informação técnica e emocional a mulheres que vivenciam o luto da perda de um bebé ao longo da gravidez, bem como quebrar o Pacto de Silêncio resultante de todo esse processo de luto na Perda Gestacional.


Direcção A-PA

projectoartemis Sandra Cunha, Psicóloga desde 2005 da Associação Projecto Artémis, tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde essa data na área da Perda Gestacional. Desde Junho de 2011 está como Presidente da Associação Projecto Artémis, procurando quebrar o silêncio, alienado o seu conhecimento técnico com o da realidade da perda de um filho. Perdeu um bebé em 2007, após 2 anos de trabalho como psicóloga da Artémis, o que lhe permitiu reunir à técnica o conhecimento árdua de ter vivido na pele a perda de um filho.

Contacto:
Telefone:937413626
E-mail: associacaoprojectoartemis@gmail.com
Site: www.facebook.com/associacaoartemis